Com diâmetro de cerca de um quinto de polegada, tubos de alumínio da University of Rochester recebem microcavidades químicas que travam bolhas de ar por superhidrofobicidade, resistem a água salgada e algas, flutuam mesmo perfurados e podem ser empilhados em balsas para energia das ondas no mar em testes numéricos
Em fevereiro de 2026, pesquisadores da University of Rochester apresentaram um caminho para tornar tubos de alumínio praticamente “insubmersíveis”, mesmo quando sofrem furos e danos. A aposta é simples na teoria e exigente na execução: prender bolhas de ar dentro dos tubos de alumínio usando superhidrofobicidade, com resultados descritos em um estudo publicado no mês anterior no periódico Advanced Functional Materials.
O grupo liderado por Chunlei Guo descreveu que a estrutura pode ser montada em conjuntos maiores para formar balsas, plataformas e dispositivos voltados a energia das ondas, explorando um recurso oceânico ainda pouco aproveitado. A mesma demonstração, porém, deixa uma pergunta técnica aberta: fora do laboratório, as bolhas de ar vão continuar travadas do mesmo jeito?
A física que faz metal flutuar quando o ar fica preso

Alumínio é um dos metais mais leves, mas ainda assim é cerca de 2,7 vezes mais denso do que a água. Um bloco sólido vai afundar, e isso dá a medida do desafio de fazer tubos de alumínio permanecerem na superfície de forma confiável, sem depender de um casco “perfeito” que falha ao menor dano.
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Em embarcações e latas vazias, a flutuação vem do ar interno, que pesa menos do que a água deslocada.
O problema clássico aparece quando a carcaça é perfurada: a água entra, o ar sai e o objeto perde a flutuabilidade.
Nos tubos de alumínio, a estratégia é impedir que a água invada a cavidade e expulse as bolhas de ar, mesmo quando há danos localizados e repetidos.
Superhidrofobicidade como trava de bolhas de ar em microcavidades
A solução apresentada começa na superfície.
Os pesquisadores criaram, por ataque químico, microcavidades microscópicas nas paredes dos tubos de alumínio, alterando como a água interage com o material e criando pontos onde ar pode permanecer protegido.
Por tensão superficial, gotículas não conseguem preencher esses microespaços e tendem a rolar para fora quase imediatamente.
Esse comportamento é chamado de superhidrofobicidade, uma repelência extrema à água.
Na prática, a superhidrofobicidade ajuda a manter o interior seco e a segurar bolhas de ar no lugar, reduzindo corrosão interna e dificultando o crescimento de algas dentro dos tubos de alumínio, um detalhe que importa em água salgada.
O que a natureza ensinou sobre superhidrofobicidade e sobrevivência
A inspiração declarada veio de organismos que usam superfícies repelentes para manipular ar e água.
Aranhas diving bell prendem ar junto ao corpo para respirar debaixo d’água, e formigas de fogo se conectam para montar “jangadas” impermeáveis durante enchentes, usando ar aprisionado como proteção funcional.
A analogia ajuda a entender o mecanismo, mas também aponta limitações: em animais, a microestrutura é renovada e operada em escalas pequenas.
Em engenharia, reproduzir superhidrofobicidade com estabilidade exige controle de fabricação e consistência do padrão superficial em cada um dos tubos de alumínio, para que bolhas de ar não escapem em pontos frágeis quando o mar impõe abrasão e impacto.
Por que tubos de alumínio superaram discos em estabilidade
Antes de chegar aos tubos de alumínio, o mesmo grupo já havia mostrado uma estrutura flutuante com dois discos superhidrofóbicos paralelos conectados por um pino plástico.
A camada de ar entre os discos era preservada porque a superhidrofobicidade evitava a invasão de água no vão estreito, sustentando bolhas de ar entre as superfícies.
O limite apareceu quando o conjunto era inclinado e empurrado para baixo: o ar podia ser expulso. A mudança de geometria buscou robustez.
Tubos de alumínio, especialmente com uma parede divisória interna, dificultam o fluxo de água de uma extremidade à outra e reduzem a chance de empurrar a bolha para fora. De novo, o detalhe central é o mesmo: superhidrofobicidade mantendo bolhas de ar presas.
Testes com água salgada, algas e danos diretos
Para testar resiliência, os pesquisadores colocaram peso sobre os tubos de alumínio em água salgada e em água com algas em crescimento.
Como a água é repelida, o interior permaneceu seco, com menor risco de corrosão interna e sem ambiente favorável para algas se fixarem, um ponto crítico para qualquer estrutura que pretende ficar em contato constante com o oceano.
O ponto mais sensível foi a verificação sob dano mecânico: mesmo com perfurações e furos, os tubos de alumínio continuaram flutuando.
A afirmação prática do laboratório é direta: a estrutura “ainda fica boiando”. O salto agora é de duração, porque o mar não testa por minutos, e sim por semanas e meses, com variação térmica e cargas repetidas.
Energia das ondas e o argumento de escala para plataformas no oceano
Os tubos de alumínio são estreitos, com diâmetro aproximado de um quinto de polegada, mas podem ser empilhados e soldados em conjuntos, formando “rafts” e estruturas maiores.
A proposta é transformar módulos simples em superfícies capazes de sustentar equipamentos e, potencialmente, coletar energia das ondas a partir das ondulações do oceano, substituindo a lógica de um único casco por muitas unidades redundantes.
A equipe também mencionou análise numérica indicando que empilhar algumas camadas de tubos de alumínio poderia produzir uma estrutura capaz de sobreviver às piores condições oceânicas.
O argumento é que a flutuabilidade não depende de um casco único e perfeito, e sim de muitas cavidades com bolhas de ar travadas por superhidrofobicidade, uma redundância que tolera dano localizado e ainda mantém volume de ar suficiente.
O que ainda separa o laboratório do mar aberto
Um pesquisador externo, Andreas Ostendorf, professor de tecnologia a laser aplicada na Ruhr-University Bochum, na Alemanha, avaliou a ideia como interessante e potencialmente “disruptiva”, mas apontou que ainda há trabalho a fazer para demonstrar desempenho em situações do mundo real.
A principal dúvida não é se o princípio funciona, e sim se ele escala e se mantém ao longo do tempo em ambientes agressivos.
O próprio enquadramento do projeto evita prometer “energia infinita” e desloca o foco para aplicações: plataformas flutuantes, dispositivos de energia das ondas e até usos recreativos, como uma cadeira flutuante.
Para tubos de alumínio virarem infraestrutura oceânica, a pergunta decisiva é operacional: quantas bolhas de ar permanecem presas depois de meses de abrasão, sujeira e impactos, e qual é o ponto de falha quando a superhidrofobicidade se degrada?
Da óptica ao metal funcional, o histórico por trás dos tubos
A linha de pesquisa descrita envolve décadas de tentativa e erro para alterar propriedades de materiais com padrões microscópicos na superfície.
Em 2008, Chunlei Guo e Anatoliy Y. Vorobyev usaram lasers para marcar metais de um modo que mantém sensação lisa, mas muda como a luz é absorvida e refletida, produzindo alumínio com aparência dourada e titânio em azul marinho.
Depois, o grupo explorou também o oposto da repelência, criando superfícies superhidrofílicas em silício, com canais microscópicos que atraem água e foram sugeridas como caminho para resfriar chips.
Em outra frente, o laboratório combinou metais escuros com dispositivos termoelétricos para converter calor em eletricidade, defendendo que dá para aproveitar “calor desperdiçado” em várias fontes, do sol a partes quentes de veículos.
Esse histórico ajuda a explicar por que tubos de alumínio viraram o alvo atual.
A pesquisa com tubos de alumínio sugere que superhidrofobicidade pode fazer mais do que repelir água: pode travar bolhas de ar com estabilidade suficiente para manter metal flutuando, mesmo quando perfurado.
Se a ideia sobreviver fora do laboratório, abre caminho para plataformas e módulos de energia das ondas que toleram dano e continuam operando no oceano.
Na prática, você confiaria em uma balsa feita de tubos de alumínio para sustentar equipamentos no mar, ou a dúvida sobre desgaste da superhidrofobicidade e perda de bolhas de ar seria grande demais? Se a sua cidade pudesse testar um protótipo, você colocaria em uma baía protegida ou direto em mar aberto?

O que atrapalha nosso país, e a corrupção desenfreada, desse desgoverno que está no poder.
Eu tenho uma ideia melhor ainda: e se invés de confiar o alumínio no limiar do afundamento com essa nova técnica a gente simplesmente soldar uma chave de cada lado do tudo fazendo ele boiar com muito mais eficiência hein?
Parabéns aos pesquisadores. Alguém tem que pesquisar e criar. Enquanto isso em alguns lugares é só samba e futebol. Daí o atraso tecnológico.
Flávio, samba e futebol não são inimigos da ciência não viu!? O Brasil é rico o suficiente para manter cultura, entretenimento, esporte, tecnologia e CIÊNCIA. O inimigo da ciência são os interesses capitalistas que gostam da coisa rápida e do lucro fácil e investem pesado na deseducação do povo, entende???