Cuba enfrenta acúmulo de lixo em Havana após bloqueio dos EUA dificultar a chegada de petróleo. Escassez de combustível afeta serviços e gera alerta de crise humanitária.
A crise em Cuba ganhou um novo e chocante capítulo. Em Havana, o lixo começou a dominar esquinas, calçadas e avenidas.
O cheiro forte de comida estragada se espalha pela capital. Ao mesmo tempo, moscas e outros insetos se multiplicam.
Esse cenário é um dos efeitos mais visíveis do bloqueio que dificulta a chegada de petróleo à ilha caribenha.
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Além disso, a falta de combustível afetou diretamente os serviços básicos. A coleta de lixo foi uma das primeiras a entrar em colapso.
Com menos caminhões rodando, toneladas de resíduos ficaram acumuladas por dias, enquanto a população tenta lidar com as consequências.
Caminhões parados revelam o impacto do bloqueio em Cuba
De acordo com o portal estatal Cubadebate, apenas 44 dos 106 caminhões de lixo de Havana continuam operando.
O motivo é simples. Falta combustível. Como resultado, a coleta ficou lenta e irregular.
Enquanto isso, caixas de papelão, sacolas usadas, garrafas plásticas e até trapos se acumulam nas ruas da capital à beira-mar. Moradores circulam desviando das pilhas.
Ciclistas e motoristas precisam contornar os montes de resíduos. Além disso, alguns habitantes vasculham o lixo em busca de restos que possam ser reutilizados.
A situação, portanto, se tornou parte do cotidiano urbano de Cuba, algo que até pouco tempo parecia impensável para muitos moradores.
A população começa a perder a paciência. O morador José Ramon Cruz descreveu o cenário de forma direta: “Está por toda a cidade”, disse o morador local José Ramon Cruz. “Já faz mais de 10 dias que um caminhão de lixo não passa por aqui.”
Além disso, em outras cidades da ilha, que abriga cerca de 11 milhões de pessoas, moradores recorrem às redes sociais para alertar sobre riscos à saúde pública. A presença de lixo atrai ratos, insetos e aumenta o medo de doenças.
Petróleo some e governo de Cuba impõe racionamento
O abastecimento de petróleo em Cuba despencou nos últimos dois meses. Por isso, o governo passou a implementar medidas de racionamento para tentar preservar serviços essenciais.
Isso ocorre em um país que já enfrentava escassez de alimentos, combustível e medicamentos.
A Venezuela, que era o principal fornecedor, praticamente interrompeu os envios em meados de dezembro.
Em seguida, o México anunciou a suspensão das remessas após Washington ameaçar aplicar tarifas contra países que enviam suprimentos para Cuba.
Por outro lado, um jornal russo informou que Moscou se prepara para enviar cargas de petróleo bruto e combustível para a ilha comunista em um futuro próximo, embora sem data definida.
Pressão dos EUA agrava o isolamento de Cuba
Os Estados Unidos mantêm um embargo contra Cuba desde a década de 1960. No entanto, nos últimos meses, o governo do presidente Donald Trump endureceu a postura. Navios que transportam petróleo para a ilha passaram a ser sancionados. Além disso, fornecedores foram ameaçados com tarifas.
Washington afirma que essas medidas podem pressionar por mudanças políticas em Cuba. Em contrapartida, as Nações Unidas votam há anos pelo fim do embargo. Já líderes do México e da Venezuela alertaram que o bloqueio de combustível pode gerar sérios impactos humanitários.


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