Descoberta de milhares de moedas romanas no País de Gales pode se tornar a maior já registrada no país e mobiliza especialistas.
David Moss, um detectorista de metais de 36 anos, encontrou no País de Gales um tesouro com cerca de 10 mil a 15 mil moedas romanas de prata, descoberta que especialistas consideram uma das mais importantes já registradas no país. O material, localizado em setembro de 2025 segundo o Wales Online, está sendo analisado pelo Museu Nacional de Cardiff e pode representar o maior conjunto de moedas romanas já encontrado na história local.
A relevância da descoberta vai além da quantidade de objetos encontrados. De acordo com especialistas envolvidos na análise, o volume de moedas pode superar marcas históricas registradas anteriormente no território galês. O maior tesouro romano localizado anteriormente no País de Gales continha aproximadamente 10 mil moedas e foi encontrado próximo a Chepstow durante a década de 1990.
A quantidade de moedas chama atenção dos especialistas
As primeiras avaliações apontam que o tesouro reúne denários romanos e moedas radiadas revestidas de prata. Todo o material estava armazenado em vasos de barro, encontrado a cerca de meio metro de profundidade.
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Diante dos números iniciais, especialistas acreditam que o novo conjunto possa assumir a posição de maior descoberta do tipo já realizada em território galês. Anthony Halse, presidente da Sociedade Numismática do Sul do País de Gales e Monmouthshire, avalia que o conteúdo encontrado pode representar a fortuna acumulada por uma única pessoa.
“Eu teria pensado que se tratava da riqueza de uma pessoa, que poderia estar em alguma seção do exército”, afirmou.
Como funciona a legislação para tesouros históricos
Achados arqueológicos dessa natureza seguem procedimentos rigorosos previstos pela legislação britânica.
Segundo a Lei do Tesouro de 1996, qualquer descoberta que possa se enquadrar como tesouro deve ser comunicada às autoridades responsáveis em até 14 dias após sua identificação ou após o reconhecimento de sua importância potencial.

Entre os critérios previstos pela norma estão:
- Objetos com pelo menos 300 anos de existência;
- Itens que possuam 10% ou mais de metal precioso;
- Conjuntos formados por duas ou mais moedas antigas que atendam às exigências legais.
Após a comunicação oficial, especialistas realizam exames técnicos para determinar a relevância histórica do material. Em seguida, um inquérito conduzido por um legista define se a descoberta recebe oficialmente a classificação de tesouro.
Caso isso aconteça, o Comitê de Avaliação de Tesouros estabelece um valor de mercado para o conjunto encontrado. A eventual recompensa financeira é dividida entre quem realizou a descoberta e o proprietário da área onde os objetos estavam enterrados.
Cuidados são essenciais ao encontrar moedas antigas
Autoridades e pesquisadores reforçam que qualquer intervenção inadequada pode comprometer informações históricas valiosas.
Por esse motivo, a orientação é evitar a limpeza ou alteração de peças antigas logo após a descoberta. O procedimento recomendado consiste em registrar cuidadosamente o local do achado e comunicar imediatamente os órgãos competentes.
A importância desse protocolo ganhou destaque em um caso ocorrido em 2015. Na ocasião, o galês Layton Davies foi preso após esconder a descoberta de moedas vikings avaliadas em cerca de £3 milhões em Herefordshire.
Segundo as autoridades, ele deixou de comunicar o achado e tentou negociar os itens de forma privada. O episódio passou a ser frequentemente citado como exemplo das consequências previstas para quem ignora as regras relacionadas ao patrimônio histórico.
A trajetória do homem que encontrou as moedas
O responsável pela descoberta é David Moss, de 36 anos, praticante de detecção de metais há quase uma década. Sua ligação com esse hobby já havia rendido resultados importantes anteriormente.
Em 2018, ele encontrou seu primeiro tesouro composto por moedas romanas, experiência que ampliou seu interesse pelas buscas arqueológicas. Entretanto, nada o preparou para a dimensão do material encontrado recentemente.
O achado ocorreu em setembro, durante uma saída realizada por David ao lado do amigo Ian Nicholson em uma área rural cujo local exato não foi divulgado. As condições climáticas dificultavam o trabalho e os dois chegaram a considerar encerrar as buscas.
Pouco antes da decisão final, porém, um grande arco-íris apareceu no horizonte. “Parecia mesmo um sinal”, relembrou David. A dupla decidiu permanecer no local por mais algum tempo e acabou identificando indícios que levaram à descoberta do vaso enterrado.
Seguindo orientações especializadas, os dois participaram de uma escavação cuidadosa que durou cerca de seis horas para retirar o recipiente sem provocar danos ao conteúdo.
O fim de semana dedicado à proteção do tesouro
Como a descoberta ocorreu em uma sexta-feira e os especialistas só poderiam assumir os trabalhos na segunda-feira seguinte, surgiu uma preocupação adicional: garantir a segurança do material até a chegada das equipes responsáveis.
Para evitar qualquer risco, David permaneceu nas proximidades da área durante todo o fim de semana, dormindo dentro do próprio carro enquanto aguardava o início dos procedimentos oficiais. Posteriormente, as moedas foram encaminhadas ao Museu Nacional de Cardiff para conservação e estudo.

Mesmo diante da repercussão gerada pelo achado, David afirma enxergar a experiência principalmente como uma contribuição para a preservação da história local. “É algo que nunca esquecerei”, declarou. “Pensar que essas moedas ficaram enterradas por quase dois mil anos — é simplesmente incrível.”
