Acordo de quatro anos cobre inspeção, manutenção e treinamento em sistemas de bombeamento e acompanha expansão que levará a mais de 1.500 bombas Framo no país até 2028
Segundo reportagem publicada pela MarineLink em 7 de outubro de 2026, a fabricante norueguesa Framo assinou um acordo de quatro anos com a Petrobras para atender sistemas de bombeamento instalados em uma frota de aproximadamente 30 FPSOs. Classificado pela própria empresa como seu maior contrato de serviços desse tipo até hoje, o acordo envolve inspeção, manutenção e treinamento. As atividades serão realizadas pela equipe local da Framo no Rio de Janeiro, enquanto a companhia prepara sua estrutura brasileira para superar 1.500 bombas instaladas até 2028.
Contrato alcança cerca de 30 FPSOs da Petrobras
O novo acordo muda a escala da prestação de serviços da Framo para a Petrobras. Em vez de demandas tratadas isoladamente, a companhia passará a trabalhar com um programa estruturado para uma ampla frota de FPSOs.
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O contrato contempla inspeções anuais, manutenção e treinamento relacionados aos equipamentos da fabricante presentes nas unidades.
Entre os sistemas incluídos estão bombas utilizadas para captação de água do mar, combate a incêndio, movimentação de cargas e injeção de água.
Esses equipamentos desempenham funções diferentes dentro de uma unidade offshore. Por isso, a manutenção não se limita à produção direta de petróleo. Ela também alcança sistemas ligados à segurança e ao funcionamento da plataforma.
A expansão da frota de FPSOs cria demanda justamente para esse tipo de serviço. A indústria naval do Rio acompanha uma carteira com mais de 20 plataformas previstas até aproximadamente 2031, cenário que aumenta as oportunidades para fornecedores, manutenção e serviços especializados.
Framo chama acordo de maior contrato de serviços desse tipo já assinado
O destaque do anúncio está na dimensão do acordo. Segundo a Framo, trata-se do maior contrato de serviços desse tipo já firmado pela empresa.
A duração será de quatro anos. Entretanto, nem a reportagem da MarineLink nem as informações divulgadas sobre o acordo apresentam seu valor financeiro.
O contrato foi formalizado durante a ROG.e 2026, no Rio de Janeiro. Participaram da assinatura Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção da Petrobras, e Ruffo Chiconelli, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Framo do Brasil.
Brasil deverá ter mais de 1.500 bombas Framo até 2028
O acordo também acompanha um crescimento expressivo da base instalada da fabricante no mercado brasileiro.
A Framo estima que mais de 1.500 bombas da companhia estarão operando no Brasil até 2028.
Segundo a empresa, a expansão ocorrerá principalmente devido à entrada de novos FPSOs no mercado brasileiro.
Quanto mais plataformas entram em operação, maior tende a ser a demanda por serviços ao longo da vida útil dos equipamentos. Isso inclui inspeções, reparos, peças, treinamento e acompanhamento técnico.
Um exemplo dessa expansão aparece em Búzios. A Roberta Souza mostrou no CPG que os FPSOs P-80 e P-82 podem acrescentar juntos 450 mil barris por dia à capacidade instalada do campo. Cada unidade foi projetada para produzir até 225 mil barris diários e processar 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
Serviços serão realizados por equipe instalada no Rio de Janeiro
Outro ponto relevante para o mercado brasileiro está na execução do contrato. A Framo informou que o trabalho será realizado por sua equipe local no Rio de Janeiro.
A companhia mantém presença no Brasil desde 1995. Atualmente, sua estrutura fluminense presta serviços para os segmentos marítimo e offshore.
Entre as atividades oferecidas estão assistência técnica, inspeções a bordo, avaliação de rotinas de manutenção, reparos e suporte aos sistemas de bombeamento.
Assim, o contrato de quatro anos não será atendido exclusivamente por equipes mobilizadas do exterior. A estrutura brasileira terá participação direta no suporte à frota.
Framo prepara nova instalação de manutenção no Galeão
A empresa também está ampliando sua capacidade no Rio de Janeiro. A Framo prepara uma nova instalação de manutenção no Galeão.
Segundo a companhia, a unidade ampliará a capacidade local para atividades de inspeção, manutenção e treinamento.
Essa expansão acontece justamente enquanto a base instalada de equipamentos cresce. Portanto, o novo contrato e a estrutura do Galeão fazem parte de um movimento conectado.
De um lado, novos FPSOs aumentam a quantidade de bombas operando no Brasil. Do outro, a companhia precisa ampliar sua capacidade de acompanhar esses equipamentos durante todo o ciclo de vida.
Expansão offshore movimenta cadeia de manutenção no Rio
O cenário também ajuda a explicar por que o Rio de Janeiro continua atraindo serviços especializados para a indústria offshore.
O estado concentra grande parte das plataformas marítimas brasileiras e reúne uma ampla cadeia de fornecedores, estaleiros, oficinas e empresas de engenharia.
Recentemente, a Roberta Souza mostrou no CPG que a Navemestra pretende construir seis novos rebocadores no Estaleiro São Miguel, em São Gonçalo. O projeto reforça outro segmento da cadeia naval fluminense, ligado à construção e operação de embarcações.
Embora o contrato da Framo tenha natureza diferente, os dois movimentos revelam como a atividade marítima cria demanda além da produção de petróleo. Ela também movimenta manutenção, engenharia, treinamento, construção naval e fornecimento de equipamentos.
Bombas de injeção de água têm papel importante na produção offshore
Entre os equipamentos cobertos pelo contrato aparecem as bombas de injeção de água.
Em determinados sistemas de produção, a água é injetada no reservatório para auxiliar na manutenção da pressão e contribuir para o deslocamento do petróleo em direção aos poços produtores.
Por isso, esses equipamentos podem assumir papel relevante no desempenho operacional de um campo.
Já as bombas de água do mar atendem diferentes necessidades das unidades. Outras são dedicadas a sistemas de combate a incêndio ou movimentação de fluidos.
A variedade ajuda a explicar por que a Framo estruturou o contrato para acompanhar os equipamentos ao longo de sua vida operacional.
Manutenção ganha importância conforme frota brasileira cresce
A expansão do offshore brasileiro não cria demanda apenas por novas plataformas. Cada FPSO incorporado à frota traz uma quantidade elevada de equipamentos que precisarão passar por inspeções e manutenção durante anos de operação.
Esse mercado pode permanecer ativo mesmo depois da construção e instalação das unidades.
Além disso, o crescimento não ocorre somente nas plataformas. A indústria naval mundial continua encomendando embarcações especializadas e adotando novas tecnologias. A Roberta Souza mostrou no CPG que armadores encomendaram 52 navios preparados para combustíveis alternativos apenas em agosto de 2026, maior volume mensal em quase dois anos.
O avanço tecnológico aumenta também a necessidade de profissionais capazes de operar e manter sistemas cada vez mais especializados.
Contrato acompanha chegada de uma nova geração de FPSOs
Para a Framo, o crescimento esperado da base instalada brasileira está diretamente ligado aos novos FPSOs que entrarão no mercado.
A Petrobras mantém projetos de expansão principalmente no pré-sal. Novas unidades ampliam capacidade de produção, processamento de gás, armazenamento e injeção de água.
Consequentemente, o tamanho físico das plataformas não é o único indicador relevante. Existe também uma extensa cadeia de equipamentos que precisa permanecer disponível durante décadas.
É nesse mercado que o novo acordo se posiciona. A Framo deixa de atender necessidades individuais e passa a trabalhar com um programa estruturado de quatro anos para aproximadamente 30 FPSOs.
Ao mesmo tempo, a companhia amplia sua infraestrutura no Rio e projeta superar 1.500 bombas instaladas no Brasil até 2028. Dessa forma, o maior contrato de serviços desse tipo já firmado pela fabricante também revela um mercado menos visível do crescimento offshore brasileiro: o de manutenção, inspeção e suporte aos milhares de equipamentos necessários para manter as plataformas funcionando.
