Obra em Chellanam reúne tetrapodes, pedras e quebra-mares para conter erosão costeira em Kerala, enquanto nova etapa prevê ampliar a proteção em áreas ainda expostas ao avanço do mar e às monções.
A vila costeira de Chellanam, no estado indiano de Kerala, recebeu uma estrutura de proteção marítima de 7,3 quilômetros para reduzir os impactos da erosão e das inundações provocadas pelo avanço do mar.
A primeira fase do projeto usou cerca de 1,5 lakh de tetrapodes — expressão usada na Índia para 150 mil unidades — e aproximadamente 800 mil toneladas de pedra, segundo informações divulgadas pelo governo estadual e pela imprensa indiana.
A obra inclui uma parede marítima de 6,1 metros de altura, seis quebra-mares e uma passarela de 6,64 quilômetros.
-
Embrapa leva caju, amendoim e gergelim ao maior banco de sementes do mundo, na Noruega, onde o Brasil já tem mais de 8 mil amostras guardadas desde 2012 contra pragas e mudanças climáticas
-
Empresa finlandesa cria blocos de plástico reciclado e biomassa que se encaixam sem cimento, são 10 vezes mais leves que blocos comuns e já foram usados para erguer escolas em áreas atingidas por terremotos
-
Startup dos EUA quer construir um canhão espacial de 10 km para disparar cargas de várias toneladas à órbita a Mach 23, substituindo parte dos foguetes por uma estrutura colossal que parece uma arma de ficção científica
-
Secas e cheias extremas dobraram no planeta desde 1901, aponta estudo com 1.300 bacias hidrográficas que revela pressão crescente sobre agricultura, rios, solos, ecossistemas e abastecimento de água
O investimento da primeira etapa foi estimado em 347 crore de rúpias, valor equivalente a cerca de 3,47 bilhões de rúpias, dentro de um programa voltado à proteção de comunidades costeiras de Kerala.
Chellanam, localizada no distrito de Ernakulam, próximo a Kochi, aparece em registros oficiais e reportagens locais como uma das áreas de Kerala afetadas por erosão costeira e alagamentos recorrentes.
Em períodos de monções, moradores da região relatam danos a casas, deslocamentos temporários e prejuízos à atividade pesqueira.
Como os tetrapodes ajudam a reduzir a força das ondas
Os tetrapodes são blocos de concreto com quatro pontas, desenhados para se encaixar uns nos outros e dissipar parte da energia das ondas.
Diferentemente de uma barreira totalmente lisa, a estrutura permite a passagem da água entre os blocos, o que reduz o impacto direto sobre a faixa costeira.
Na prática, esse tipo de defesa tenta diminuir a força que chega às áreas habitadas.
Quando as ondas atingem a muralha, parte da energia se perde entre pedras e blocos de concreto antes de alcançar casas, ruas e pontos usados por pescadores.
A solução não elimina todos os riscos associados ao avanço do mar, mas é adotada em trechos onde governos e técnicos buscam reduzir a erosão e as inundações costeiras.
No caso de Chellanam, o Centro Nacional de Pesquisa Costeira, ligado ao Ministério de Ciências da Terra da Índia, já havia demonstrado medidas de mitigação para uma vila pesqueira sujeita a alagamentos, segundo comunicado oficial do governo indiano.
Por que Chellanam recebeu uma obra desse porte
A localização de Chellanam ajuda a explicar a prioridade dada à obra.
A vila fica em uma faixa densamente ocupada do litoral de Kerala, onde moradias, atividades pesqueiras e vias locais estão próximas da linha d’água.
Essa combinação amplia os danos quando há maré alta, tempestades ou ondas intensas durante as monções.
Durante anos, moradores e lideranças locais cobraram intervenções permanentes para reduzir a exposição da comunidade.
Antes da instalação dos tetrapodes, parte das medidas de contenção usava soluções temporárias, como sacos de areia e geobags, que eram frequentemente questionadas por grupos comunitários.
A opção por uma estrutura de concreto e pedra representa uma mudança no tipo de resposta adotada pelo governo estadual.
Em vez de reforços emergenciais a cada temporada de risco, a primeira fase concentrou recursos em uma barreira fixa, associada a quebra-mares e a uma passarela ao longo do trecho protegido.
Reportagens locais indicaram que áreas já contempladas pela primeira etapa tiveram redução dos impactos durante episódios recentes de avanço do mar.
Ainda assim, trechos fora da zona protegida continuaram sujeitos a alagamentos e à ação das ondas, o que manteve a pressão por novas intervenções.
Segunda fase prevê mais 6,1 quilômetros de proteção
A segunda fase do projeto foi inaugurada pelo ministro-chefe de Kerala, Pinarayi Vijayan, em 7 de março de 2026.
A etapa prevê a proteção de mais 6,1 quilômetros, entre Puthenthode e Manaserry Fishing Gap, com uso de mais de 100 mil tetrapodes.
O orçamento anunciado para essa fase é de 404 crore de rúpias.
A nova frente de trabalho foi apresentada pelo governo estadual como continuidade da proteção costeira iniciada em Chellanam, especialmente em áreas que ainda permanecem expostas à erosão e às inundações.
Na cerimônia, Vijayan afirmou que o programa “Nava Kerala” não deveria ser visto apenas como um conceito, mas como uma realidade associada à chegada de obras e serviços às diferentes regiões do estado.
A declaração foi feita em discurso durante o evento que marcou o encerramento da primeira etapa e a inauguração da segunda.
Também participaram da cerimônia ministros estaduais, parlamentares, lideranças locais e representantes religiosos.
Entre os presentes estavam Roshy Augustine, P. Rajeeve, K. J. Maxi, K. V. Thomas e o bispo Antony Kattipparambil, de acordo com a reportagem original.
Inauguração e início das obras não ocorreram no mesmo momento
Embora a segunda fase tenha sido anunciada em março de 2026, reportagem publicada em maio pelo Onmanorama informou que os trabalhos ainda aguardavam etapas administrativas.
Entre os pontos pendentes estavam sanção técnica e formalização contratual.
A execução havia sido atribuída à Uralungal Labour Contract Cooperative Society, mas o início efetivo dependia da conclusão desses procedimentos.
A informação é relevante porque diferencia a inauguração política da etapa e o começo material das obras no litoral.
Para moradores de áreas ainda sem proteção, o cronograma tem efeito direto sobre a rotina local.
A chegada das monções costuma aumentar a preocupação com ondas fortes, erosão e danos a imóveis próximos à costa.
Grupos comunitários também pediram a ampliação da muralha para outros trechos de Chellanam e regiões vizinhas.
Segundo essas reivindicações, a proteção parcial pode reduzir os impactos em uma área, mas deixar comunidades próximas sujeitas aos mesmos riscos.
O que a ciência aponta sobre a erosão costeira na Índia
A situação de Chellanam faz parte de um quadro mais amplo observado no litoral indiano.
Em resposta ao Parlamento, o Ministério de Ciências da Terra da Índia informou que 34% da costa do país era vulnerável à erosão, com base em avaliação do período entre 1990 e 2018.
O mesmo comunicado apontou fatores naturais e humanos associados às mudanças na linha de costa.
Entre eles aparecem tempestades, elevação do nível do mar, variações nos sedimentos, construção de portos, mineração em praias e barragens em rios.
Nesse contexto, obras como a de Chellanam entram no conjunto de medidas de adaptação costeira adotadas por governos em áreas habitadas.
A função dessas estruturas é reduzir danos em pontos específicos, enquanto técnicos acompanham a evolução da erosão e a resposta da linha costeira ao longo do tempo.
Especialistas em gestão costeira costumam apontar que barreiras físicas exigem monitoramento contínuo, manutenção e análise dos efeitos em áreas próximas.
Isso ocorre porque a alteração de um trecho do litoral pode modificar a dinâmica das ondas e dos sedimentos em regiões vizinhas, a depender das características locais.
Em Chellanam, a proteção construída na primeira fase passou a ser observada como referência para novas decisões sobre engenharia costeira em Kerala.
A próxima etapa do projeto deve indicar se a combinação entre tetrapodes, pedra, quebra-mares e passarela conseguirá reduzir os danos nos trechos ainda expostos.

-
2 pessoas reagiram a isso.