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A Marinha Italiana acaba de aprovar a produção de uma nova versão de suas fragatas com radar que enxerga em 360 graus, inteligência artificial para derrubar drones e um sistema de guerra cibernética que nenhuma outra marinha europeia tem

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 21/04/2026 às 19:00
Atualizado em 21/04/2026 às 19:02
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A Marinha Italiana se tornou a primeira da Europa a integrar um sistema anti-drone com inteligência artificial ao sistema de combate de uma fragata operacional — as duas novas FREMM EVO terão radar dual-band AESA em 360 graus, defesa cibernética e propulsão silenciosa para caçar submarinos

Em julho de 2024, a Itália assinou o contrato para modernizar duas fragatas classe FREMM para o padrão FREMM EVO.

Em maio de 2025, a revisão crítica de projeto foi concluída, liberando a produção.

As entregas estão previstas para 2029 e 2030.

Segundo a EDR Magazine, as FREMM EVO representam uma evolução profunda sobre as fragatas originais, com foco em três ameaças modernas: drones, guerra cibernética e mísseis de cruzeiro.

“Isso torna a Marina Militare a primeira entre as marinhas europeias a embarcar tal solução integrada para neutralizar uma ampla gama de ameaças, incluindo drones menores”, afirmou Domitilla Benigni, CEO da ELT Group.

Radar que vê tudo: quatro faces fixas cobrindo o horizonte inteiro

O coração da FREMM EVO é o radar Kronos Dual-Band AESA da Leonardo.

Ele opera simultaneamente nas bandas C e X, com quatro antenas de painel fixo que cobrem 360 graus sem precisar girar.

Radares tradicionais giram mecanicamente — o Kronos detecta alvos em todas as direções ao mesmo tempo.

Isso é crucial contra ataques de saturação, quando múltiplos drones ou mísseis vêm de várias direções.

O sistema consegue rastrear e classificar dezenas de alvos simultaneamente.

Inteligência artificial contra drones: detecção, classificação e neutralização

O sistema anti-drone da ELT Group usa inteligência artificial para detectar e classificar drones pequenos em segundos.

A suíte inclui sensores eletro-ópticos, radares 3D de painel phased array e medidas de suporte eletrônico.

Para neutralizar, o sistema pode aplicar jamming de radiofrequência, bloqueio de GPS, spoofing de GNSS e até ataques cibernéticos eletromagnéticos.

Tudo isso pode funcionar de forma autônoma ou integrada ao sistema de combate do navio.

O sistema já foi testado em uma fragata FREMM operacional da Marinha Italiana.

Propulsão silenciosa para caçar submarinos

As FREMM EVO mantêm a propulsão híbrida CODLAG (Combined Diesel-Electric and Gas), otimizada para operações antissubmarinas.

No modo elétrico, a fragata se move praticamente em silêncio — essencial para detectar submarinos inimigos sem revelar sua posição.

O navio tem sonar de profundidade variável e suporte para helicópteros de detecção.

Artilharia inclui o canhão Oto Melara 76/62 STRAL com munição guiada DART para engajamentos precisos.

Montagens remotas de 30mm com munição air-burst completam a defesa contra drones e lanchas rápidas.

As empresas por trás: Fincantieri, Leonardo e ELT Group

A Fincantieri — maior construtora naval militar da Europa — constrói os navios nos estaleiros de La Spezia.

A Leonardo fornece o radar Kronos, o sistema de combate SADOC 4 e os sensores infravermelho.

A ELT Group fornece o sistema anti-drone com IA.

O contrato foi assinado pela OCCAR (Organização Conjunta de Cooperação em Armamento da Europa).

Mauro Manzini, vice-presidente de vendas da Fincantieri, destacou o potencial de exportação da FREMM EVO para países como o Qatar.

O mercado anti-drone vale US$ 16 bilhões em 2034

O contexto é claro: drones mudaram a guerra moderna.

Conflitos recentes mostraram que drones baratos de US$ 500 podem destruir equipamentos de US$ 5 milhões.

O mercado global de sistemas anti-drone está estimado em US$ 3,88 bilhões em 2026.

A projeção é de US$ 16,45 bilhões até 2034 — um crescimento de mais de 4 vezes em 8 anos.

A Itália, ao integrar IA anti-drone em navios de guerra antes de qualquer vizinho europeu, posiciona sua indústria naval para dominar esse mercado.

O que ainda falta

Por enquanto, são apenas 2 navios confirmados para o padrão EVO.

A integração total dos sistemas só será testada quando as fragatas forem entregues em 2029-2030.

O custo do contrato não foi divulgado.

Programas navais europeus são conhecidos por atrasos — nada garante que as datas serão cumpridas.

Mas o marco tecnológico é real: a Itália demonstrou em uma fragata operacional que pode detectar, classificar e neutralizar drones com IA.

Se funcionar como prometido, a FREMM EVO será o navio mais difícil de atacar com drones em toda a Europa.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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