1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Imagens de satélite expõem, nas montanhas da China em Sichuan, a reativação nuclear em Zitong e Pingtong, com novos bunkers, rampas, canos de risco extremo e uma chaminé de 360 pés, enquanto os últimos freios globais desaparecem e o arsenal mira 2030
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Imagens de satélite expõem, nas montanhas da China em Sichuan, a reativação nuclear em Zitong e Pingtong, com novos bunkers, rampas, canos de risco extremo e uma chaminé de 360 pés, enquanto os últimos freios globais desaparecem e o arsenal mira 2030

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 16/02/2026 às 13:58
Atualizado em 16/02/2026 às 14:01
Nas montanhas da China, em Sichuan, obras em Zitong e Pingtong aparecem em imagens de satélite e colocam Xi Jinping no centro de um renascimento nuclear, com tratados em erosão e estimativas de ogivas até 2030.
Nas montanhas da China, em Sichuan, obras em Zitong e Pingtong aparecem em imagens de satélite e colocam Xi Jinping no centro de um renascimento nuclear, com tratados em erosão e estimativas de ogivas até 2030.
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo

Imagens de satélite apontam obras discretas nas montanhas da China, em Sichuan, onde estruturas com tubulações, rampas de terra e perímetros reforçados sugerem etapas do ciclo nuclear. Analistas veem aceleração desde 2019, num momento em que os freios internacionais enfraquecem e Washington cobra incluir Pequim em acordos futuros de armas

Em vales úmidos e cobertos por neblina nas montanhas da China, imagens de satélite mostram instalações nucleares em expansão na província de Sichuan, em especial nas áreas conhecidas como Zitong e Pingtong. O que aparece no terreno é novo, mas a lógica é antiga, com infraestrutura enterrada, perímetros reforçados e trabalho em silêncio.

A leitura, porém, está longe de ser consensual. Especialistas dizem que as mudanças podem indicar uma ampliação acelerada do arsenal, mas também admitem que a imagem sozinha tem limites e pode refletir upgrades de segurança. A dúvida central é se a escala observada em Sichuan muda o cálculo estratégico até 2030.

Zitong e o desenho de testes que não aparecem no horizonte

Nas montanhas da China, em Sichuan, obras em Zitong e Pingtong aparecem em imagens de satélite e colocam Xi Jinping no centro de um renascimento nuclear, com tratados em erosão e estimativas de ogivas até 2030.

No vale conhecido como Zitong, em Sichuan, engenheiros vêm erguendo novos bunkers e rampas de terra, em um complexo que chama atenção pela aparência de fortificação.

Um conjunto recente “se arma” com tubulações visíveis, um sinal associado ao manuseio de materiais altamente perigosos, segundo a leitura apresentada por especialistas que acompanham as transformações do local.

Além das áreas fortificadas, há um recorte geométrico que dá pista sobre a escala do investimento, uma área oval descrita como tendo aproximadamente o tamanho de 10 quadras de basquete.

Bunkers e taludes sugerem espaços para ensaios com explosivos de alta potência, a camada química que detona para comprimir o núcleo e viabilizar a reação em cadeia.

Ainda assim, como lembra o físico Hui Zhang, imagem de satélite não confirma o objetivo final, apenas revela expansão e obras ativas.

Pingtong, a chaminé de 360 pés e o recado de Xi Jinping

Nas montanhas da China, em Sichuan, obras em Zitong e Pingtong aparecem em imagens de satélite e colocam Xi Jinping no centro de um renascimento nuclear, com tratados em erosão e estimativas de ogivas até 2030.

Em outro vale de Sichuan, uma instalação cercada por dupla grade, conhecida como Pingtong, aparece como peça-chave no quebra-cabeça. Especialistas acreditam que ali podem ser produzidos “pits”, os núcleos metálicos de ogivas, geralmente contendo plutônio.

O prédio principal é marcado por uma chaminé de ventilação de 360 pés, além de novas aberturas, dispersores de calor e novas obras em torno do edifício.

O complexo de Pingtong também foi descrito como tendo passado por reformas nos últimos anos e por novas intervenções visíveis, como equipamentos de tratamento de ar e unidades de troca de calor.

Acima da entrada, um slogan de Xi Jinping teria sido aplicado em caracteres gigantes, visíveis do espaço, segundo a descrição associada ao levantamento.

O mesmo recorte de imagens sugere uma nova área cercada depois de 2023 e um portão de segurança em construção.

O gesto mistura política e engenharia, e Renny Babiarz compara cada sítio nuclear a uma peça de mosaico que, vista no conjunto, revela um padrão de crescimento rápido, com aceleração descrita a partir de 2019.

O que muda quando os guardrails desaparecem e ninguém quer se prender

A expansão nas montanhas da China complica o esforço de retomar controles globais de armas após a expiração do último tratado nuclear remanescente entre Estados Unidos e Rússia.

Washington sustenta que qualquer acordo sucessor precisa incluir a China, mas Pequim tem mostrado desinteresse em se vincular a novos limites, ampliando a sensação de vazio regulatório.

Nesse contexto, Sichuan deixa de ser apenas geografia e vira sinal. Armas nucleares são tratadas como parte integral da ambição de superpotência, como avaliou Babiarz ao relacionar as obras a objetivos mais amplos.

Para Michael S. Chase, que hoje atua na RAND, o objetivo chinês seria reduzir a vulnerabilidade a coerção nuclear dos Estados Unidos, algo que poderia pesar em uma crise envolvendo Taiwan mesmo em um conflito convencional.

Quantas ogivas, que tipo de teste e por que o debate virou público

Os números mais citados vêm de estimativas do Pentágono, a China teria mais de 600 ogivas ao final de 2024 e estaria no caminho para chegar a 1.000 ogivas até 2030.

É um estoque menor do que os milhares mantidos por Estados Unidos e Rússia, mas, para analistas como Matthew Sharp, o ritmo e a modernização ainda são motivo de preocupação, especialmente quando não existe diálogo robusto para reduzir interpretações extremas.

O debate também ganhou calor com uma acusação pública de Thomas G. DiNanno, do Departamento de Estado, que disse neste mês que a China conduziu “testes explosivos nucleares” em segredo, contrariando uma moratória global.

Pequim rejeitou a alegação como falsa, e especialistas discutem quão robusta é a evidência. Sem conversa contínua, cresce a tendência de planejar pelo pior cenário, porque é difícil separar, de fora, modernização técnica de mudança de comportamento em crise.

A herança do Terceiro Front e o salto após 2019 em Sichuan

As instalações de Sichuan não surgiram agora. Elas foram construídas seis décadas atrás como parte do “Third Front”, iniciativa de Mao Zedong para proteger laboratórios e plantas de produção de armas de possíveis ataques dos Estados Unidos ou da então União Soviética.

Dezenas de milhares de cientistas, engenheiros e trabalhadores teriam escavado o interior montanhoso, criando o que Danny B. Stillman descreveu como “um império nuclear interior”.

Quando as tensões com Washington e Moscou diminuíram nos anos 1980, muitos complexos do Third Front fecharam ou encolheram, e cientistas migraram para um laboratório de armas na cidade próxima de Mianyang. Zitong e Pingtong continuaram operando, mas por anos as mudanças foram pontuais, compatíveis com uma política de arsenal relativamente pequeno, segundo Babiarz.

Esse período de contenção começou a se desfazer há cerca de sete anos, e a aceleração no terreno teria ficado mais nítida a partir de 2019.

A nova fase inclui, em Mianyang, um grande laboratório de ignição por laser que, segundo a descrição, pode ser usado para estudar ogivas sem detonar armas reais.

Para Zhang, parte das obras em Zitong pode também refletir necessidades de segurança e de adaptação de desenhos de ogivas para novos sistemas, como mísseis lançados de submarinos. A evidência disponível não fecha o diagnóstico, mas aponta uma curva de investimento difícil de ignorar.

A história nas montanhas da China, em Sichuan, não é só sobre concreto novo em Zitong e Pingtong. Ela fala de como imagens de satélite, estimativas de ogivas e símbolos políticos de Xi Jinping se encaixam num momento em que tratados expiram e a confiança entre potências diminui.

O resultado pode ser uma corrida silenciosa, com pouca margem para erro em crises.

Se você tivesse de escolher um ponto de atenção imediato, qual pesaria mais, a falta de acordos que incluam Pequim, a leitura incerta de imagens de satélite, ou a possibilidade de modernização mudar o comportamento em um impasse sobre Taiwan? Que tipo de transparência você consideraria aceitável em um tema tão sensível?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x