A Marinha Italiana se tornou a primeira da Europa a integrar um sistema anti-drone com inteligência artificial ao sistema de combate de uma fragata operacional — as duas novas FREMM EVO terão radar dual-band AESA em 360 graus, defesa cibernética e propulsão silenciosa para caçar submarinos
Em julho de 2024, a Itália assinou o contrato para modernizar duas fragatas classe FREMM para o padrão FREMM EVO.
Em maio de 2025, a revisão crítica de projeto foi concluída, liberando a produção.
As entregas estão previstas para 2029 e 2030.
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Segundo a EDR Magazine, as FREMM EVO representam uma evolução profunda sobre as fragatas originais, com foco em três ameaças modernas: drones, guerra cibernética e mísseis de cruzeiro.
“Isso torna a Marina Militare a primeira entre as marinhas europeias a embarcar tal solução integrada para neutralizar uma ampla gama de ameaças, incluindo drones menores”, afirmou Domitilla Benigni, CEO da ELT Group.
Radar que vê tudo: quatro faces fixas cobrindo o horizonte inteiro
O coração da FREMM EVO é o radar Kronos Dual-Band AESA da Leonardo.
Ele opera simultaneamente nas bandas C e X, com quatro antenas de painel fixo que cobrem 360 graus sem precisar girar.
Radares tradicionais giram mecanicamente — o Kronos detecta alvos em todas as direções ao mesmo tempo.
Isso é crucial contra ataques de saturação, quando múltiplos drones ou mísseis vêm de várias direções.
O sistema consegue rastrear e classificar dezenas de alvos simultaneamente.
Inteligência artificial contra drones: detecção, classificação e neutralização
O sistema anti-drone da ELT Group usa inteligência artificial para detectar e classificar drones pequenos em segundos.
A suíte inclui sensores eletro-ópticos, radares 3D de painel phased array e medidas de suporte eletrônico.
Para neutralizar, o sistema pode aplicar jamming de radiofrequência, bloqueio de GPS, spoofing de GNSS e até ataques cibernéticos eletromagnéticos.
Tudo isso pode funcionar de forma autônoma ou integrada ao sistema de combate do navio.
O sistema já foi testado em uma fragata FREMM operacional da Marinha Italiana.
Propulsão silenciosa para caçar submarinos
As FREMM EVO mantêm a propulsão híbrida CODLAG (Combined Diesel-Electric and Gas), otimizada para operações antissubmarinas.
No modo elétrico, a fragata se move praticamente em silêncio — essencial para detectar submarinos inimigos sem revelar sua posição.
O navio tem sonar de profundidade variável e suporte para helicópteros de detecção.
Artilharia inclui o canhão Oto Melara 76/62 STRAL com munição guiada DART para engajamentos precisos.
Montagens remotas de 30mm com munição air-burst completam a defesa contra drones e lanchas rápidas.
As empresas por trás: Fincantieri, Leonardo e ELT Group
A Fincantieri — maior construtora naval militar da Europa — constrói os navios nos estaleiros de La Spezia.
A Leonardo fornece o radar Kronos, o sistema de combate SADOC 4 e os sensores infravermelho.
A ELT Group fornece o sistema anti-drone com IA.
O contrato foi assinado pela OCCAR (Organização Conjunta de Cooperação em Armamento da Europa).
Mauro Manzini, vice-presidente de vendas da Fincantieri, destacou o potencial de exportação da FREMM EVO para países como o Qatar.
O mercado anti-drone vale US$ 16 bilhões em 2034
O contexto é claro: drones mudaram a guerra moderna.
Conflitos recentes mostraram que drones baratos de US$ 500 podem destruir equipamentos de US$ 5 milhões.
O mercado global de sistemas anti-drone está estimado em US$ 3,88 bilhões em 2026.
A projeção é de US$ 16,45 bilhões até 2034 — um crescimento de mais de 4 vezes em 8 anos.
A Itália, ao integrar IA anti-drone em navios de guerra antes de qualquer vizinho europeu, posiciona sua indústria naval para dominar esse mercado.
O que ainda falta
Por enquanto, são apenas 2 navios confirmados para o padrão EVO.
A integração total dos sistemas só será testada quando as fragatas forem entregues em 2029-2030.
O custo do contrato não foi divulgado.
Programas navais europeus são conhecidos por atrasos — nada garante que as datas serão cumpridas.
Mas o marco tecnológico é real: a Itália demonstrou em uma fragata operacional que pode detectar, classificar e neutralizar drones com IA.
Se funcionar como prometido, a FREMM EVO será o navio mais difícil de atacar com drones em toda a Europa.

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