O Grupo Belga Punch, conhecido por fornecer transmissões automáticas para a UAZ, está desenvolvendo uma linha inovadora de motores de combustão interna a hidrogênio com base em motores diesel da General Motors. A produção dessa nova geração de motores está prevista para começar já em 2024, marcando um passo significativo na transição dos veículos comerciais europeus para alternativas mais sustentáveis.
O uso de hidrogênio em motores de combustão interna surge como uma solução promissora para tornar o transporte rodoviário de carga mais ecológico. Diferente de tratores elétricos, que demandam baterias volumosas e demoradas para carregar, os motores a hidrogênio oferecem benefícios como peso semelhante ao diesel, reabastecimento rápido e autonomia de centenas de quilômetros, mesmo em condições adversas.
Com isso, a União Europeia tem investido pesadamente na construção de uma infraestrutura robusta de abastecimento de hidrogênio. Até 2030, postos estarão disponíveis a cada 150 km nas principais rodovias europeias, facilitando a transição para este combustível. Startups e grandes marcas como Stellantis e Renault já apostam na tecnologia, mas o diferencial do Punch Group está em adaptar os tradicionais motores diesel para rodarem a hidrogênio.
Motores diesel reinventados para o hidrogênio

Após adquirir um centro de desenvolvimento da General Motors em Turim, na Itália, o Punch manteve uma equipe de mais de 700 especialistas para liderar o projeto. A aposta é em uma gama versátil de motores com potências variando de 80 a 400 kW (109 a 544 cv).
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Entre os destaques, está a conversão do turbodiesel V8 Duramax de 6,6 litros da GM, ideal para veículos comerciais de grande porte.
Os motores mais compactos, de 2,0 a 3,0 litros, também fazem parte do portfólio e serão projetados com um design modular, garantindo eficiência e flexibilidade de aplicação.
Essa abordagem modular aproveita a estrutura robusta dos motores diesel, conhecida por sua durabilidade, uma característica essencial para o segmento comercial.
Por que motores diesel como base?
Guido Dumari, fundador e CEO do Punch Group, explica que a escolha dos motores diesel como base para a conversão ao hidrogênio é estratégica. Sua maior vida útil e capacidade de suportar condições extremas tornam-nos ideais para veículos comerciais.
Apesar disso, a adaptação para hidrogênio exige mudanças técnicas, como a injeção de água para controlar a combustão e maior resistência dos materiais à corrosão.
Futuro promissor e desafios
Ainda sem um local definitivo para produção, Dumari acredita que fábricas de motores diesel desativadas na Europa podem ser reutilizadas, preservando empregos e atendendo às demandas ambientais da região. Apesar do foco inicial em veículos comerciais, o Punch também explora a possibilidade de adaptar automóveis de passeio ao hidrogênio.
Enquanto a Toyota já apresentou protótipos de motores a hidrogênio, como o GR Yaris, o Grupo Punch avança com um plano claro e prazos definidos. A expectativa é que essa iniciativa acelere a presença do hidrogênio no mercado automotivo e coloque o Punch Group como um dos líderes dessa transformação.
Com a crescente demanda por soluções sustentáveis, o hidrogênio se consolida como uma alternativa viável e eficiente, especialmente quando aliado à engenharia robusta dos motores diesel. O futuro dos transportes na Europa promete ser mais limpo, rápido e inovador.
