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Enquanto Jakarta afunda 25 cm por ano, a Indonésia está erguendo Nusantara em US$ 32 bilhões na selva de Bornéu — Garuda Palace e fase 1 estão 80% concluídos com 200 mil operários no canteiro

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 09/05/2026 às 18:15 Atualizado em 09/05/2026 às 18:17
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Enquanto Jakarta afunda 25 centímetros por ano, a Indonésia ergue na selva de Bornéu uma nova capital de US$ 32 bilhões. Nusantara chegou a 80% de fase 1 em maio de 2026.

Conforme reportagem da NPR, o palácio Garuda — sede presidencial em formato de águia mítica — já está finalizado. Foi inaugurado em outubro de 2024.

De fato, edifícios legislativo e judicial seguem em construção. A meta oficial é entregá-los em 2027, segundo o governo indonésio.

Vista aérea de Nusantara em construção na selva de Bornéu Oriental
Canteiro de obras de a nova capital em Bornéu Oriental, com Garuda Palace finalizado em formato de águia.

O número de operários no canteiro saltou. Conforme dados do governo, hoje atuam entre 150 mil e 200 mil pessoas — três vezes mais do que o início da obra em 2022.

Igualmente, a área urbana planejada se estende por 2.560 km². É quase a área da cidade do Rio de Janeiro mas comporta apenas funções administrativas e residenciais.

Por que a Indonésia precisa abandonar Jakarta por Nusantara

Jakarta tem 11 milhões de habitantes na área central. Conforme o estudo da Wikipedia, mais de 40% da cidade já está abaixo do nível do mar.

De fato, a megacidade afunda mais rápido que qualquer outra grande capital do mundo. As zonas norte registram queda de até 25 cm por ano.

  • 11 milhões de habitantes em Jakarta — área central da capital atual
  • 40% da cidade abaixo do nível do mar — risco crescente de inundação
  • 25 cm/ano de afundamento — pior taxa entre megacidades globais
  • 2.560 km² de área a nova capital — quase a área do Rio de Janeiro
  • US$ 32 bilhões previstos — orçamento total em fases até 2045

Como resultado, o governo decidiu mover a capital há mais de uma década. A lei oficial de transferência foi sancionada em janeiro de 2022 pelo então presidente Joko Widodo.

Por outro lado, a transferência só pode ocorrer gradualmente. A previsão é que servidores públicos federais migrem entre 2026 e 2030.

O que torna o projeto Nusantara único entre capitais novas

Outras capitais foram construídas do zero — Brasília no Brasil em 1960, Naypyidaw em Mianmar em 2005. Mas a nova capital é a primeira esculpida em floresta tropical primária da Ásia.

Garuda Palace em Nusantara com formato de águia em Bornéu
Garuda Palace em a nova capital: sede presidencial em formato de águia, símbolo nacional indonésio.

Conforme análise do HKTDC, o desenho urbano usa princípios de cidade-floresta. Cerca de 70% da área permanecerá com vegetação original preservada.

De fato, ruas largas com ciclovia, rede de mobilidade elétrica e energia renovável são pilares do projeto. O orçamento prevê integração total com transporte público autônomo.

Por isso, comparações com Brasília terminam aí. A capital indonésia foi pensada para clima tropical úmido equatorial, não savana.

O orçamento de Nusantara enfrenta cortes brutais em 2026

Apesar do otimismo da fase 1, o financiamento estatal despencou. Conforme reportagem da Time, o aporte federal caiu de US$ 2 bilhões em 2024 para US$ 300 milhões em 2026.

De fato, a queda representa 85% de redução em apenas 2 anos. Mudança de governo de Joko Widodo para Prabowo Subianto trouxe nova prioridade orçamentária.

Por outro lado, o setor privado é convocado para suprir o gap. Investidores internacionais foram chamados em road-shows na Cingapura, Tóquio e Riad em 2025.

Como resultado, o cronograma original de 2045 pode atrasar significativamente. Sem capital privado em volume, o ritmo atual é insustentável.

Os Balik e o impacto ambiental no povo de Bornéu

O povo Balik vive em Bornéu Oriental há séculos. Conforme reportou a Dezeen, comunidades indígenas estão sendo deslocadas pelo avanço das obras.

Igualmente, Arie Rompas, ativista do Greenpeace Indonésia, descreveu o projeto como “desordenado e imprudente”. Ele afirma que a construção viola direitos das comunidades locais.

Comunidade indígena Balik na floresta de Bornéu Oriental
O povo Balik vive em comunidades tradicionais na floresta de Bornéu, próximas ao canteiro de a nova capital.

Conforme o Greenpeace, parcelas de mata virgem foram derrubadas sem licenciamento adequado em 2024 e 2025. A indenização aos Balik segue em discussão.

Igualmente, ONGs internacionais acompanham o caso de perto. Documentos da auditoria ambiental ainda não foram tornados públicos.

De fato, a resposta do governo indonésio é defender que 70% da cobertura vegetal será preservada. Críticos contestam essa estimativa.

Por outro lado, lideranças Balik querem garantia formal de pagamento e reassentamento digno antes do avanço da fase 2 das obras.

Por outro lado, autoridades indonésias afirmam respeitar as áreas sagradas. O governo destaca a preservação de 70% da cobertura vegetal original.

Como a nova capital se compara com outros megaprojetos asiáticos

O contraste mais imediato é com a expansão ferroviária chinesa — execução acelerada e financiamento estatal contínuo.

De acordo com a Linos News, a Indonésia segue um modelo híbrido. Investimento público inicial e privatização gradual de zonas residenciais.

De fato, países que enfrentam afundamento similar, como o que vemos nas Maldivas com terra artificial, escolhem outra estratégia. Lá, o caminho é elevar artificialmente o solo.

Igualmente, a Indonésia decidiu mudar para terreno alto em vez de defender Jakarta. A logística e o custo eventual de manter a cidade inundada eram inviáveis.

Ressalvas e o que ainda pode atrasar Nusantara

No entanto, o financiamento privado precisa decolar para que o cronograma se mantenha. Sem ele, as fases 2 a 5 podem ficar com escopo reduzido.

Apesar disso, o governo Prabowo reafirmou compromisso com a transferência da capital. Foi reduzido apenas o aporte direto, não o status do projeto.

Contudo, especialistas ambientais continuam alertando para risco de erosão dos solos amazônicos da Indonésia. Bornéu tem solo frágil quando exposto à chuva tropical.

Por outro lado, ONGs locais relatam mudanças no microclima da região da obra. A retirada de cobertura vegetal eleva temperatura média em até 2°C.

De fato, projetos análogos no Sudeste Asiático mostraram impactos semelhantes. A construção de Naypyidaw em Mianmar, em 2005, deixou marcas ambientais visíveis até hoje.

Igualmente, o sucesso de longo prazo dependerá de manejo florestal eficiente. Autoridades indonésias afirmam ter plano detalhado, no entanto o cumprimento ainda precisa ser auditado.

Apesar disso, observadores apontam que o cronograma original foi prorrogado tacitamente. O governo evita admitir publicamente atraso porque mudaria a narrativa política.

Contudo, sem aporte privado robusto, o sonho da nova capital corre risco de ficar incompleto. O caso pode virar mais um aviso global sobre limites de megaprojetos urbanos.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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