Fraude digital silenciosa cresce em 2024 e coloca o Brasil na liderança global de tentativas de golpe com tecnologia NFC, segundo relatório da Kaspersky.
Um fenômeno inquietante começou a se espalhar pelo Brasil, transformando o que antes era sinônimo de praticidade em uma ameaça invisível. O chamado “toque fantasma”, uma fraude digital sofisticada, tem assustado consumidores e especialistas desde o início de 2024, quando passou a figurar entre os golpes mais relatados do país. O termo, que parece saído de uma história de terror, define um ataque real capaz de desviar valores em segundos, sem que a vítima perceba qualquer movimento suspeito.
Conforme revelou a Kaspersky em seu Relatório Global de Cibersegurança de 2024, o Brasil concentra 47% das tentativas de golpes bloqueadas no mundo. Esse número impressionante evidencia o quanto a expansão dos pagamentos por aproximação (NFC) — hoje presente em cartões e smartphones — também abriu espaço para novas modalidades de crime digital.
Golpe tecnológico se espalha com rapidez assustadora
A investigação da Kaspersky detalha que o “toque fantasma” utiliza aplicativos maliciosos para interceptar o token NFC, um código temporário usado nas transações por aproximação. Em seguida, o código é retransmitido em tempo real para outro dispositivo, permitindo que criminosos finalizem compras fraudulentas como se fossem o titular do cartão.
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De acordo com o levantamento, essa técnica avançada de clonagem digital vem sendo aperfeiçoada desde 2023, ano em que o uso de pagamentos por aproximação cresceu mais de 60%, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS). Esse avanço tecnológico, embora prático, acabou se tornando terreno fértil para cibercriminosos cada vez mais criativos.
Duas modalidades, um mesmo perigo invisível
O golpe opera em duas frentes distintas, igualmente engenhosas.
Na versão presencial, a cena é cotidiana: uma cafeteria, uma fila de loja ou um evento público. Em um simples descuido, o criminoso se aproxima da vítima com o celular e capta o token NFC. Logo após, o dado é enviado a um comparsa, que o usa em uma maquininha comum para concluir uma compra legítima, porém indevida. Tudo acontece tão rapidamente que a vítima raramente percebe o toque que roubou seu saldo.
Já a versão virtual adota uma estratégia mais sutil. Nesse caso, o golpe começa com engenharia social. O criminoso se passa por um atendente de banco e orienta o usuário a instalar um aplicativo falso de verificação de cartão. Assim que a vítima aproxima o cartão do celular, o software malicioso captura o token e o retransmite instantaneamente ao aparelho do golpista. Em seguida, o criminoso conclui a compra à distância.
De acordo com especialistas da GlobalSign, soluções de segurança com autenticação digital de código (Code Signing) poderiam reduzir consideravelmente o risco. Esse tipo de tecnologia garante que apenas aplicativos legítimos sejam instalados nos dispositivos, aumentando a proteção do usuário.
Brasil no topo do ranking global de fraudes digitais
A Kaspersky alerta que o Brasil lidera o ranking mundial de tentativas bloqueadas de “toque fantasma” desde janeiro de 2024. O país ultrapassou Índia e Estados Unidos, o que demonstra que, apesar do avanço da digitalização financeira, a proteção dos dados pessoais ainda é um desafio central.
Segundo dados da ABECS, as transações por aproximação somaram R$ 700 bilhões em 2023, refletindo um aumento expressivo em relação a 2022. No entanto, esse crescimento trouxe vulnerabilidades proporcionais. Isso reforça a importância de educação digital e atenção constante entre os consumidores.
Especialistas em segurança cibernética afirmam que a conscientização do usuário é a principal defesa. É essencial evitar downloads fora das lojas oficiais, manter distância de desconhecidos em locais movimentados e desconfiar de contatos não solicitados pedindo instalação de aplicativos ou validação de cartões.
Atenção, prevenção e tecnologia como aliadas
O chamado “toque fantasma” é um lembrete poderoso de que a segurança digital vai além de senhas fortes e dispositivos modernos. Ela exige vigilância contínua, uso de tecnologia confiável e conhecimento sobre práticas seguras.
A Kaspersky recomenda a atualização constante de sistemas operacionais, enquanto a GlobalSign reforça o uso de autenticações digitais e certificados de código. Essas medidas ajudam a garantir a integridade dos aplicativos e a proteção dos dados pessoais.
Hoje, o verdadeiro medo não está mais nas portas que se abrem sozinhas, mas nos toques que parecem inofensivos e escondem ameaças invisíveis. Quando a fraude se disfarça de conveniência, o antídoto está na informação, na cautela e em soluções tecnológicas robustas.
No fim, o maior inimigo é a distração, e combatê-lo requer atenção constante e hábitos digitais conscientes.
O que você acha que deve ser prioridade no combate ao “toque fantasma”: reforçar a segurança tecnológica dos aplicativos ou investir em educação digital para os consumidores?

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