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No coração da maior floresta urbana do Brasil, no Rio de Janeiro: homem vive sem luz, água encanada e tecnologia a poucos quilômetros da cidade

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 13/01/2026 às 11:22
Homem vive afastado da cidade dentro de casa rústica na floresta da Pedra Branca, realizando tarefas diárias com luz natural e sem uso de tecnologia.
Maurício realiza atividades cotidianas dentro de sua casa de pedra, construída na floresta da Pedra Branca, mantendo uma rotina autossuficiente e distante da vida urbana.
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No meio do Parque Estadual da Pedra Branca, Maurício mantém desde 1984 uma rotina autossuficiente, distante da vida urbana, mesmo cercado por alguns dos bairros mais populosos do Rio de Janeiro

A poucos quilômetros de regiões movimentadas como Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca, existe uma realidade que contrasta com o concreto, o trânsito e os prédios. No interior do Parque Estadual da Pedra Branca, Maurício vive afastado do convívio urbano, sem energia elétrica, sem água encanada e sem qualquer dependência de tecnologia moderna. A escolha foi feita em 1984 e, desde então, nada mudou.

Para chegar até sua casa, é necessário percorrer mais de 50 minutos de trilha íngreme, atravessando o maciço da Pedra Branca, considerado a maior floresta urbana do Brasil. Embora esteja geograficamente inserido em um dos maiores centros urbanos do país, o afastamento da cidade é completo, deliberado e mantido há 40 anos.

A rotina começa antes do sol nascer e segue o ritmo da natureza

Antes do amanhecer, Maurício já está acordado. Todos os dias começam cedo, sempre guiados pela luz natural. O banho é tomado em cachoeiras da região. A comida é preparada em fogão a lenha. Não há eletricidade, celular ou qualquer aparelho elétrico. Segundo ele, a tecnologia afasta as pessoas do presente e da própria vida.

A casa onde mora, conhecida como Casa de Pedra, foi construída por ele mesmo, com pedras retiradas da própria mata. Simples, firme e funcional, a construção reflete a forma como Maurício conduz a própria existência. Documentos pessoais ficam guardados de maneira básica, protegidos do ambiente natural.

Mesmo afirmando ter nascido em 1958, Maurício relata divergências em seus registros oficiais. Ainda assim, a vitalidade chama atenção. Sem conforto urbano ou apoio tecnológico, ele realiza tarefas diárias pesadas com tranquilidade e constância.

Trabalho manual garante o sustento diário

O sustento vem do cultivo de mandioca e da venda de frutas, principalmente banana e jaca. Os caixotes são carregados nas costas durante longas caminhadas pela trilha. Apesar do peso, Maurício afirma que o esforço não o cansa. Para ele, o ritmo é natural.

Não há outra fonte de renda. A terra pertenceu à sua mãe e hoje está ligada aos irmãos. Mesmo assim, Maurício optou por permanecer ali, mantendo uma relação direta com o solo e com o que ele produz.

Relações humanas existem, mas seguem critérios próprios

Apesar da vida afastada da cidade, Maurício não está totalmente desconectado do mundo. Ele mantém contato com irmãos e com amigos antigos, como Sérgio, produtor cultural e morador de Vargem Grande, que o conhece desde 1984. Fora isso, o convívio mais frequente acontece com plantas e animais, especialmente cães e gatos.

Maurício afirma já ter ouvido falar de Neymar e de Gusttavo Lima, embora não acompanhe futebol ou música. Ele prefere não saber da vida alheia e evita informações que não façam parte do seu cotidiano.

A noite na floresta representa tranquilidade, não medo

Quando o dia termina, Maurício prepara a lenha, abastece o forno e organiza o espaço. Em seguida, observa a lua surgir sobre a mata. Segundo ele, a noite traz calma e contemplação. Para Maurício, quem teme a escuridão não conseguiria viver dessa forma.

Sua história chama atenção justamente por contrariar a lógica urbana e tecnológica. Mesmo cercado por milhões de pessoas, Maurício demonstra que ainda é possível viver em completo afastamento da cidade, por escolha própria.
Até que ponto viver longe do convívio urbano representa renúncia e em que momento essa decisão passa a significar liberdade?

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Caio Aviz

Escrevo sobre o mercado offshore, petróleo e gás, vagas de emprego, energias renováveis, mineração, economia, inovação e curiosidades, tecnologia, geopolítica, governo, entre outros temas. Buscando sempre atualizações diárias e assuntos relevantes, exponho um conteúdo rico, considerável e significativo. Para sugestões de pauta e feedbacks, faça contato no e-mail: avizzcaio12@gmail.com.

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