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Engenheiros instalam em Somerset o segundo reator nuclear de Hinkley Point C que vai entregar 3.260 megawatts pelas próximas seis décadas

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 14/05/2026 às 17:30 Atualizado em 14/05/2026 às 17:32
Hinkley Point C em construção na Inglaterra
Hinkley Point C em construção na Inglaterra (representação artística).
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A EDF Energy recebeu em 12 de janeiro o segundo vaso de pressão do reator que será soldado em Hinkley Point C, primeira usina nuclear de terceira geração do Reino Unido, com 3.260 megawatts de capacidade total e custo já recalculado para £ 35 bilhões em preços de 2015 ou cerca de £ 48 bilhões na conversão de 2026.

A usina Hinkley Point C está em construção em Somerset, no sudoeste da Inglaterra, ao lado de uma usina nuclear desativada.

De acordo com a EDF Energy, a entrega da primeira unidade foi adiada para 2030.

Conforme a EDF, o atraso vem de problemas em equipamentos eletromecânicos identificados em fevereiro de 2026.

Em comparação, o plano inicial previa início de operação em 2025.

Por isso, o orçamento subiu de £ 18 bilhões (em valores originais) para os atuais £ 35 bilhões.

Posteriormente, em janeiro de 2026, a empresa anunciou recebimento do segundo reactor pressure vessel da unidade 2.

A usina Hinkley Point C vai gerar 3.260 megawatts em duas unidades EPR

Cada unidade EPR (European Pressurised Reactor) tem capacidade de 1.630 megawatts.

De acordo com a EDF, juntas as duas unidades vão abastecer 6 milhões de lares britânicos.

Conforme dados oficiais, o gerador a vapor pesa 500 toneladas e tem 25 metros de altura.

Em primeiro lugar, a tecnologia EPR é a mesma usada na unidade Olkiluoto 3, na Finlândia, em operação desde 2023.

Em segundo lugar, o EPR de Hinkley vai operar por 60 anos sem manutenção pesada.

Por isso, a usina representa cerca de 7% da demanda elétrica britânica em horário de pico.

A usina Hinkley Point C recebeu segundo vaso de pressão do reator em janeiro de 2026
Vaso de pressão do reator EPR sendo posicionado em Hinkley Point C (representação artística).

O custo da usina Hinkley Point C subiu para £ 35 bilhões em preços de 2015

De acordo com a EDF, o custo total final é estimado em £ 35 bilhões em preços de 2015.

Em comparação, o custo ajustado pela inflação chega a £ 48 bilhões em 2026.

Conforme analistas, a Hinkley Point C ficou 12 vezes mais cara que a média global por megawatt instalado.

Em outras palavras, cada megawatt britânico custa 1,1 bilhão de libras.

Por outro lado, o governo britânico garante preço fixo de £ 92,50/MWh durante 35 anos.

Como reportou o E&T Magazine, a tarifa garantida é mais alta que a média europeia.

Enquanto Angra 3 segue parada no Brasil, Hinkley Point C avança

De acordo com a Eletronuclear, Angra 3 está com 65% de obras concluídas.

Em comparação direta, Hinkley Point C tem 78% da unidade 1 pronta após 9 anos.

Conforme o Ministério de Minas e Energia, Angra 3 deve operar comercialmente em 2031.

Em outras palavras, a usina brasileira começou em 1984 e segue inconclusa após 42 anos.

Por isso, o Brasil tem 1.405 megawatts em Angra 1 e 2 mais 1.405 previstos em Angra 3.

Da mesma forma, o Plano Decenal de Energia 2034 prevê 4 a 8 novas usinas nucleares no país.

  • Localização: Somerset, Inglaterra
  • Tecnologia: 2 reatores EPR de 1.630 MW cada
  • Capacidade total: 3.260 MW (7% da demanda britânica)
  • Custo: £ 35 bilhões (preços 2015) / £ 48 bilhões (2026)
  • Tarifa garantida: £ 92,50/MWh por 35 anos
  • Operação: 60 anos sem manutenção pesada
  • Entrega unidade 1: 2030
A usina Hinkley Point C tem 78% da unidade 1 concluída em maio de 2026
Vista aérea do canteiro de obras de Hinkley Point C no Canal de Bristol (representação artística).

A usina Hinkley Point C ocupa 174 hectares e emprega 12 mil trabalhadores

De acordo com o Office for National Statistics, o canteiro de Hinkley Point C ocupa 174 hectares.

Conforme a EDF, 12 mil trabalhadores estão alocados no projeto em pico de obra.

Em primeiro lugar, 4 milhões de toneladas de concreto foram usadas até maio de 2026.

Em segundo lugar, 230 mil toneladas de aço estrutural foram empregadas no canteiro.

Posteriormente, 60% dos contratos foram destinados a empresas britânicas.

Como reportou a BBC, 25 mil aprendizes técnicos formados no projeto entraram no mercado.

A usina Hinkley Point C tem participação chinesa da CGN em 33,5%

A China General Nuclear Power Corporation (CGN) detém 33,5% do projeto.

Em comparação, a EDF francesa controla os 66,5% restantes.

De acordo com o acordo de 2016, a CGN também receberia parte da próxima usina Sizewell C.

Em 2022, o governo britânico anunciou intenção de comprar a parte chinesa em Sizewell C por motivos de segurança nacional.

Por outro lado, a CGN segue ativa em Hinkley sem mudanças contratuais.

Conforme a IAEA, a operação de Hinkley vai prosseguir mesmo se houver mudança política em 2030.

A usina Hinkley Point C vai gerar 3.260 megawatts em duas unidades EPR
Sala de controle nuclear projetada para a unidade 1 de Hinkley Point C (representação artística).

O acervo do CPG cobre energia nuclear e o futuro da matriz energética

O CPG publicou recentemente sobre Angra 3 e a energia nuclear brasileira, no acervo do site.

Posteriormente, o site publicou também análise da energia nuclear na Europa, com dados da IEA.

Em outras palavras, a usina Hinkley Point C é referência para o setor nuclear ocidental.

Por outro lado, há quem aponte que o modelo EPR ficou caro demais para escalar globalmente.

Próximos passos: combustível chega em 2028 e entrega em 2030

Em primeiro lugar, a EDF vai soldar o reator atual entre julho de 2026 e dezembro de 2027.

Em seguida, o carregamento de combustível nuclear acontece em 2028.

Por fim, a sincronização com a rede elétrica britânica está marcada para 2030.

Porém, há quem alerte para risco de mais atrasos em equipamentos eletromecânicos.

No entanto, a EDF garante que o cronograma 2030 está mantido. Ainda assim, a Hinkley Point C virou símbolo das dificuldades da construção nuclear no Ocidente.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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