Discussão sobre o futuro da Ponte do Esqueleto avançou após a morte de Maria Eduarda, em Limeira, e reacendeu alertas antigos sobre acesso irregular, atividades de aventura, responsabilidade pública e medidas de bloqueio em uma estrutura federal desativada há décadas.
A Secretaria do Patrimônio da União discute a eventual remoção da Ponte do Esqueleto, localizada na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo, após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump no sábado (13).
Durante o salto, a jovem foi lançada de uma altura aproximada de 40 metros sem estar presa às cordas de segurança, de acordo com informações do boletim de ocorrência e de órgãos envolvidos na apuração do caso.
Pertencente à União, a estrutura fica na Estrada Doutor Cássio de Freitas Levy, em uma área rural frequentada por ciclistas, corredores, visitantes e praticantes de esportes radicais.
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Desativada para o tráfego de veículos há cerca de 30 anos, a ponte já havia sido mencionada em alertas sobre risco, acesso irregular e uso por empresas ligadas a atividades de aventura.
A discussão sobre a possível demolição ganhou força depois de uma reunião realizada na segunda-feira (15), quando representantes da SPU e da Advocacia-Geral da União estiveram na região para tratar do caso com as administrações municipais.
No encontro, os representantes federais se reuniram com a prefeita de Cordeirópolis, Cristina Saad, e com o prefeito de Limeira, Murilo Felix, além de equipes técnicas das duas prefeituras.
Vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, a SPU informou que continuará discutindo com os governos locais uma solução definitiva para a estrutura.
Em nota, o órgão afirmou que uma das possibilidades avaliadas é a “eventual remoção” da Ponte do Esqueleto.
Prefeituras defendem demolição da Ponte do Esqueleto
As prefeituras de Limeira e Cordeirópolis se manifestaram favoravelmente à demolição da Ponte do Esqueleto, em meio à pressão por medidas capazes de impedir novos acessos à área.

Pelo lado de Cordeirópolis, a administração municipal informou que o acesso pela cidade sempre esteve bloqueado e defendeu a retirada da estrutura como uma solução definitiva de segurança.
Em Limeira, o prefeito Murilo Felix afirmou que a área apresenta riscos conhecidos há anos, mesmo após tentativas anteriores de interdição feitas para impedir a circulação no local.
Depois da reunião com representantes da União, a prefeitura informou que vai reabrir uma vala usada para dificultar a chegada à ponte, fechada posteriormente sem conhecimento da administração municipal.
Até que uma decisão final seja tomada, União e prefeituras combinaram ações conjuntas para restringir a circulação na área e reduzir a possibilidade de novas entradas irregulares.
Entre as medidas previstas estão a instalação de placas de advertência, a colocação de barreiras físicas e o reforço dos bloqueios nos acessos à Ponte do Esqueleto.
Acesso irregular já era alvo de alerta antes da morte
Antes da morte de Maria Eduarda, a segurança da Ponte do Esqueleto já vinha sendo discutida por órgãos públicos e autoridades locais, principalmente em razão do acesso irregular à estrutura.
Em 2024, após a morte de uma ciclista na região, a Superintendência do Patrimônio da União em São Paulo pediu à Prefeitura de Limeira o bloqueio do acesso à ponte e a instalação de sinalização de perigo.
Naquele período, o acesso chegou a ser fechado, mas a circulação foi retomada posteriormente, mantendo aberta a discussão sobre fiscalização, responsabilidade e uso da área por grupos de aventura.
Ainda em maio de 2024, empresários ligados a esportes radicais foram à Câmara Municipal de Limeira para pedir apoio dos vereadores à continuidade das operações de empresas do setor no local.
A SPU também afirmou que a transferência da propriedade da ponte para o Patrimônio da União foi oficializada em maio de 2026, meses antes da discussão sobre a eventual retirada da estrutura.
Segundo o órgão federal, nenhuma atividade no local havia sido autorizada, inclusive eventos de rope jump promovidos por empresas privadas.
Polícia investiga salto sem equipamento preso
Maria Eduarda morreu na manhã de sábado (13), depois de ser erguida por instrutores e lançada da ponte durante a atividade realizada na trilha da Ponte do Esqueleto.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas a morte da jovem foi constatada ainda no local.
O caso foi registrado no 3º Distrito Policial de Limeira como homicídio, e a investigação passou a apurar a dinâmica do lançamento, a atuação dos envolvidos e as condições de segurança oferecidas.
Conforme o boletim de ocorrência, uma testemunha mostrou aos policiais um vídeo do momento em que a jovem foi arremessada da estrutura sem que os equipamentos estivessem devidamente fixados.
No momento da chegada da Polícia Militar, dois homens que se apresentaram como funcionários da empresa responsável pelos saltos estavam perto da vítima e entregaram documentos pessoais aos agentes.
Ainda de acordo com o registro policial, a dupla teria fugido para uma área de vegetação enquanto um policial se afastava para prestar apoio ao trabalho de resgate.
Seis pessoas foram levadas à delegacia para prestar esclarecimentos, mas três acabaram liberadas depois dos procedimentos iniciais conduzidos pelas autoridades responsáveis pelo caso.
Já Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor de Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra foram presos em flagrante e indiciados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte.
Justiça mantém três investigados presos
No domingo (14), a Justiça de São Paulo converteu em preventiva a prisão dos três investigados pela morte de Maria Eduarda, após audiência de custódia realizada por videoconferência.
Com a decisão, Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Vitor de Freitas Gonçalves, de 27, e Maicon Fernandes Cintra, de 42, passaram a responder ao processo presos, sem prazo determinado para soltura automática.
A defesa dos investigados foi procurada pelo jornal no domingo, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem usada como base para a apuração do caso.
Também consta no boletim de ocorrência que, ao menos até o encerramento do documento policial, a câmera que estaria com a vítima durante o salto ainda não havia sido encontrada.
A Polícia Civil investiga a dinâmica do lançamento, a responsabilidade de cada envolvido e as circunstâncias em que a atividade era oferecida na Ponte do Esqueleto.
Conhecida também como pêndulo humano, a modalidade rope jump envolve saltos de grandes alturas com o praticante preso a cordas que produzem movimento de balanço após a queda.
No caso investigado em Limeira, a apuração aponta que Maria Eduarda foi lançada sem estar conectada ao sistema de segurança previsto para a prática.


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