A máquina agrícola de Bachubhai Savjibhai Thesiya, inventor de 58 anos de Gujarat, substituiu o volante por alavancas, nasceu de uma ideia inspirada nos bois de carroça, custou Rs 90 mil para ser desenvolvida e prometia realizar tarefas de trator usando 5 litros em quase 8 horas no campo indiano.
Uma máquina agrícola sem volante colocou Bachubhai Savjibhai Thesiya, inventor de 58 anos de Jamnagar, Gujarat, entre os nomes reconhecidos no Fifth National Grassroots Innovation Awards 2009, na categoria Farm Machinery and Food Processing Technologies.
Segundo o material da premiação, Bachubhai desenvolveu uma máquina operada por alavancas, capaz de realizar a maior parte das operações agrícolas feitas por tratores. O projeto foi criado em Kalavad, vilarejo localizado a cerca de 30 km de Jamnagar, e teve pedido de patente registrado pela NIF em 2008.
Ideia nasceu da forma como bois de carroça eram guiados

A inspiração da máquina agrícola veio de uma observação simples do campo. Bachubhai pensou no modo como os bois de carroça respondem à corda: quando puxada para um lado, o animal vira; quando puxada com força, ele para.
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A partir dessa lógica, ele desenhou um sistema sem volante. No lugar da direção convencional, a máquina usa alavancas funcionais que atuam como direção, embreagem e freio. A solução trocou um comando comum nos tratores por uma linguagem mecânica mais próxima da rotina rural que o inventor conhecia.
Projeto levou cerca de um ano e custou Rs 90 mil
O desenvolvimento não aconteceu de uma vez. O documento informa que Bachubhai passou de quatro a cinco meses colocando o desenho no papel, até considerar que a ideia estava correta para sair da fase de planejamento.
Depois disso, o amigo Ghanshyam bhai ajudou na fabricação, que levou cerca de seis meses. Ao todo, a máquina agrícola consumiu aproximadamente um ano de desenvolvimento e Rs 90 mil, valor citado pela fonte como investimento feito pelo inventor ao longo do processo.
Alavancas fazem a máquina girar quase no próprio eixo

O funcionamento chama atenção pela manobrabilidade. Para virar à esquerda, por exemplo, o operador puxa a alavanca esquerda e empurra a alavanca direita para a frente. As rodas dianteiras, capazes de girar perto de 90 graus, ajudam o veículo a rotacionar quase sobre o próprio eixo, em movimento próximo de 360 graus.
Essa capacidade facilita operações em áreas pequenas ou manobras de campo em que tratores maiores podem ter dificuldade. A novidade, segundo a fonte, não está na rotação em si, já conhecida em tecnologias anteriores, mas no sistema de controle por alavancas criado para essa máquina agrícola.
Consumo de diesel e peso menor chamaram atenção
Outro dado destacado no material é o consumo. A máquina agrícola usa cerca de 5 litros de diesel em quase 8 horas de trabalho, de acordo com a descrição da premiação.
A fonte também aponta uma vantagem ligada ao peso. Por ser mais leve que tratores convencionais, a máquina reduziria a compactação do solo, problema associado a equipamentos agrícolas pesados. Isso torna o projeto relevante não apenas pelo custo, mas também pelo impacto prático nas condições de cultivo.
Equipamento usa engate de três pontos como tratores convencionais
Apesar de não ter volante, a máquina agrícola foi pensada para executar tarefas típicas do campo. Os implementos de preparo do solo são acoplados por um sistema de engate de três pontos, semelhante ao usado em tratores tradicionais.
O documento afirma que o equipamento é capaz de realizar as tarefas que um trator executa, mas a uma fração do custo. Essa comparação ajuda a explicar por que a inovação ganhou destaque: ela não tenta competir por luxo tecnológico, e sim por simplicidade, função e adaptação à realidade de pequenos produtores.
Bachubhai já acumulava outras invenções rurais
A máquina agrícola sem volante não foi a única criação de Bachubhai. O material cita outros projetos, como um dispositivo agrícola operado por motocicleta, um sistema com sensor para irrigação, uma lâmpada modificada para durar mais e uma máquina multifuncional com gerador, bomba d’água, moinho de farinha e cortadora de ferro.
Antes de se dedicar à agricultura, Bachubhai estudou até a décima classe, fez curso de conserto de rádio e abriu a Jyoti Radio Service em 1984. Depois, com a queda nos ganhos e a chegada das televisões, fez curso de reparo de TV e abriu outro negócio, mostrando uma trajetória ligada à eletrônica, manutenção e experimentação.
Reconhecimento veio de uma solução feita no campo
A história de Bachubhai mostra como uma inovação pode nascer fora dos grandes centros industriais. A máquina agrícola surgiu de uma necessidade prática, de conhecimento acumulado na rotina rural e de uma tentativa de criar uma alternativa mais acessível aos tratores comuns.
O caso também levanta uma discussão importante: quantas soluções para o campo podem estar escondidas em oficinas pequenas, propriedades familiares e experiências de agricultores inventivos? Você acha que máquinas simples como essa deveriam receber mais apoio para testes, fabricação e uso em larga escala? Deixe sua opinião nos comentários.
