Encontrado perto de Mazarrón, no sudeste da Espanha, o navio fenício Mazarrón II foi resgatado peça por peça após a perda da proteção natural de areia ameaçar sua preservação no Mediterrâneo
Um navio naufragado de 2.600 anos, conhecido como Mazarrón II, foi resgatado das águas próximas a Mazarrón, no sudeste da Espanha, após décadas submerso a pouca profundidade no Mediterrâneo. A embarcação, encontrada em 1994, estava ameaçada pela perda da proteção natural de areia e seguirá para conservação em Cartagena.
Mazarrón II estava escondido a poucos metros da praia
O Mazarrón II foi localizado a cerca de seis pés abaixo da superfície do Mediterrâneo, aproximadamente 200 pés de Playa de la Isla. Com 8,2 metros de comprimento, o navio carregava lingotes de chumbo quando afundou.
A areia que cobria os destroços ajudou a manter a embarcação escondida e preservada por séculos. No entanto, mudanças na costa, incluindo construções litorâneas e alterações nas correntes marítimas, deixaram o naufrágio mais exposto.
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Carlos de Juan, arqueólogo da Universidade de Valência e líder do projeto de escavação, afirmou em julho de 2024 que os destroços não podiam mais permanecer no local, porque a proteção de areia estava desaparecendo.

Caixa metálica usada para proteção virou ameaça ao navio
Durante muitos anos, os restos do navio ficaram cobertos por uma caixa metálica protetora. Mas estudos feitos entre 2017 e 2019 mostraram que essa estrutura estava afundando e poderia esmagar a embarcação.
No verão de 2023, arqueólogos começaram a preparar o resgate. A equipe passou 560 horas mergulhando no local para registrar diagramas detalhados das rachaduras e fissuras do navio.
Segundo Carlos de Juan, era mais sensato retirar a embarcação, tratá-la e exibi-la em um museu do que manter a preocupação a cada grande tempestade.
Resgate foi feito peça por peça por 14 mergulhadores
Entre setembro e novembro de 2024, uma equipe formada por 14 mergulhadores retirou cuidadosamente os destroços de madeira do fundo do mar, peça por peça.
Os fragmentos serão levados para um laboratório no Museu de Arqueologia Subaquática de Cartagena. A previsão é que o trabalho de conservação e reconstrução leve pelo menos quatro anos.
O processo deve começar pela retirada do sal de cada peça. Depois, os especialistas aplicarão resinas em partes onde a madeira apodreceu. Em seguida, os fragmentos serão liofilizados antes da remontagem do navio.

Naufrágio pode revelar detalhes sobre os fenícios
Os arqueólogos acreditam que o Mazarrón II pertenceu aos fenícios, comerciantes marítimos que habitaram a costa leste do Mediterrâneo entre cerca de 1500 e 300 a.C.
A embarcação é considerada um dos poucos naufrágios da era fenícia ainda praticamente intactos. Por isso, pode ajudar pesquisadores a entender melhor técnicas de construção naval e aspectos da cultura fenícia.
Agustín Díez, historiador da Universidade de Valência, afirmou que o estudo poderá indicar os tipos de madeira usados, onde o barco foi construído, como era a navegação da época e como ocorreu a degradação da madeira.
Outro naufrágio, chamado Mazarrón I, foi encontrado na mesma área em 1993. Ele foi retirado da água dois anos depois e, após conservação, passou a ser exposto no Museu Nacional de Arqueologia Subaquática em 2005.
Esta matéria foi elaborada com base em informações de CBS News, Reuters, El País e comunicados da Universidade de Valência, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

