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Gigante brasileira JBS, controlada pelos irmãos Batista, aposta pesado em um projeto bilionário no deserto, colocou R$ 750 milhões na mesa para construir uma plataforma multiproteínas que pode gerar mais de 3 mil empregos e abastecer o enorme mercado global halal

Publicado em 09/03/2026 às 11:28
Atualizado em 09/03/2026 às 11:29
JBS avança no Oriente Médio com plataforma multiproteínas em Omã, mira o mercado halal e reforça a segurança alimentar.
JBS avança no Oriente Médio com plataforma multiproteínas em Omã, mira o mercado halal e reforça a segurança alimentar.
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Ao assumir 80% de uma holding criada para consolidar ativos produtivos em Omã, a gigante brasileira JBS transforma o país em peça central de sua expansão no Oriente Médio, acelera a entrada em proteínas bovina, ovina e de aves e projeta mais de 3 mil empregos diretos nos próximos anos.

A gigante brasileira JBS decidiu dar um passo de grande escala no Oriente Médio ao investir US$ 150 milhões, cerca de R$ 750 milhões, na construção de uma plataforma multiproteínas em Omã. O movimento envolve carne bovina, aves e cordeiro, reposiciona a companhia em uma região estratégica e amplia seu alcance em um dos mercados de alimentos mais relevantes do mundo.

Controlada pelos irmãos Batista, a empresa adquiriu 80% de uma holding de alimentos recém-criada no país, enquanto a Oman Food Capital permaneceu com os 20% restantes. A operação combina expansão geográfica, diversificação de proteínas e aproximação com centros consumidores importantes, além de reforçar a aposta em alimentos halal para um público global estimado em cerca de 2 bilhões de consumidores.

O que a operação em Omã representa para a JBS

A nova frente da companhia foi desenhada para transformar Omã em uma base de produção integrada, com capacidade para abastecer tanto o mercado local quanto destinos internacionais. Não se trata apenas de abrir uma fábrica, mas de estabelecer uma plataforma com presença industrial, logística e comercial em um ponto sensível da geografia global de alimentos.

Na prática, a gigante brasileira JBS entra em uma estrutura que consolida dois ativos produtivos no país e passa a operar de forma mais próxima de mercados estratégicos. Esse desenho reduz distância em relação a compradores importantes, fortalece a presença regional e cria condições para uma atuação mais robusta no segmento halal, que exige escala, regularidade de fornecimento e adaptação a padrões específicos de consumo.

Por que Omã virou peça-chave nessa estratégia

Omã aparece nesse projeto como mais do que um endereço industrial. O país foi apresentado como uma plataforma capaz de reforçar a segurança alimentar local e, ao mesmo tempo, funcionar como eixo de exportação para outros mercados. Essa dupla função ajuda a explicar o peso do investimento e o interesse da JBS em estruturar uma operação de longo prazo no Sultanato.

Além disso, a localização favorece a lógica da expansão. A planta integrada de aves da A’Namaa fica em Ibri, no norte de Omã, a aproximadamente 380 quilômetros a oeste de Mascate e 280 quilômetros ao sul de Dubai.

Já a unidade de carne bovina e cordeiro da Al Bashayer está em Thumrait, no sul do país. Essa distribuição mostra que a operação foi pensada para aproveitar infraestrutura regional e posicionamento logístico, conectando produção, processamento e acesso a mercados consumidores.

Como a plataforma multiproteínas deve funcionar

Os recursos anunciados serão destinados principalmente à conclusão da planta integrada de aves e ao fortalecimento da unidade voltada ao processamento de bovinos e cordeiros.

Com isso, a companhia passa a estruturar uma base industrial voltada a três frentes ao mesmo tempo, algo que amplia sua flexibilidade operacional e reduz dependência de um único segmento proteico. É uma expansão que mistura escala com diversificação.

A projeção industrial mostra o tamanho da ambição. A operação deverá alcançar capacidade estática estimada em mais de 300 mil toneladas por ano, com processamento diário de cerca de 1 mil bovinos, 5 mil cordeiros e 600 mil aves.

A expectativa é de início da produção em até seis meses para carne bovina e ovina e em até doze meses para aves, indicando um cronograma relativamente acelerado para um investimento dessa magnitude.

Empregos, cadeia produtiva e impacto econômico local

Um dos efeitos mais relevantes do projeto está no mercado de trabalho. A estimativa é de criação de mais de 3 mil empregos diretos nos próximos cinco anos, distribuídos ao longo de toda a cadeia produtiva. Esse dado ajuda a dimensionar o alcance do empreendimento para além das plantas industriais, já que envolve processamento, operação, suporte técnico, logística e atividades associadas ao setor agroalimentar.

O impacto esperado não fica restrito ao número de vagas. A proposta também aponta para qualificação de mão de obra, fortalecimento da atividade econômica local e expansão de uma estrutura produtiva ligada à alimentação.

Em um projeto desse porte, cada etapa da cadeia tende a puxar demanda por serviços e conhecimento técnico, o que transforma o investimento em um vetor de desenvolvimento regional, e não apenas em uma nova unidade fabril.

O que muda na presença da JBS no Oriente Médio

Com esse avanço, a JBS passa a ter operações em 26 países distribuídos por cinco continentes e marca seu primeiro investimento upstream no Oriente Médio. Isso significa que a companhia não está apenas vendendo ou distribuindo produtos na região, mas entrando de forma mais profunda na etapa produtiva local. É um salto estratégico importante, porque consolida presença industrial em um mercado que vinha ganhando peso dentro da expansão da empresa.

Esse movimento também se conecta a uma trajetória mais ampla na região. A empresa já vinha ampliando exportações, fábricas e parcerias estratégicas no Oriente Médio, incluindo iniciativas na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos com a marca Seara.

Atualmente, a companhia reúne cerca de 1.600 colaboradores na região, e o projeto em Omã aprofunda essa presença ao combinar produção local, escala industrial e foco em produtos de maior valor estratégico.

Por que o mercado halal está no centro dessa aposta

A força do mercado halal é um dos motores centrais da decisão. Ao mirar um universo estimado em cerca de 2 bilhões de consumidores, a gigante brasileira JBS busca se posicionar em uma demanda ampla, recorrente e internacionalizada. Não é apenas uma questão de volume, mas de inserção em um segmento que exige credibilidade operacional, regularidade de oferta e presença em territórios capazes de sustentar exportações consistentes.

Nesse contexto, Omã surge como base para atender uma combinação de fatores: segurança alimentar nacional, integração produtiva e capacidade de exportação. A operação reforça a leitura de que a JBS quer estar mais próxima dos mercados que considera decisivos para seu próximo ciclo de crescimento.

Ao apostar em bovinos, aves e cordeiros ao mesmo tempo, a companhia distribui riscos, amplia portfólio e cria uma plataforma capaz de sustentar presença mais forte no comércio global de alimentos halal.

O projeto mostra que a gigante brasileira JBS está usando Omã como ponto de apoio para uma expansão que reúne escala industrial, diversificação de proteínas, geração de empregos e acesso mais direto ao mercado halal.

O investimento de cerca de R$ 750 milhões não se limita à construção de capacidade produtiva: ele também redesenha a posição da companhia em uma região estratégica e aprofunda sua lógica de crescimento internacional.

Quando uma empresa desse porte decide investir no deserto para abastecer mercados globais, o movimento diz muito sobre para onde o setor de alimentos está caminhando.

Você acredita que essa aposta da JBS em Omã pode virar referência para outras gigantes brasileiras no exterior ou ainda parece um passo arriscado demais?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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