Guerra no Irã fechou o Estreito de Ormuz e fez o petróleo disparar para US$ 120 o barril, forçando o governo a criar pacote de R$ 14 bilhões em subvenções ao diesel enquanto a Petrobras acelera plano para dobrar a Refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, recomprar a Refinaria de Mataripe na Bahia e tornar o Brasil autossuficiente em diesel até 2031.
Uma operação militar conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro de 2026 desencadeou um conflito que elevou abruptamente os preços do diesel no Brasil. Assim, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã afetou a rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Portanto, o barril do Brent chegou a ser negociado acima de US$ 120. Segundo a ANP, o diesel S-10 subiu de R$ 6,09 para R$ 6,15 por litro nos primeiros dias do conflito.
Especialistas alertam que o impacto pleno ao consumidor pode demorar até seis meses para se materializar, dada a existência de estoques e contratos já firmados pelas refinarias.
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90 bilhões de barris de petróleo, 1.669 trilhões de pés cúbicos de gás natural e 84% das reservas prováveis em áreas offshore estão sob o Ártico e o degelo que abre rotas marítimas e expõe esse tesouro energético está transformando o Polo Norte em uma disputa estratégica entre EUA, Rússia, China e Canadá por petróleo, gás, navegação e poder militar

Governo cria pacote de R$ 14 bilhões para segurar preço do diesel no Brasil
Para blindar a economia, o presidente Lula assinou em 12 de março de 2026 a Medida Provisória nº 1.340. Dessa forma, o governo zerou o PIS/Cofins sobre o diesel rodoviário, reduzindo o custo na refinaria em R$ 0,32 por litro.
Além disso, criou uma subvenção econômica de R$ 0,32 por litro, paga diretamente a produtores e importadores. Portanto, as duas medidas combinadas reduziram o preço do diesel no Brasil em R$ 0,64 por litro.
A MP reservou um teto global de R$ 10 bilhões para a subvenção, com validade até 31 de dezembro de 2026. Também instituiu imposto de exportação sobre petróleo bruto e óleo diesel.

Nova MP de abril amplia subvenções ao diesel importado e nacional
Com a persistência da pressão nos preços internacionais, o governo editou segunda MP em 6 de abril de 2026.
Para o diesel importado, criou subvenção de R$ 1,20 por litro, com custo limitado a R$ 4 bilhões. Para o diesel nacional, subvenção de R$ 0,80 por litro, com custo estimado de R$ 3 bilhões por mês.
Além disso, o pacote alcançou o GLP. O gás de cozinha recebeu subvenção de R$ 850 por tonelada, equivalente a cerca de R$ 11 por botijão de 13 kg.
Para a aviação, foram criadas linhas de financiamento de até R$ 2,5 bilhões por empresa e as tarifas de navegação aérea de abril a junho foram postergadas para dezembro.
A ANP recebeu poderes para aplicar penalidades mais severas em casos de aumento abusivo de preços.

Petrobras quer produzir todo o diesel que o Brasil consome até 2031
Em paralelo às medidas emergenciais, a Petrobras articula resposta estrutural. Em 1º de abril de 2026, a presidente Magda Chambriard revelou que a empresa estuda elevar a meta para 100% de autossuficiência em diesel até 2031.
O plano anterior previa ampliar a produção em 300 mil barris/dia e atingir 80% da demanda nacional. Contudo, o cenário geopolítico instável motivou a revisão.
Atualmente, a produção interna da Petrobras responde por cerca de 70% do consumo nacional de diesel. Portanto, a meta representa um salto de 30 pontos percentuais em cinco anos.
“O diesel é essencial para a economia brasileira. Estamos avaliando tecnicamente se podemos atender 100% da demanda nos próximos anos”, afirmou Chambriard.
Refinaria Abreu e Lima receberá R$ 12 bilhões para dobrar capacidade
Um dos pilares do plano é a expansão da Refinaria Abreu e Lima (RNEST), no Complexo de Suape, em Ipojuca (PE). Em dezembro de 2025, a Petrobras lançou as obras do Trem de Refino 2.
Dessa forma, a capacidade passará de 130 mil para 260 mil barris por dia até 2029. O investimento é estimado em R$ 12 bilhões e deve gerar cerca de 15 mil empregos.
A RNEST é a refinaria mais moderna da Petrobras, com 70% da capacidade direcionada ao Diesel S-10. O incremento será de 88 mil barris por dia de diesel.

Petrobras negocia recompra da Refinaria de Mataripe por até US$ 2,8 bilhões
O outro vetor do plano é a reincorporação da Refinaria de Mataripe, em São Francisco do Conde (BA). A unidade foi vendida ao fundo árabe Mubadala em novembro de 2021 por US$ 1,6 bilhão.
Contudo, a refinaria processa até 300 mil barris por dia e responde por 14% do refino nacional. Portanto, é peça estratégica para a autossuficiência.
O Mubadala contratou o Banco Santander para assessorá-lo na avaliação da oferta. O Bradesco BBI estimou o valor atual entre US$ 1,6 bilhão e US$ 2,8 bilhões.
O fechamento da transação, se houver, deverá ocorrer antes das eleições presidenciais. O pacote incluiria terminais em Jequié, Itabuna e Candeias, o terminal marítimo de Madre de Deus e 700 km de dutos.
Para entender como a Petrobras investe em tecnologia submarina para manter a produção, veja a reportagem. Confira também como robôs assumem inspeções em plataformas offshore.

Curto prazo e longo prazo: o que muda no diesel do Brasil
Assim, a combinação das subvenções de emergência com o investimento estrutural no parque de refino representa uma reorientação da política energética brasileira.
No curto prazo, o pacote de mais de R$ 14 bilhões em subvenções busca segurar os preços. No longo prazo, a expansão da RNEST e a recompra de Mataripe visam eliminar a dependência de diesel importado.
Ainda assim, o caminho até a autossuficiência envolve riscos. O Goldman Sachs sinalizou que a recompra de Mataripe pode suscitar preocupações sobre intervenção governamental na Petrobras e limitar dividendos extraordinários no curto prazo.

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