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Quase ninguém sabe, mas a maior fabricante de cartas de baralho do mundo é belga, fica numa cidadezinha chamada Turnhout e imprime desde o seu baralho de mercado até as cartas de Pokémon, Magic e as usadas nos cassinos de Las Vegas

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 01/07/2026 às 22:33 Atualizado em 01/07/2026 às 22:37
Fabricante de cartas de baralho líder do mundo é a belga Cartamundi, de Turnhout, dona das cartas Bicycle e por trás de baralhos, Pokémon e Magic
Fabricante de cartas de baralho líder do mundo é a belga Cartamundi, de Turnhout, dona das cartas Bicycle e por trás de baralhos, Pokémon e Magic
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A Cartamundi, sediada na pequena Turnhout, imprime baralhos comuns, cartas colecionáveis e jogos famosos, e ainda é dona das icônicas cartas Bicycle usadas por mágicos e mesas de cassino

Se você já jogou buraco, truco, pôquer ou abriu um envelope de cartas de Pokémon, provavelmente segurou nas mãos o produto de uma empresa que quase ninguém sabe que existe. A maior fabricante de cartas de baralho do planeta é belga e fica numa cidade pequena do norte da Bélgica. É de lá que sai boa parte das cartas que rodam o mundo, de baralho popular a colecionável raro.

O nome dela é Cartamundi, e o alcance é surpreendente. A companhia imprime desde o baralho barato de mercado até cartas colecionáveis de marcas gigantes, e ainda é dona das lendárias cartas Bicycle, aquelas usadas por mágicos e mesas de cassino no mundo inteiro. Muita coisa que parece de marcas diferentes sai do mesmo lugar.

Como essa fabricante de cartas de baralho nasceu numa cidade belga

A história dessa cidade belga com as cartas é antiga e profunda. A cidade se especializou na impressão de cartas de jogar há muito tempo, acumulando conhecimento, máquinas e gente qualificada geração após geração. Com o tempo, virou uma espécie de capital do baralho, a ponto de concentrar ali uma tradição rara nesse ramo.

Foi desse ambiente que nasceu a gigante atual. Assim como outras cidades se tornaram especialistas em botões ou lápis, a região concentrou o saber de fazer cartas de jogar num só ponto do mapa. Quando uma habilidade se acumula por tanto tempo num lugar, fica quase impossível para concorrentes de fora alcançarem. A fabricante de baralhos local se beneficiou de décadas de vantagem acumulada.

Uma operação que fatura centenas de milhões de euros

Folhas de cartas de baralho saindo de uma impressora gráfica industrial
Folhas de cartas de baralho saindo de uma impressora gráfica industrial

As raízes do negócio são realmente antigas, mas o tamanho de hoje é o que impressiona. Segundo a Belga News Agency, o grupo fechou 2025 com faturamento de 693 milhões de euros, alta de 6% sobre o ano anterior, e projeta chegar a 800 milhões de euros neste ano.

Sobreviver e crescer nesse ramo por tanto tempo é um feito e tanto. A empresa atravessou revoluções industriais, guerras e a chegada dos videogames sem largar o baralho. Essa longevidade mostra que, mesmo num mundo digital, as cartas físicas continuam tendo um lugar cativo na mesa de bilhões de pessoas, do jogo de família à aposta séria.

Do baralho comum às cartas de Pokémon e Magic

O que torna a empresa belga tão poderosa é a variedade de clientes. Ainda segundo a Belga News Agency, a empresa produz cartas para marcas gigantes, entre elas Pokémon, Disney Lorcana e Magic: The Gathering, três dos maiores nomes do mundo dos jogos colecionáveis. Também fabrica baralhos de marcas próprias e de terceiros para o mundo todo.

Isso significa que jogos que parecem rivais nas prateleiras podem sair da mesma fábrica. A empresa virou uma espécie de gráfica oficial do entretenimento de mesa, atendendo desde a criança que abre um pacote de figurinhas até o adulto que coleciona cartas raras. É a mesma lógica de outros gigantes ocultos: dominar a produção e deixar a marca aparecer.

As cartas Bicycle e os cassinos

Mesa de cassino com cartas sendo distribuídas sobre o feltro verde
Mesa de cassino com cartas sendo distribuídas sobre o feltro verde

Um dos ativos mais valiosos do grupo é a compra da United States Playing Card Company, dona da marca Bicycle. Segundo a Cartamundi, a USPC, dona de marcas icônicas como Bicycle, Bee, Hoyle e Fournier, é descrita como o padrão global no mundo das cartas de jogar.

O mesmo comunicado aponta que a USPC é forte nos segmentos de cardistry, cassino e cartas especiais, exatamente os nichos mais exigentes. Da carta de dez centavos à carta premium usada em Las Vegas, o caminho pode levar à mesma dona belga. Fabricar cartas de jogar de altíssima qualidade, idênticas entre si e impossíveis de marcar, é uma exigência técnica que poucos conseguem cumprir em escala.

Um investimento bilionário e mais de uma dezena de fábricas

A operação é industrial de verdade. De acordo com a Belga News Agency, o grupo opera cerca de onze fábricas espalhadas por vários países e anunciou um plano de investir 200 milhões de euros em dois anos para ampliar e modernizar a produção, empurrado pela explosão da procura por cartas colecionáveis como as de Pokémon.

Cada baralho que sai dali passa por impressão de precisão, corte milimétrico, aplicação de verniz e controle de qualidade rigoroso. Produzir cartas em massa que sejam todas iguais é essencial: qualquer diferença mínima poderia ser usada para trapacear no jogo. Por isso, a fabricação de cartas de jogar é muito mais tecnológica do que a aparência simples do produto sugere.

Por que fazer carta é mais difícil do que parece

Pode parecer que imprimir um baralho é trivial, mas não é. As cartas precisam ter espessura idêntica, verso perfeitamente igual e um acabamento que permita embaralhar milhares de vezes sem grudar nem desgastar. Uma única falha visível no verso arruinaria o jogo, pois revelaria a carta ao adversário.

Além disso, cassinos exigem controle rígido para evitar fraudes, com cartas rastreáveis e descartadas com frequência. Garantir que milhões de cartas saiam absolutamente idênticas é um desafio de engenharia de precisão, não de simples gráfica. Essa exigência técnica é justamente o que protege a líder do setor da concorrência barata.

Um negócio que resistiu à era digital

Muita gente apostou que os jogos digitais matariam as cartas físicas, mas aconteceu o contrário em vários nichos. Os jogos colecionáveis explodiram, o pôquer virou fenômeno global e os jogos de tabuleiro e cartas voltaram à moda como forma de reunir a família longe das telas.

A fabricante belga soube surfar essa onda. Segundo a Belga News Agency, as cartas colecionáveis já respondem por cerca de 45% da receita da empresa e crescem em ritmo de dois dígitos, virando o principal motor do negócio. Enquanto se falava na morte do papel, a empresa provou que a carta física tem um apelo que a tela não substitui. Segurar, embaralhar e distribuir cartas continua sendo um prazer analógico que resiste ao tempo.

Por que quase todo baralho leva a uma cidadezinha belga

No fim, a história dessa gigante das cartas mostra como até o mais simples dos passatempos esconde um império industrial por trás. O baralho que enfeita a gaveta da sua casa faz parte de uma cadeia global que passa por uma cidadezinha belga e hoje abastece o mundo.

É mais um caso de como a produção de coisas comuns se concentra em pontos surpreendentes do planeta. Da próxima vez que você abrir um baralho novo e sentir aquele cheiro de carta, vale lembrar da longa tradição por trás dele. Você imaginava que tantos jogos diferentes pudessem nascer da mesma fábrica?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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