O maior iceberg do mundo perdeu 99% da sua massa em quatro anos: o A-23a saiu de 6.000 quilômetros quadrados em 2020 para apenas 170 quilômetros quadrados em 27 de março de 2026, segundo o Earth Observatory da NASA.
O iceberg A-23a se desprendeu da plataforma de gelo Filchner-Ronne, na Antártida, em 1986 e permaneceu ancorado no Mar de Weddell por quase 34 anos.
De acordo com o NASA Earth Observatory, o bloco começou a se mover livremente em 2020.
Conforme o programa europeu Copernicus, em janeiro de 2026 o iceberg ainda tinha 1.182 quilômetros quadrados.
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Posteriormente, em março de 2026 a área caiu para apenas 170 quilômetros quadrados.
Em outras palavras, o bloco que já foi maior que a cidade de São Paulo agora está menor que o município de Cubatão.
Por outro lado, fragmentos do A-23a continuam à deriva entre a Geórgia do Sul e a América do Sul.
A história do iceberg A-23a vai de 1986 até a desintegração final em 2026
Em agosto de 1986, o A-23a se desprendeu junto com outros dois icebergs (A-22 e A-24) da plataforma Filchner-Ronne.
Os três blocos somavam 11.500 quilômetros quadrados no momento do parto glacial.
Conforme o British Antarctic Survey, o A-23a logo encalhou no fundo do Mar de Weddell por causa do calado de 350 metros.
De acordo com glaciologistas, o bloco permaneceu imóvel até 2020, quando começou a derivar lentamente.
Em 2024, o A-23a entrou em rotação anti-horária por causa de uma coluna de Taylor.
Por isso, ficou girando no mesmo ponto entre o continente antártico e as Ilhas Órcades do Sul.
As dimensões históricas do iceberg A-23a desde o desprendimento
De acordo com o National Ice Center dos Estados Unidos, o A-23a tinha 4.000 km² quando se separou da plataforma.
Em 2020, depois de perder bordas por décadas, ainda media 4.029 km².
Conforme medições da ESA, em agosto de 2025 caiu para 3.500 km² após desprender o pedaço A-23c.
Em setembro de 2025 perdeu mais o A-23d e ficou com 2.000 km².
Em janeiro de 2026, restou 1.182 km² depois do desprendimento do A-23e.
Posteriormente, em março de 2026 o gigante chegou aos atuais 170 km².
- 1986: 4.000 km² (desprendimento da Filchner-Ronne)
- 2020: 4.029 km² (volta a derivar livre)
- Jan/2026: 1.182 km² (após perder A-23c, A-23d, A-23e)
- Mar/2026: 170 km² (queda de 99% em 4 anos)
- Calado original: 350 metros sob o nível do mar

A cor azul intensa indica que o iceberg A-23a está em desintegração final
Em janeiro de 2026, satélites do Copernicus registraram coloração azul intensa na superfície do bloco.
De acordo com os glaciologistas, isso indica acumulação de água de degelo nas depressões do topo do iceberg.
Conforme o Earth Observatory, a água azul absorve mais radiação solar e acelera o derretimento por cima.
Em primeiro lugar, esse efeito é raro em icebergs antárticos por causa do frio extremo.
Em segundo lugar, o A-23a entrou em água a 3°C, suficiente para derreter o bloco rapidamente.
Por isso, especialistas projetam dissolução completa nas próximas semanas, ainda em maio ou junho de 2026.
O impacto ecológico passa pela Geórgia do Sul e ameaça colônias de pinguins-rei
A Ilha de Geórgia do Sul abriga 450 mil pinguins-rei, a maior colônia do mundo.
Conforme o British Antarctic Survey, a aproximação do A-23a em 2025 mudou rotas de alimentação dos pinguins.
De acordo com a Royal Society, focas-leopardo e baleias-jubarte também alteraram comportamento na região.
Por outro lado, a deriva final do bloco vai liberar nutrientes para o fitoplâncton local.
Como reportou a BBC, o degelo libera ferro e silício acumulados no bloco há 40 anos.
Posteriormente, o aumento de fitoplâncton pode beneficiar krill e cadeia alimentar regional.

O encolhimento do A-23a abre rotas marítimas e altera o tráfego de petroleiros
O Mar de Weddell estava bloqueado para navegação comercial por causa do bloco há quatro anos.
De acordo com a IMO, agora 27 rotas alternativas voltaram a ser viáveis.
Em outras palavras, navios de pesquisa e cargueiros podem retomar acesso a portos chilenos e argentinos.
Conforme a Marinha do Brasil, o Programa Antártico Brasileiro (Proantar) usa a região com pesquisas a bordo do navio Almirante Maximiano.
Da mesma forma, frota da Marinha argentina e da chilena retomam exercícios na área.
Por outro lado, há quem alerte para o risco de fragmentos pequenos derivando ainda em 2026.
O acervo do CPG cobre o degelo antártico e o impacto no nível do mar
O CPG publicou recentemente sobre o degelo da Antártida e o nível dos oceanos, no acervo do site.
Posteriormente, o site publicou também análise sobre as rotas marítimas árticas e o comércio mundial, com dados da IMO.
Em outras palavras, a saga do A-23a é capítulo de uma transformação climática em larga escala.
Por outro lado, alguns cientistas argumentam que o desprendimento é parte de ciclo natural de séculos.
Próximos passos: o A-23a deve sumir completamente até julho de 2026
Em primeiro lugar, o que sobrou do bloco vai continuar derivando para o norte.
Em seguida, o calor das águas tropicais vai derreter o restante em poucas semanas.
Por fim, fragmentos abaixo de 10 km² perdem o status de iceberg gigante e param de ser rastreados.
Porém, há quem aponte que pedaços remanescentes podem chegar até o cabo da Boa Esperança antes da dissolução.
No entanto, a maior parte deve desaparecer nas próximas semanas. Ainda assim, o A-23a entra na história como o iceberg que durou 40 anos e se desfez em 99% no último ano de vida.
