Sensação térmica de 58°C no Rio, operários desmaiando em canteiros e empresas que ignoram o problema. A Inuteq, empresa que segundo seu próprio site se posiciona como líder mundial em resfriamento pessoal, desenvolveu um colete que, conforme especificações técnicas divulgadas pela companhia, pesa entre 650 e 800 gramas ativado e mantém o resfriamento por até 8 horas seguidas
O calor nos canteiros de obra não é desconforto, é risco de morte. Enquanto governos debatem normas e empregadores ignoram denúncias, uma empresa dos Países Baixos desenvolveu uma solução que pode ser vestida, ativada em um minuto e usada por um turno inteiro de trabalho: o colete de resfriamento evaporativo da Inuteq, hoje referência global em proteção térmica para trabalhadores.
O calor matando trabalhadores: os números que o Brasil não pode ignorar

Segundo a Central Sindical Brasileira (CSB), com base em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mais de 2,41 bilhões de trabalhadores no mundo estão expostos ao risco do calor excessivo. O resultado direto é uma tragédia silenciosa: 22,9 milhões de lesões ocupacionais e quase 19 mil mortes por ano em todo o planeta
A construção civil está no centro dessa crise. Em 2023, segundo levantamento publicado pela Central Sindical Brasileira (CSB), cinco operários da construção civil morreram em apenas uma semana na Europa pela exposição às altas temperaturas. No Brasil, conforme dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), a construção civil é o segundo setor com maior número de mortes por acidentes de trabalho no país.
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As denúncias no Brasil explodiram, e as empresas ainda ignoram
De acordo com dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), as queixas formais relacionadas ao calor extremo no ambiente de trabalho cresceram quase cinco vezes entre 2022 e 2024, passando de 154 para 741 denúncias. Só nos primeiros dois meses de 2025, já eram 194 novos registros.
Os trabalhadores relatam exaustão, perda de concentração e desmaios. A maioria das empresas ainda não adotou nenhuma medida concreta para combater os efeitos do calor nos canteiros, e a queixa mais comum continua sendo a falta de água fresca e de áreas sombreadas.
O cenário climático agrava tudo. O sistema Alerta Rio, conforme divulgado pela agência AFP, registrou sensação térmica de 58,5°C no Rio de Janeiro em onda de calor recente, o maior índice desde o início das medições em 2014. Para quem trabalha exposto ao sol, esse número não é estatística, é realidade diária.
A solução que chegou da Holanda: tecnologia vestível contra o calor

A Inuteq, empresa holandesa com sede em Deventer, Países Baixos, é hoje, segundo informações oficiais da própria companhia, a líder mundial no desenvolvimento de soluções de resfriamento pessoal. A empresa fabrica coletes, camisetas, acessórios e capacetes com diferentes tecnologias de resfriamento, utilizados da construção civil à Fórmula 1.
O carro-chefe para ambientes industriais é o sistema INUTEQ-H2O®. Conforme especificações técnicas divulgadas pela Inuteq, o colete combina três camadas de tecido especializado para distribuição de água, evaporação controlada e total secura no contato com a pele. O resultado, segundo a empresa: redução de até 15°C na temperatura percebida em relação ao ar circundante, com efeito mantido por 2 a 8 horas seguidas dependendo da temperatura e umidade do ambiente. Mesmo totalmente ativado, o equipamento pesa entre 650 e 800 gramas.
Como funciona na prática: um minuto de ativação para um turno inteiro
A ativação é direta. O trabalhador mergulha o colete em água por até 2 minutos, retira o excesso e veste. O processo físico de evaporação começa a retirar calor do corpo imediatamente, sem necessidade de energia elétrica, gel ou produto químico.
Para ambientes com exposição extrema, a linha Bodycool 2BSafe é certificada pela norma ISO 20471 Classe 2 e ANSI Classe 2, padrões internacionais de segurança para roupas de trabalho com alta visibilidade, segundo a Inuteq. Já o modelo Bodycool Smart-X, que utiliza uma tecnologia diferente chamada INUTEQ-DRY®, estende o efeito de resfriamento para até 3 dias consecutivos sem nova ativação, conforme especificações técnicas divulgadas pela própria empresa, dependendo das condições climáticas do ambiente
Da obra ao cockpit da F1: a mesma tecnologia em dois extremos
A prova de que a tecnologia funciona nos ambientes mais hostis do planeta veio da Fórmula 1. Em parceria com a Adidas, conforme comunicado oficial da marca esportiva, a Inuteq desenvolveu o sistema CLIMACOOL para pilotos como George Russell e Kimi Antonelli, cujos cockpits atingem 55 a 60°C durante uma corrida. Segundo testes de laboratório divulgados pela Adidas, o conjunto cria quase o dobro do impacto sobre a temperatura corporal em comparação ao uso de apenas um colete convencional.
A mesma tecnologia que protege pilotos de elite pode proteger o operário que está no topo da laje às 13h, sob sol direto, sem sombra e sem desculpas.


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