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Havia 6 vezes mais cabras do que pessoas na ilha, então o prefeito precisou fazer algo: colocou-ás para adoção, houve explosão de pedidos e virou um novo problema

Publicado em 22/11/2025 às 11:56
Atualizado em 22/11/2025 às 12:02
Cabras, Pessoas, Ilha, Cabras selvagens
Imagem: Ilustração artística
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Ilha italiana enfrenta superpopulação de cabras selvagens, recebe pedidos de adoção de vários países e inicia operação complexa para capturar, transportar e encaminhar os animais de forma segura antes da temporada turística

Ano passado, quando o prefeito de Alicudi decidiu oferecer cabras selvagens para adoção, imaginou um interesse discreto. Ele acreditava que apenas alguns agricultores das ilhas vizinhas poderiam procurar os animais porque desejavam ampliar a produção de ricota. A projeção estava errada. A notícia ultrapassou o arquipélago das Eólias e despertou um interesse inesperado.

Ofertas começaram a chegar de vários países. Pedidos foram enviados da Europa, dos Estados Unidos e até de um apaixonado por animais na Nigéria. Portanto, a pequena ilha da Sicília se viu no centro de um fenômeno curioso.

Demanda internacional supera a quantidade de cabras

Riccardo Gullo decidiu agir depois de um censo indicar que Alicudi tinha seis vezes mais cabras selvagens do que habitantes.

Como a população fixa é de 100 pessoas, estimou-se que cerca de 600 animais viviam soltos pelo território. Além disso, o prefeito notou que a situação vinha se agravando.

O excesso de interesse tornou a seleção mais complicada. Na ocasião, Gullo explicou que recebeu solicitações para adotar 1.900 cabras, número muito maior do que o disponível. Por isso, ele precisou recusar a maioria.

Ele também enfrentou um obstáculo básico: capturar os animais. Alicudi tem 5 km² e é marcada por um vulcão adormecido, o que torna o terreno acidentado. O local está a duas ou três horas de barco da Sicília, dificultando ainda mais o transporte.

A missão de capturar os animais

A responsabilidade de solucionar o problema ficou nas mãos de Giovanni Dell’Acqua, diretor de desenvolvimento rural de Messina.

Ele reconheceu que o processo era complicado porque envolvia áreas íngremes e animais acostumados a liberdade total.

O dilema começou há cerca de duas décadas. Alguns fazendeiros levaram cabras para a ilha. Com o avanço do turismo, esses criadores as deixaram para trás.

Dell’Acqua comparou a situação ao abandono de um cachorro na estrada porque os animais acabaram se reproduzindo rapidamente.

Por muito tempo, as cabras ficavam restritas ao lado rochoso da ilha, onde eram vistas como parte pitoresca da paisagem. Mas a realidade mudou.

Cabras invadem a área habitada

À medida que se multiplicaram, os animais passaram a circular pelas áreas com moradores. Eles destruíram jardins, derrubaram muros de pedra e até entraram em residências. Portanto, a convivência começou a gerar tensão.

Lorcan O’Neill, dono de galeria de arte em Roma e proprietário de uma casa em Alicudi, contou que os moradores toleravam os animais quando existia equilíbrio.

Na visão dele, a falta de predadores e a ausência de controle transformaram a situação em uma infestação que coloca o ecossistema em risco.

O’Neill afirmou que as cabras comem toda vegetação disponível, inviabilizando qualquer tentativa de plantio doméstico.

Ele também mencionou quedas constantes de pedras provocadas pelos animais que transitam pelos penhascos. Para quem vive na ilha, isso tornou caminhadas perigosas.

Risco à segurança dos moradores

Outro ponto preocupante é o tamanho dos bodes. Segundo Dell’Acqua, alguns chegam a 120 kg e possuem chifres de até 50 cm.

O comportamento agressivo aumenta o temor dos habitantes. Por isso, a urgência da retirada se intensificou.

Uma equipe de especialistas em vida selvagem visitou a ilha. O grupo já prepara um plano de captura que usará redes ou cercados com comida para atrair os animais.

A tarefa promete resistência porque os animais vivem soltos há 20 anos.

Etapas após a captura

Depois de capturadas, as cabras foram submetidas a exames de sangue. O objetivo era verificar doenças antes do transporte.

Em seguida, o maior desafio foi levá-las do topo da ilha até o porto, já que o trajeto é íngreme e pouco acessível.

De Alicudi, elas foram para Milazzo. Lá, ficaram em quarentena por dois meses. Os especialistas acreditam que o processo exigirá planejamento cuidadoso porque o terreno é muito rochoso.

Capturar todas antes da temporada de verão

A estratégia era concluir a captura antes do início da alta temporada, em meados de junho. Dell’Acqua foi direto: nenhuma cabra deve permanecer solta.

As autoridades da Sicília vão avaliar quem poderá adotar os animais. Pessoas que desejam as cabras como pets serão recusadas porque o destino será restrito a criadores experientes.

A intenção é garantir que os animais tenham condições adequadas e minimizar o estresse da viagem.

O plano também busca manter as cabras na Sicília ou em outras regiões do sul da Itália. Isso reduzirá deslocamentos longos e protegerá os animais nesse processo complexo.

Com informações de The Guardian.

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Romário Pereira de Carvalho

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