Estudo publicado na Science Advances usou inteligência artificial e registros históricos de danos para apontar oito cidades costeiras dos Estados Unidos mais expostas às inundações, com destaque para Nova York, Nova Orleans e Miami, onde fatores como altitude, drenagem, urbanização intensa e densidade populacional ampliam os riscos
Nova York, Nova Orleans e Miami estão entre oito cidades costeiras dos Estados Unidos com maior risco de inundações, em áreas localizadas nas costas do Golfo do México e do Atlântico. O alerta aparece em estudo publicado na revista Science Advances, que usou inteligência artificial e registros históricos de danos para apontar onde o perigo é maior e quais fatores explicam essa vulnerabilidade.
A lista inclui Nova York, NY; Norfolk, VA; Charleston, SC; Jacksonville, FL; Miami, FL; Mobile, AL; Nova Orleans, LA; e Houston, TX. A pesquisa avaliou tanto os danos gerais causados por enchentes quanto a ameaça mais grave de danos extremos, tratando os dois cenários como riscos diferentes.
Inteligência artificial aponta cidades mais expostas às inundações
O estudo foi desenvolvido por Hemal Dey e Wanyun Shao, da Universidade do Alabama, com uma estrutura de avaliação mais ampla do que os métodos tradicionais. Em vez de observar apenas para onde a água pode avançar, a análise considerou também o ambiente, a infraestrutura local e as características da população.
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Os pesquisadores analisaram registros históricos de danos causados por enchentes e cruzaram essas informações com 16 fatores de risco. Depois, inseriram os dados em três tipos de inteligência artificial: Random Forest, Support Vector Machine e Multilayer Perceptron.
A partir desse conjunto, a estrutura identificou quais cidades enfrentam maior risco e por quais motivos. O objetivo foi diferenciar os danos gerais causados por inundações dos danos extremos, medidos pelas siglas GFD e EFD, respectivamente.
Nova York e Nova Orleans lideram a vulnerabilidade
Nova York e Nova Orleans aparecem como as cidades mais vulneráveis, mas por razões distintas. Em Nova York, o principal destaque é o volume de pessoas expostas: 4,75 milhões no cenário de danos gerais e 4,40 milhões no cenário de danos extremos.
A vulnerabilidade nova-iorquina está ligada ao desenvolvimento urbano intenso, que substituiu áreas naturais por superfícies impermeáveis, como concreto. O afundamento do solo também aumenta o risco, tornando a cidade ainda mais sensível aos impactos das inundações.
Em Nova Orleans, o problema aparece de outra forma e atinge quase toda a cidade. Quase 99% da população e da infraestrutura estão em risco nos dois cenários avaliados pela pesquisa.
A explicação principal está na posição da cidade, já que grande parte dela fica abaixo do nível do mar. Essa condição dificulta o escoamento da água por gravidade, ampliando a exposição a enchentes e danos associados.
Altitude e drenagem explicam parte do risco
A pesquisa identificou que a altitude é o principal fator de risco para inundações em geral. Áreas mais baixas acumulam água com mais facilidade, o que aumenta a probabilidade de danos quando ocorrem eventos severos.
Nos casos de danos extremos, o fator mais importante é a densidade de drenagem. Esse indicador se refere à concentração de córregos e rios em uma determinada área, o que pode influenciar a gravidade dos impactos.
A densidade populacional aparece como o terceiro fator mais relevante. A presença de muitas pessoas em uma mesma região eleva o impacto de qualquer inundação, independentemente de sua intensidade.
Risco cresce em áreas urbanas baixas e densas
Os autores apontam que o risco de inundações costeiras é maior em áreas urbanas baixas, densamente ocupadas e com alta densidade de drenagem. Esse perfil combina exposição física, infraestrutura vulnerável e grande concentração populacional.
Eventos severos de inundação têm se tornado mais comuns nos Estados Unidos, em parte pela elevação do nível do mar e pela intensificação da atividade de furacões associadas às mudanças climáticas. Além do risco à vida, esses desastres provocam bilhões de dólares em danos a propriedades e infraestrutura.
A estrutura desenvolvida pelos pesquisadores busca oferecer informações práticas para autoridades e formuladores de políticas. A proposta é ajudar no gerenciamento de inundações em outras regiões sujeitas a alagamentos, com base em uma avaliação mais integrada dos riscos.

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