Longe da cidade e do ritmo urbano, um morador de Franca construiu uma rotina baseada em água de nascente, horta própria e silêncio, mantendo um modo de vida cada vez mais raro no interior paulista
O dia ainda nem clareou quando seu Ênio já está de pé. Sem despertador, sem relógio digital e sem qualquer conexão com o mundo exterior, a rotina começa cedo no interior de Franca, em São Paulo, a cerca de 400 quilômetros dos grandes centros urbanos. Há décadas, ele vive afastado da vida urbana, sem eletricidade, sem internet e sem geladeira, sustentado apenas pelo que planta, cria e coleta da própria terra.
A chegada até sua casa exige horas de deslocamento por rodovias, estradas de terra, áreas de colheita de cana e trechos alagados. Em dias de chuva intensa, como o registrado durante a visita, o acesso se torna ainda mais difícil, obrigando os visitantes a deixarem os carros e seguirem a pé. A distância geográfica reflete exatamente o estilo de vida que ele escolheu levar.
A informação foi registrada durante visita presencial e gravação em campo, realizada após aproximadamente seis horas de viagem, sob chuva forte e ventania, conforme relato dos próprios envolvidos.
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Uma casa simples, dois cômodos e nenhuma tomada na parede
A moradia de seu Ênio é pequena e funcional. Construída em blocos, com ajuda de familiares, possui apenas dois cômodos: um quarto e uma cozinha. Não há eletricidade, portanto a iluminação vem de uma lamparina a gás, que substituiu a antiga lamparina de querosene por praticidade.
Sem geladeira, a organização dos alimentos segue métodos tradicionais. Carnes são fritas e conservadas na própria gordura, enquanto ovos, raízes e legumes são consumidos conforme a produção diária. Tudo é pensado para funcionar sem energia elétrica.
No quarto, poucos móveis, roupas simples e um item que organiza o tempo: um calendário físico, usado para marcar os dias. Foi assim que ele confirmou sua idade e data de nascimento: 1º de maio de 1945.
Água de nascente, banho ao ar livre e fogão a lenha
A água utilizada no dia a dia vem de uma nascente natural, captada por mangueira e direcionada a uma caixa d’água. Segundo o morador, nunca faltou água, mesmo em períodos mais críticos. Em dias de chuva, a vazão aumenta, garantindo o abastecimento.
O banho acontece do lado de fora da casa. A água é aquecida no fogão a lenha e usada em um sistema simples, integrado ao ambiente natural. Para ele, o banho ao ar livre é suficiente, funcional e confortável.
Horta, criação de animais e rotina repetida todos os dias
Grande parte do terreno abriga uma horta extensa, cercada para impedir a entrada dos animais. Nesse espaço, seu Ênio cultiva feijão, mandioca, batata-doce, banana, pimenta e outros alimentos, em quantidade suficiente para o próprio consumo. Segundo ele, a produção frequentemente supera a necessidade diária.
Além disso, ele cria galinhas, cachorros, gatos e patos, que integram sua rotina. Ele divide o dia entre cuidar dos animais, organizar o espaço e trabalhar na horta. Não segue horários rígidos, apenas mantém repetição e constância.
Uma escolha consciente e uma vida longe do barulho
De tempos em tempos, geralmente a cada quinze dias, ele vai até a cidade para resolver questões pontuais. Ele mantém contato com irmãos e familiares, mas prefere viver afastado do convívio urbano. Segundo o próprio relato, ele tomou essa decisão para não incomodar ninguém e preservar a tranquilidade.
Apesar da idade avançada, ele afirma manter boa saúde e raramente adoecer. Para ele, viver longe dos centros urbanos não representa solidão, mas sim equilíbrio. Enquanto o mundo acelera do lado de fora, seu Ênio sustenta uma vida estável, silenciosa e autossuficiente.
Até que ponto viver distante da sociedade representa uma renúncia e em que momento essa escolha se transforma na forma mais plena de existir para quem encontrou paz longe da cidade?

Esses dias eu vi umaxreoortagem De um homem que vive também isolado de tudo, morando dentro de uma cratera,: também comvuma casa simples de tijoloscou pedra… Só que é na China! Ele viveu desde que nasceu na época com sua família! HOJE ele é o único sobrevivente !!!
Olá, tudo isso aí da maneira como ele vive é verdade, só a localização dele que está errada pois fica no município de Patrocínio Paulista a cidade mais silenciosa do Brasil, e para chegar lá são apenas 600metros de estrada de terra, acho que você fantasiou um pouco ou se perdeu pelo caminho, talvez tenha fumado o cigarro do Zeca-urubu.