Torre de concreto centraliza a saída de gases tratados e simboliza a obra bilionária que promete transformar o leste de MS com exportação e debate ambiental
A Arauco está erguendo uma chaminé de 160 metros na zona rural de Inocência, no Mato Grosso do Sul, como um dos marcos mais visíveis do Projeto Sucuriú. A estrutura, comparada a um prédio de cerca de 40 andares, foi projetada para lançar em altura segura os gases industriais já tratados, atendendo exigências ambientais e operacionais.
De acordo com a Indústria Brasileira de Árvores, o empreendimento envolve US$ 4,6 bilhões e uma planta com capacidade estimada de 3,5 milhões de toneladas por ano de celulose de fibra curta, instalada em área próxima ao Rio Sucuriú. O setor destaca que a obra está amarrada a planos de monitoramento ambiental contínuo, incluindo água, emissões e fauna.
O projeto também foi apresentado ao mercado e ao poder público em diferentes fases, com valores e capacidades que aparecem de forma distinta em documentos e divulgações ao longo do tempo. Um comunicado do governo estadual informa que o conselho da empresa aprovou investimento global de US$ 4,6 bilhões, cifra que passou a ser repetida em reportagens e materiais setoriais.
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No canteiro, a chaminé virou símbolo do avanço físico das obras, enquanto a região tenta equilibrar expectativa de empregos e infraestrutura com preocupações sobre água e pressão ambiental. O debate ganhou força quando estimativas de consumo hídrico passaram a circular junto com promessas de devolução de grande parte da água após tratamento.
Por que a chaminé de 160 metros virou marco do megaprojeto de celulose em Inocência
Segundo o Campo Grande News, a torre está posicionada às margens da MS-377 e pode ser vista a longas distâncias, o que a transformou em um “farol” involuntário do empreendimento. A distância em relação à área urbana e a escala da estrutura ajudam a explicar por que ela chama tanta atenção em uma cidade de pequeno porte.
A lógica técnica, porém, é menos estética e mais regulatória. Em vez de simplesmente “jogar fumaça” para longe, a ideia é lançar gases já tratados em altura adequada para dispersão atmosférica, reduzindo concentração próxima ao solo e ajudando a cumprir padrões ambientais.
Concreto armado, slip form e dutos internos explicam como a torre funciona
A própria escolha do material foi tratada como um ponto crítico da engenharia. De acordo com o Campo Grande News, a chaminé foi concebida como torre de concreto armado, porque estruturas metálicas não se sustentariam sozinhas com estabilidade nessa altura.
A fundação também precisou ser dimensionada para o peso e para a ação de ventos, com concretagem contínua em uma única etapa. A reportagem cita o uso de cerca de 100 metros cúbicos de concreto ao longo de aproximadamente nove horas, com controle térmico para manter a qualidade e evitar problemas estruturais.
Na elevação do corpo da torre, foi adotada a técnica de forma deslizante, conhecida como slip form, que permite construção contínua, dia e noite, até atingir a altura final. Ao longo do fuste, foram previstas aberturas técnicas para acomodar a instalação interna dos dutos e rotinas de manutenção.
No interior, anéis metálicos sustentam três dutos menores que conduzem gases de diferentes setores para uma única saída. O desenho integra fluxos vindos da caldeira de recuperação, da caldeira de força e do processo de caustificação, concentrando o lançamento em um ponto com controle mais padronizado.
Essa integração conversa com o que aparece em documentos ambientais, que descrevem sistemas de controle e monitoramento para emissões e efluentes. No RIMA disponível pelo Imasul, há menção a tratamento de efluentes de alta eficiência e a lançamento de efluentes tratados no rio com difusores para dispersão adequada, além de referência a melhores técnicas disponíveis para reduzir e monitorar impactos.
Investimento, empregos e o que dizem os documentos do licenciamento
Nos dados do RIMA, o investimento previsto aparece na ordem de R$ 28,3 bilhões, com expectativa máxima de 12 mil empregos no pico das obras e 1.070 postos na fase de operação, somando próprios e terceiros. Esses números ajudam a explicar o efeito “cidade canteiro” que costuma acompanhar projetos industriais desse porte.
Já uma nota da Semadesc sobre a licença de instalação trouxe, na época, referência a capacidade de 2,5 milhões de toneladas por ano e indicou que a licença de operação dependeria de vistorias e cumprimento de condicionantes, com perspectiva de emissão em 2028. A diferença de capacidade em relação a divulgações mais recentes é tratada no setor como reflexo de etapas e atualizações do projeto ao longo do licenciamento e planejamento.
Em materiais institucionais do próprio projeto, a empresa afirma que pretende gerar mais de 14 mil oportunidades durante as obras e manter cerca de 6 mil pessoas somando áreas industrial, florestal e logística após o início da operação. A promessa de encadeamento econômico é usada como argumento para atrair fornecedores, cursos de qualificação e serviços para a região.
Exportação exige ferrovia até a Ferronorte e uma engrenagem de vagões
O desenho logístico citado em reportagens e divulgações envolve um ramal ferroviário de 47 quilômetros conectando a fábrica à malha da Ferronorte, permitindo que a celulose siga até o Porto de Santos. O tema aparece como central porque a produção tem perfil majoritariamente exportador e depende de transporte eficiente para manter competitividade.
No início de 2026, o Correio do Estado noticiou contrato estimado em R$ 770 milhões para a compra de cerca de 750 vagões junto à Randoncorp, com entregas previstas ao longo de 19 meses entre 2026 e 2027. A mesma apuração menciona que a estratégia ferroviária inclui investimentos adicionais e que a licença permitiria, em tese, níveis de produção ainda maiores, reforçando o tamanho do desafio logístico.
Meio ambiente, água do Rio Sucuriú e o debate que acompanha o avanço da obra
Do lado ambiental, a Indústria Brasileira de Árvores descreve ações de monitoramento de fauna e flora, mapeamento de áreas prioritárias e planos de controle de poeira, ruído e qualidade do ar e da água durante a construção. A narrativa do setor é que a fábrica foi desenhada para operar com eficiência e mitigação, com programas ambientais associados ao licenciamento.
A mesma fonte afirma que cerca de 90 por cento do volume captado deve ser devolvido ao rio após tratamento, além de reaproveitamento de água pluvial em etapas do empreendimento. Esse ponto costuma ser apresentado como resposta direta ao receio de pressão hídrica, especialmente em períodos de estiagem.
Ao mesmo tempo, reportagens locais passaram a destacar estimativas de consumo que impressionam o público. O site A Crítica de Campo Grande citou projeção de 250 milhões de litros por dia, comparando com volumes distribuídos na capital por uma concessionária como a Águas Guariroba, e registrou preocupação de ambientalistas mesmo diante da promessa de devolução após tratamento.
Em paralelo, fornecedores e executivos reforçam metas de desempenho ambiental como parte da reputação do projeto. Em artigo da Valmet, a companhia descreve o Sucuriú como o maior projeto de fábrica de celulose em fase única do mundo e registra declarações sobre baixo consumo de água, baixas emissões, geração renovável superior a 400 MW e venda de excedente para a rede, alinhada ao Sistema Interligado Nacional.
No fim, fica a pergunta que divide opiniões na região e fora dela: o saldo socioeconômico compensa a pressão sobre água, logística e paisagem do Cerrado. Você acha que o projeto está sendo conduzido com transparência suficiente e contrapartidas à altura do impacto. Deixe seu comentário e diga de que lado você fica nesse debate.


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