Enquanto Jakarta afunda 25 centímetros por ano, a Indonésia ergue na selva de Bornéu uma nova capital de US$ 32 bilhões. Nusantara chegou a 80% de fase 1 em maio de 2026.
Conforme reportagem da NPR, o palácio Garuda — sede presidencial em formato de águia mítica — já está finalizado. Foi inaugurado em outubro de 2024.
De fato, edifícios legislativo e judicial seguem em construção. A meta oficial é entregá-los em 2027, segundo o governo indonésio.
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O número de operários no canteiro saltou. Conforme dados do governo, hoje atuam entre 150 mil e 200 mil pessoas — três vezes mais do que o início da obra em 2022.
Igualmente, a área urbana planejada se estende por 2.560 km². É quase a área da cidade do Rio de Janeiro mas comporta apenas funções administrativas e residenciais.
Por que a Indonésia precisa abandonar Jakarta por Nusantara
Jakarta tem 11 milhões de habitantes na área central. Conforme o estudo da Wikipedia, mais de 40% da cidade já está abaixo do nível do mar.
De fato, a megacidade afunda mais rápido que qualquer outra grande capital do mundo. As zonas norte registram queda de até 25 cm por ano.
- 11 milhões de habitantes em Jakarta — área central da capital atual
- 40% da cidade abaixo do nível do mar — risco crescente de inundação
- 25 cm/ano de afundamento — pior taxa entre megacidades globais
- 2.560 km² de área a nova capital — quase a área do Rio de Janeiro
- US$ 32 bilhões previstos — orçamento total em fases até 2045
Como resultado, o governo decidiu mover a capital há mais de uma década. A lei oficial de transferência foi sancionada em janeiro de 2022 pelo então presidente Joko Widodo.
Por outro lado, a transferência só pode ocorrer gradualmente. A previsão é que servidores públicos federais migrem entre 2026 e 2030.
O que torna o projeto Nusantara único entre capitais novas
Outras capitais foram construídas do zero — Brasília no Brasil em 1960, Naypyidaw em Mianmar em 2005. Mas a nova capital é a primeira esculpida em floresta tropical primária da Ásia.

Conforme análise do HKTDC, o desenho urbano usa princípios de cidade-floresta. Cerca de 70% da área permanecerá com vegetação original preservada.
De fato, ruas largas com ciclovia, rede de mobilidade elétrica e energia renovável são pilares do projeto. O orçamento prevê integração total com transporte público autônomo.
Por isso, comparações com Brasília terminam aí. A capital indonésia foi pensada para clima tropical úmido equatorial, não savana.
O orçamento de Nusantara enfrenta cortes brutais em 2026
Apesar do otimismo da fase 1, o financiamento estatal despencou. Conforme reportagem da Time, o aporte federal caiu de US$ 2 bilhões em 2024 para US$ 300 milhões em 2026.
De fato, a queda representa 85% de redução em apenas 2 anos. Mudança de governo de Joko Widodo para Prabowo Subianto trouxe nova prioridade orçamentária.
Por outro lado, o setor privado é convocado para suprir o gap. Investidores internacionais foram chamados em road-shows na Cingapura, Tóquio e Riad em 2025.
Como resultado, o cronograma original de 2045 pode atrasar significativamente. Sem capital privado em volume, o ritmo atual é insustentável.
Os Balik e o impacto ambiental no povo de Bornéu
O povo Balik vive em Bornéu Oriental há séculos. Conforme reportou a Dezeen, comunidades indígenas estão sendo deslocadas pelo avanço das obras.
Igualmente, Arie Rompas, ativista do Greenpeace Indonésia, descreveu o projeto como “desordenado e imprudente”. Ele afirma que a construção viola direitos das comunidades locais.

Conforme o Greenpeace, parcelas de mata virgem foram derrubadas sem licenciamento adequado em 2024 e 2025. A indenização aos Balik segue em discussão.
Igualmente, ONGs internacionais acompanham o caso de perto. Documentos da auditoria ambiental ainda não foram tornados públicos.
De fato, a resposta do governo indonésio é defender que 70% da cobertura vegetal será preservada. Críticos contestam essa estimativa.
Por outro lado, lideranças Balik querem garantia formal de pagamento e reassentamento digno antes do avanço da fase 2 das obras.
Por outro lado, autoridades indonésias afirmam respeitar as áreas sagradas. O governo destaca a preservação de 70% da cobertura vegetal original.
Como a nova capital se compara com outros megaprojetos asiáticos
O contraste mais imediato é com a expansão ferroviária chinesa — execução acelerada e financiamento estatal contínuo.
De acordo com a Linos News, a Indonésia segue um modelo híbrido. Investimento público inicial e privatização gradual de zonas residenciais.
De fato, países que enfrentam afundamento similar, como o que vemos nas Maldivas com terra artificial, escolhem outra estratégia. Lá, o caminho é elevar artificialmente o solo.
Igualmente, a Indonésia decidiu mudar para terreno alto em vez de defender Jakarta. A logística e o custo eventual de manter a cidade inundada eram inviáveis.
Ressalvas e o que ainda pode atrasar Nusantara
No entanto, o financiamento privado precisa decolar para que o cronograma se mantenha. Sem ele, as fases 2 a 5 podem ficar com escopo reduzido.
Apesar disso, o governo Prabowo reafirmou compromisso com a transferência da capital. Foi reduzido apenas o aporte direto, não o status do projeto.
Contudo, especialistas ambientais continuam alertando para risco de erosão dos solos amazônicos da Indonésia. Bornéu tem solo frágil quando exposto à chuva tropical.
Por outro lado, ONGs locais relatam mudanças no microclima da região da obra. A retirada de cobertura vegetal eleva temperatura média em até 2°C.
De fato, projetos análogos no Sudeste Asiático mostraram impactos semelhantes. A construção de Naypyidaw em Mianmar, em 2005, deixou marcas ambientais visíveis até hoje.
Igualmente, o sucesso de longo prazo dependerá de manejo florestal eficiente. Autoridades indonésias afirmam ter plano detalhado, no entanto o cumprimento ainda precisa ser auditado.
Apesar disso, observadores apontam que o cronograma original foi prorrogado tacitamente. O governo evita admitir publicamente atraso porque mudaria a narrativa política.
Contudo, sem aporte privado robusto, o sonho da nova capital corre risco de ficar incompleto. O caso pode virar mais um aviso global sobre limites de megaprojetos urbanos.
