Projeto em Mumbai prevê túneis subaquáticos, osmose reversa e captação no Mar Arábico para ampliar o abastecimento de água da cidade, com parte da infraestrutura instalada abaixo do nível do mar.
Mumbai prepara uma usina de dessalinização em Manori, na costa oeste da cidade, com capacidade inicial prevista de 200 milhões de litros de água potável por dia.
O projeto da Brihanmumbai Municipal Corporation, órgão municipal responsável pela administração de Mumbai, inclui três túneis subaquáticos de 2,5 km no Mar Arábico e foi planejado com possibilidade de ampliação para 400 milhões de litros diários.
A estrutura foi desenhada para captar água do mar e transformá-la em água potável por meio de osmose reversa, tecnologia usada para remover sais e impurezas em plantas de dessalinização.
-
Mina na Pensilvânia faz gelo no calor do verão, derrete no inverno e transforma uma fenda na montanha em uma geladeira natural ao contrário
-
China coloca seus robôs para circular pelo planeta em ritmo acelerado: de aspiradores inteligentes a máquinas industriais e humanoides, país exporta milhões de unidades para mais de 150 mercados e reforça sua força na automação global
-
Ligue o aquecedor: nova massa de ar polar avança sobre o Brasil e derruba temperaturas em pelo menos 9 estados neste fim de semana, com mínimas próximas de 0°C no Sul e risco de geada até a próxima segunda-feira
-
Fábricas escuras da China produzem carros elétricos 24 horas por dia quase sem gente, a Zeekr monta 800 unidades diárias e o alerta chega nominalmente ao Brasil
Nesse sistema, dois túneis serão destinados à condução da água oceânica até a unidade de tratamento, enquanto o terceiro ficará ligado à descarga associada ao processo industrial.
Obra em Manori avança na costa de Mumbai
A planta ficará em Manori, vila costeira no norte de Mumbai, em uma área de cerca de 12 hectares destinada à instalação da unidade de tratamento.

Segundo o Indian Express, a usina será implantada em terreno do governo estadual, enquanto a captação ocorrerá a alguns quilômetros da costa, em uma operação que manterá parte da infraestrutura abaixo do nível do mar.
O projeto avançou em 2026 após receber autorização ligada à Coastal Regulation Zone, norma que regula intervenções em áreas costeiras na Índia.
De acordo com o Times of India, a liberação do Ministério do Meio Ambiente, Florestas e Mudanças Climáticas da União foi concedida com condições ambientais específicas para instalação e operação do sistema.
A avaliação costeira determinou cuidados relacionados a manguezais, fluxo das marés, áreas de pesca e possíveis impactos da salmoura sobre o ecossistema marinho.
O comitê também exigiu a participação de instituições de pesquisa para estudar efeitos de longo prazo da descarga e alternativas de reúso ou melhor aproveitamento desse resíduo.
Túneis subaquáticos vão ligar o oceano à usina
Pelo desenho do projeto, a água salgada seguirá pelos túneis de captação até a usina de osmose reversa, onde passará por etapas de tratamento antes de ser incorporada ao sistema municipal.
Embora a planta fique instalada em terra, a conexão com o oceano dependerá de uma obra subaquática preparada para funcionar em contato permanente com sedimentos, correntes e água salgada.
O terceiro túnel previsto no projeto está ligado ao descarte controlado do concentrado salino gerado pela dessalinização.
Esse material, conhecido como salmoura, retorna ao ambiente marinho com concentração de sais maior do que a água captada originalmente e, por isso, exige manejo ambiental conforme as exigências regulatórias.
Para reduzir interferências no leito marinho, a instalação das linhas de captação e descarga deverá usar métodos de tunelamento.

A autorização ambiental também prevê restrições de atividades em Manori Creek, região associada à pesca local, como forma de diminuir impactos sobre comunidades costeiras e ecossistemas sensíveis.
Capacidade de produção pode chegar a 400 milhões de litros por dia
A primeira fase da usina foi dimensionada para 200 MLD, sigla usada na Índia para “milhões de litros por dia”.
A infraestrutura de captação, descarga e armazenamento de água tratada, no entanto, foi planejada para permitir expansão futura até 400 MLD, o dobro da capacidade inicial.
A IDE Technologies informou em dezembro de 2025 que recebeu contrato de engenharia, aquisição e construção para desenvolver a planta de osmose reversa de Manori.
Segundo a empresa, a unidade integra uma estratégia para reforçar a segurança hídrica de Mumbai em um cenário de demanda crescente e maior variabilidade climática.
No orçamento municipal de 2026-27, a dessalinização também aparece dentro de um conjunto de projetos voltados à ampliação do abastecimento de água.
Segundo o Times of India, a BMC projetou aumento de cerca de 800 MLD na oferta de água em quatro a cinco anos, com previsão de 500 crore de rúpias para o projeto de Manori no exercício de 2026-27.
Dessalinização busca reduzir dependência das monções
A escolha pela dessalinização ocorre em uma cidade cuja oferta de água depende de reservatórios abastecidos pelas monções.
Em documento orçamentário anterior, a BMC afirmou que atrasos ou falhas no regime de chuvas podem levar a cortes no abastecimento, cenário usado pelo órgão para justificar a busca por uma fonte adicional de água.
A proposta não substitui barragens, lagos e obras de transferência de água, mas acrescenta uma fonte complementar ao sistema urbano.
Na prática, Mumbai tenta reduzir a dependência exclusiva da água doce acumulada em reservatórios, usando o Mar Arábico como fonte permanente para produção controlada de água potável.
A implantação envolve exigências técnicas diferentes das observadas em captações convencionais em rios ou represas.
Além de bombear a água do mar por túneis subaquáticos, a operação precisa consumir energia, proteger equipamentos contra corrosão, controlar a salmoura e cumprir as condições ambientais impostas ao projeto costeiro.
A escala do empreendimento coloca Manori entre as principais obras hídricas previstas para Mumbai nos próximos anos.
Com 200 milhões de litros por dia na fase inicial, a usina poderá reforçar o abastecimento de uma metrópole com alta concentração populacional, enquanto a ampliação para 400 MLD dependerá das próximas etapas de execução e operação.


Ter necessidade, já nos mostra falta de visão ,busca ou planejamento. Suprir nossas necessidades já que estamos no sufoco; é prioridade. Porém não se pode achar que resolvemos o caos se não estruturamos e com urgência.
Um dos países secou bastante ou quase todo o rio Jordão. Mas a china já revigorou o deserto e hoje alimentas grande parte da população….