Hong Kong transfere a estação de tratamento de esgoto de Sha Tin para um complexo de cavernas em Nui Po Shan, onde túneis, redes de bombeamento e estruturas subterrâneas colossais permitirão liberar uma extensa área urbana sem interromper um serviço essencial para centenas de milhares de moradores.
Hong Kong está transferindo uma das principais estruturas de saneamento de Sha Tin para um conjunto de cavernas escavadas em Nui Po Shan, no interior de uma montanha próxima ao atual complexo, onde será instalada uma nova estação subterrânea de tratamento de esgoto.
Com cerca de 14 hectares e volume interno aproximado de 2,3 milhões de metros cúbicos, o projeto foi concebido para receber instalações responsáveis pelo tratamento regional, mantendo a operação essencial sob a rocha e liberando uma extensa área atualmente ocupada na superfície.
Segundo o Departamento de Serviços de Drenagem de Hong Kong, responsável pelo empreendimento, a transferência permitirá desocupar aproximadamente 28 hectares da estação atual, espaço que poderá ser destinado à habitação e a outros usos públicos após a conclusão das etapas previstas.
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Estação subterrânea reorganiza o saneamento de Sha Tin
Mais do que abrir grandes cavidades e mover equipamentos, a intervenção reorganiza todo o percurso do esgoto, desde as estações de bombeamento de Sha Tin e Ma On Shan até o tratamento final e a descarga do efluente pela infraestrutura já existente.
Materiais técnicos divulgados pelo órgão indicam que a estação atende uma área com cerca de 700 mil moradores e possui capacidade de projeto de 340 mil metros cúbicos por dia, em uma região densamente urbanizada próxima à foz do rio Shing Mun.

No interior de Nui Po Shan, o núcleo do novo sistema será formado pelo complexo principal de cavernas, cuja área subterrânea chegará a aproximadamente 14 hectares e cujo volume total alcançará 2,3 milhões de metros cúbicos, conforme os dados oficiais do projeto.
Somente depois da conclusão das estruturas civis e das conexões necessárias, os equipamentos de tratamento serão instalados nas cavernas, seguindo uma sequência planejada para preservar a continuidade do serviço enquanto a nova unidade é preparada para substituir o complexo atual.
Túneis de acesso e ventilação atravessam a montanha
Ligado à Mui Tsz Lam Road, um túnel secundário de aproximadamente 260 metros dará acesso ao interior da montanha e apoiará a movimentação exigida durante a construção e a futura operação, sem depender exclusivamente do terreno ocupado pela estação existente.
Para manter condições adequadas dentro do ambiente subterrâneo, o projeto prevê ainda um poço de ventilação com cerca de 70 metros de profundidade e uma galeria de aproximadamente 660 metros conectando essa estrutura às cavernas principais.
Como a instalação funcionará sob a rocha, esses componentes terão papel central na circulação de ar e no controle das condições operacionais, integrando um sistema industrial que precisa funcionar de maneira contínua, segura e coordenada com as demais estruturas.
Depois do tratamento, a água seguirá por duas tubulações de descarga, cada uma com cerca de 2,2 metros de diâmetro e 320 metros de comprimento, responsáveis por ligar a futura estação subterrânea ao túnel de efluentes já existente.
Essa ligação permitirá preservar a integração com a rede usada para conduzir o material tratado para fora do complexo, evitando a necessidade de reconstruir toda a infraestrutura de descarga e aproveitando sistemas que já atendem a região.
Rede pressurizada conectará Sha Tin e Ma On Shan

Antes de chegar às cavernas, o esgoto passará por uma nova estação intermediária de bombeamento, posicionada na extremidade sudoeste da unidade atual e conectada a linhas pressurizadas que formarão a principal ligação com o complexo subterrâneo.
Ao todo, essas linhas terão aproximadamente 4,6 quilômetros de extensão e diâmetros entre 0,8 e 1,2 metro, criando uma rede capaz de conectar estações de bombeamento, o novo sistema intermediário e a entrada principal da futura planta.
Também serão modificadas seis estações que já atendem Sha Tin e Ma On Shan, entre elas a estação principal de bombeamento de Sha Tin e as unidades de A Kung Kok, Ma On Shan, Kau To Area 56A, Chinese University e Pak Shek Kok número 3.
A dimensão do empreendimento aparece não apenas no tamanho das cavernas, mas na quantidade de estruturas que precisam operar em sequência, conduzindo o esgoto desde diferentes pontos da região até o tratamento e, posteriormente, às tubulações de descarga.
Construção por etapas evitará interrupções no serviço
Para evitar interrupções no saneamento, a transferência foi dividida em etapas que incluem preparação do local, construção de acessos, escavação das cavernas, execução das redes a montante, instalação dos equipamentos e desativação gradual da estação atualmente em funcionamento.
Somente após a entrada em operação da unidade subterrânea, o complexo existente poderá ser desativado e demolido, liberando os 28 hectares na superfície sem comprometer um serviço que atende diariamente centenas de milhares de moradores.
Além das estruturas de engenharia, o escopo oficial contempla medidas de mitigação ambiental, monitoramento e auditoria, com intervenções nas entradas dos túneis, obras de contenção e ações voltadas à redução de riscos associados ao terreno natural.

Especial atenção será dada aos pontos em que os acessos encontram a encosta, áreas nas quais a estabilidade do solo e a segurança das estruturas exigem acompanhamento técnico contínuo durante as diferentes fases da construção.
Projeto bilionário deve ser concluído em 2031
Conforme o cadastro do Departamento de Serviços de Drenagem, as obras principais começaram em 5 de julho de 2021 e têm conclusão prevista para o fim de 2031, dentro de um cronograma que acompanha a complexidade das escavações e das conexões subterrâneas.
Estimado oficialmente em 14,0765 bilhões de dólares de Hong Kong, o investimento abrange cavernas, túneis, tubulações, estações de bombeamento e outras intervenções necessárias para colocar o novo sistema subterrâneo em funcionamento pleno e seguro.
Ao deslocar a estação para dentro da montanha, Hong Kong preserva a capacidade de tratamento sem manter uma instalação de grande porte sobre um terreno urbano disputado, criando espaço para novos usos somente após a retirada completa da unidade atual.
Nesse modelo, a própria rocha passa a integrar a infraestrutura da cidade, abrigando uma planta industrial conectada à rede de saneamento enquanto a superfície é reservada para atividades que dependem diretamente de áreas abertas e acessíveis.
Quantas outras metrópoles conseguiriam transferir instalações essenciais para o subsolo, manter serviços de grande capacidade em funcionamento contínuo e recuperar, ao mesmo tempo, áreas urbanas valiosas hoje ocupadas por estruturas indispensáveis ao cotidiano das cidades?
