A Cartamundi, sediada na pequena Turnhout, imprime baralhos comuns, cartas colecionáveis e jogos famosos, e ainda é dona das icônicas cartas Bicycle usadas por mágicos e mesas de cassino
Se você já jogou buraco, truco, pôquer ou abriu um envelope de cartas de Pokémon, provavelmente segurou nas mãos o produto de uma empresa que quase ninguém sabe que existe. A maior fabricante de cartas de baralho do planeta é belga e fica numa cidade pequena do norte da Bélgica. É de lá que sai boa parte das cartas que rodam o mundo, de baralho popular a colecionável raro.
O nome dela é Cartamundi, e o alcance é surpreendente. A companhia imprime desde o baralho barato de mercado até cartas colecionáveis de marcas gigantes, e ainda é dona das lendárias cartas Bicycle, aquelas usadas por mágicos e mesas de cassino no mundo inteiro. Muita coisa que parece de marcas diferentes sai do mesmo lugar.
Como essa fabricante de cartas de baralho nasceu numa cidade belga
A história dessa cidade belga com as cartas é antiga e profunda. A cidade se especializou na impressão de cartas de jogar há muito tempo, acumulando conhecimento, máquinas e gente qualificada geração após geração. Com o tempo, virou uma espécie de capital do baralho, a ponto de concentrar ali uma tradição rara nesse ramo.
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Custando poucas moedas e feita de plástico transparente, ela já vendeu mais de 100 bilhões de unidades e se firmou como a caneta mais vendida da história em cinco continentes
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Startup brasileira construiu fábrica móvel alimentada por energia solar que processa 100 painéis por hora, foi até Minas Gerais e reciclou em menos de um ano o que levaria três anos, recuperando prata e cobre de 100 mil módulos destruídos
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Provavelmente a fechadura da sua porta, o cadeado do portão e o cartão do seu hotel vêm do mesmo grupo sueco, a maior fabricante de fechaduras do mundo, líder em soluções de acesso e dona da Yale e da brasileira Papaiz
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Foi desse ambiente que nasceu a gigante atual. Assim como outras cidades se tornaram especialistas em botões ou lápis, a região concentrou o saber de fazer cartas de jogar num só ponto do mapa. Quando uma habilidade se acumula por tanto tempo num lugar, fica quase impossível para concorrentes de fora alcançarem. A fabricante de baralhos local se beneficiou de décadas de vantagem acumulada.
Uma operação que fatura centenas de milhões de euros

As raízes do negócio são realmente antigas, mas o tamanho de hoje é o que impressiona. Segundo a Belga News Agency, o grupo fechou 2025 com faturamento de 693 milhões de euros, alta de 6% sobre o ano anterior, e projeta chegar a 800 milhões de euros neste ano.
Sobreviver e crescer nesse ramo por tanto tempo é um feito e tanto. A empresa atravessou revoluções industriais, guerras e a chegada dos videogames sem largar o baralho. Essa longevidade mostra que, mesmo num mundo digital, as cartas físicas continuam tendo um lugar cativo na mesa de bilhões de pessoas, do jogo de família à aposta séria.
Do baralho comum às cartas de Pokémon e Magic
O que torna a empresa belga tão poderosa é a variedade de clientes. Ainda segundo a Belga News Agency, a empresa produz cartas para marcas gigantes, entre elas Pokémon, Disney Lorcana e Magic: The Gathering, três dos maiores nomes do mundo dos jogos colecionáveis. Também fabrica baralhos de marcas próprias e de terceiros para o mundo todo.
Isso significa que jogos que parecem rivais nas prateleiras podem sair da mesma fábrica. A empresa virou uma espécie de gráfica oficial do entretenimento de mesa, atendendo desde a criança que abre um pacote de figurinhas até o adulto que coleciona cartas raras. É a mesma lógica de outros gigantes ocultos: dominar a produção e deixar a marca aparecer.
As cartas Bicycle e os cassinos

Um dos ativos mais valiosos do grupo é a compra da United States Playing Card Company, dona da marca Bicycle. Segundo a Cartamundi, a USPC, dona de marcas icônicas como Bicycle, Bee, Hoyle e Fournier, é descrita como o padrão global no mundo das cartas de jogar.
O mesmo comunicado aponta que a USPC é forte nos segmentos de cardistry, cassino e cartas especiais, exatamente os nichos mais exigentes. Da carta de dez centavos à carta premium usada em Las Vegas, o caminho pode levar à mesma dona belga. Fabricar cartas de jogar de altíssima qualidade, idênticas entre si e impossíveis de marcar, é uma exigência técnica que poucos conseguem cumprir em escala.
Um investimento bilionário e mais de uma dezena de fábricas
A operação é industrial de verdade. De acordo com a Belga News Agency, o grupo opera cerca de onze fábricas espalhadas por vários países e anunciou um plano de investir 200 milhões de euros em dois anos para ampliar e modernizar a produção, empurrado pela explosão da procura por cartas colecionáveis como as de Pokémon.
Cada baralho que sai dali passa por impressão de precisão, corte milimétrico, aplicação de verniz e controle de qualidade rigoroso. Produzir cartas em massa que sejam todas iguais é essencial: qualquer diferença mínima poderia ser usada para trapacear no jogo. Por isso, a fabricação de cartas de jogar é muito mais tecnológica do que a aparência simples do produto sugere.
Por que fazer carta é mais difícil do que parece
Pode parecer que imprimir um baralho é trivial, mas não é. As cartas precisam ter espessura idêntica, verso perfeitamente igual e um acabamento que permita embaralhar milhares de vezes sem grudar nem desgastar. Uma única falha visível no verso arruinaria o jogo, pois revelaria a carta ao adversário.
Além disso, cassinos exigem controle rígido para evitar fraudes, com cartas rastreáveis e descartadas com frequência. Garantir que milhões de cartas saiam absolutamente idênticas é um desafio de engenharia de precisão, não de simples gráfica. Essa exigência técnica é justamente o que protege a líder do setor da concorrência barata.
Um negócio que resistiu à era digital
Muita gente apostou que os jogos digitais matariam as cartas físicas, mas aconteceu o contrário em vários nichos. Os jogos colecionáveis explodiram, o pôquer virou fenômeno global e os jogos de tabuleiro e cartas voltaram à moda como forma de reunir a família longe das telas.
A fabricante belga soube surfar essa onda. Segundo a Belga News Agency, as cartas colecionáveis já respondem por cerca de 45% da receita da empresa e crescem em ritmo de dois dígitos, virando o principal motor do negócio. Enquanto se falava na morte do papel, a empresa provou que a carta física tem um apelo que a tela não substitui. Segurar, embaralhar e distribuir cartas continua sendo um prazer analógico que resiste ao tempo.
Por que quase todo baralho leva a uma cidadezinha belga
No fim, a história dessa gigante das cartas mostra como até o mais simples dos passatempos esconde um império industrial por trás. O baralho que enfeita a gaveta da sua casa faz parte de uma cadeia global que passa por uma cidadezinha belga e hoje abastece o mundo.
É mais um caso de como a produção de coisas comuns se concentra em pontos surpreendentes do planeta. Da próxima vez que você abrir um baralho novo e sentir aquele cheiro de carta, vale lembrar da longa tradição por trás dele. Você imaginava que tantos jogos diferentes pudessem nascer da mesma fábrica?
