Infraestrutura submarina avança no Atlântico Norte com projeto de altíssima capacidade que promete reduzir latência, ampliar rotas digitais e reforçar a posição estratégica da Islândia na conexão entre Europa e América do Norte, acompanhando a crescente demanda global por dados e serviços em nuvem.
Ao anunciar o projeto AUÐUR, a operadora islandesa Farice apresentou um novo cabo submarino de fibra óptica que ligará o sul da Islândia à Escócia, ampliando a conectividade internacional e fortalecendo a integração digital com o continente europeu.
Com previsão de operação em 2030, a estrutura foi dimensionada para atingir 320 Tbps a 480 Tbps de capacidade agregada, utilizando 16 a 24 pares de fibra, o que representa um salto relevante frente às gerações anteriores de cabos submarinos.
Nova rota digital entre Islândia e Escócia
Projetado como substituto estratégico do FARICE-1, o AUÐUR surge em um momento em que o sistema atual, ativo desde 2004, se aproxima do limite de sua vida útil dentro da infraestrutura crítica de telecomunicações islandesa.
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Antes que o cabo mais antigo complete três décadas de operação, previstas para 2033, a Farice pretende garantir a continuidade dos serviços e a atualização tecnológica com uma nova rota mais robusta e preparada para demandas futuras.

Partindo do sul da Islândia, o traçado incluirá um ponto de entrega em Glasgow ou Edimburgo, criando uma ligação direta com o Reino Unido e facilitando o acesso a diferentes rotas de interconexão europeias.
A partir desse ponto, será possível alcançar centros estratégicos como Londres, Dublin e Amsterdã, além de reforçar conexões com países nórdicos, ampliando o alcance da rede e diversificando caminhos para o tráfego de dados.
De acordo com o cronograma divulgado, o levantamento marítimo da rota está previsto para o verão de 2027, etapa essencial para validar o trajeto e viabilizar a construção do sistema.
Mantido o planejamento atual, a expectativa é de que o cabo entre em operação comercial em 2030, consolidando uma nova alternativa de conectividade entre a Islândia e o restante da Europa.
Capacidade elevada mira data centers e computação em nuvem
Em meio ao crescimento acelerado do tráfego digital, a capacidade projetada para o AUÐUR atende especialmente à expansão de serviços em nuvem, interconexão de data centers e aplicações que exigem latência reduzida.
Ao mesmo tempo, o projeto reforça a posição da Islândia como um ponto estratégico no Atlântico Norte, funcionando como elo entre redes europeias e mercados internacionais que dependem de infraestrutura confiável.
Com até 24 pares de fibra, o desenho técnico do cabo representa uma mudança de escala significativa, ampliando a densidade de transmissão e criando condições para suportar volumes muito maiores de dados.
Na prática, a proposta da Farice é estabelecer uma rota mais resiliente, capaz de reduzir tempos de trânsito e aumentar a eficiência no fluxo de informações entre diferentes hubs de rede europeus.

Além disso, a empresa indica que a nova infraestrutura contribuirá para fortalecer a chamada ponte digital nórdica, ampliando a integração regional e a capacidade de resposta às demandas do setor.
Segundo o CEO da Farice, Thorvardur Sveinsson, o momento atual exige investimentos em cabos de alta capacidade para sustentar o crescimento contínuo das telecomunicações no país.
Nome do cabo resgata conexão histórica entre Islândia e Escócia
Inspirado nas sagas islandesas, o nome AUÐUR faz referência a Auður, a Profunda, personagem ligada à navegação entre a Escócia e a Islândia, simbolizando uma conexão que atravessa séculos.
Com essa escolha, a Farice estabelece uma ponte simbólica entre passado e futuro, associando o avanço tecnológico a vínculos históricos e culturais já existentes entre os dois territórios.
Do ponto de vista técnico, a ligação com a Escócia também desempenha papel estratégico ao oferecer acesso a uma malha diversificada de rotas terrestres e submarinas no Reino Unido.
Cidades como Glasgow e Edimburgo funcionariam, nesse cenário, como portas de entrada para redes capazes de alcançar mercados na Irlanda, nos Países Baixos e em diferentes regiões da Europa.
Rede submarina da Farice ganha reforço estratégico
Atualmente, a Farice já opera cabos que conectam a Islândia ao continente europeu, incluindo FARICE-1, DANICE e ÍRIS, formando uma base relevante para a conectividade internacional do país.
Com a chegada do AUÐUR, essa estrutura será ampliada, especialmente no corredor entre Islândia e Escócia, que há mais de duas décadas depende majoritariamente do sistema FARICE-1.
Enquanto o DANICE estabelece ligação direta com a Dinamarca e o ÍRIS conecta o país à Irlanda, o novo cabo adiciona redundância e novas possibilidades de roteamento.
Dessa forma, a empresa busca aumentar a segurança operacional, reduzir riscos de interrupção e oferecer alternativas mais flexíveis para provedores e clientes corporativos.
Mais do que substituir um sistema antigo, a iniciativa visa preparar a infraestrutura para suportar volumes crescentes de dados, acompanhando a evolução das tecnologias e das demandas digitais globais.
Projeto será financiado sem recursos diretos do Estado
Seguindo sua estratégia, a Farice informou que o AUÐUR será financiado sem participação direta do tesouro estadual, mantendo o modelo adotado em outros projetos de infraestrutura.
Esse movimento ocorre em um contexto em que a região nórdica ganha protagonismo como polo de data centers, impulsionada por fatores como conectividade, disponibilidade energética e localização geográfica estratégica.
Para a Islândia, expandir sua rede de cabos submarinos representa não apenas modernização tecnológica, mas também maior autonomia e segurança nas comunicações internacionais.
Ao criar uma nova rota de baixa latência, o AUÐUR amplia a flexibilidade da malha digital islandesa e fortalece sua capacidade de atender aplicações que exigem estabilidade e alta performance.
Antes de sua entrada em operação, prevista para 2030, o projeto ainda passará por etapas técnicas fundamentais, incluindo estudos marítimos e processos de implementação.
Quando concluído, o sistema deverá assumir papel central na renovação da infraestrutura submarina do país, acompanhando a crescente demanda global por conectividade de alta capacidade.


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