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A 2.886 metros de lâmina d’água, Petrobras encontra petróleo pela segunda vez na Foz do Amazonas e prepara três novas perfurações

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Escrito por Roberta Souza Publicado em 07/10/2026 às 17:10 Atualizado em 07/10/2026 às 17:15
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Poço Morpho revelou um segundo intervalo com petróleo a 2.886 metros de lâmina d’água; estatal ainda precisa delimitar jazidas antes de confirmar viabilidade comercial
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Poço Morpho revelou um segundo intervalo com petróleo a 2.886 metros de lâmina d’água; estatal ainda precisa delimitar jazidas antes de confirmar viabilidade comercial

Segundo reportagem publicada pela Agência Brasil em 2 de outubro de 2026, a Petrobras elevou suas expectativas sobre o potencial da Bacia da Foz do Amazonas após uma segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, identificado como 1-BRSA-1405-APS. Localizado no bloco FZA-M-59, a 175 quilômetros da costa do Amapá, o poço está em águas ultraprofundas, sob lâmina d’água de 2.886 metros. Apesar do otimismo, a companhia ainda precisa realizar novas avaliações para determinar o volume das jazidas e comprovar sua comercialidade.

Petrobras encontra segundo intervalo com petróleo no poço Morpho

A descoberta ocorreu durante a continuidade da perfuração do Morpho. A Petrobras já havia anunciado, em agosto de 2026, a identificação de hidrocarbonetos no mesmo poço.

Depois disso, a estatal aprofundou a perfuração para avaliar outros intervalos exploratórios. O trabalho revelou mais um intervalo portador de petróleo, caracterizando uma nova descoberta dentro do bloco FZA-M-59.

Imagem: Reprodução Agência Brasil. Imagem aprimorada com auxílio de Inteligência Artificial.
Imagem: Reprodução Agência Brasil. Imagem aprimorada com auxílio de Inteligência Artificial.

Segundo a Petrobras, a companhia identificou o petróleo por meio de perfis elétricos, indícios em rocha e amostras de fluidos coletados durante a operação.

As análises ainda estão em andamento. Por isso, os dados obtidos serão caracterizados em laboratório e posteriormente integrados às demais informações coletadas durante a perfuração.

A primeira descoberta já havia movimentado a indústria. Em setembro, o CPG mostrou que SLB e Shearwater iniciaram um levantamento sísmico 3D a cerca de 130 quilômetros do Morpho, utilizando o navio Amazon Warrior para produzir imagens detalhadas do subsolo da região.

Magda Chambriard vê sinais de uma nova fronteira exploratória

A segunda descoberta aumentou o otimismo da direção da Petrobras. Durante entrevista coletiva, a presidente da companhia, Magda Chambriard, afirmou que os resultados obtidos até agora reforçam a possibilidade de abertura de uma nova fronteira exploratória.

Ao mesmo tempo, a executiva adotou cautela ao falar sobre comercialidade. Segundo ela, a Petrobras ainda não pode garantir que a descoberta tenha valor comercial, embora os indícios sejam positivos.

Portanto, a descoberta não significa que a Petrobras encontrou um novo campo pronto para produzir. Também não permite afirmar, neste momento, quantos barris poderão ser recuperados no bloco.

Primeiro, a companhia precisa compreender melhor a extensão das acumulações, características dos reservatórios, produtividade, custos e viabilidade econômica.

Petróleo encontrado apresenta boa qualidade

Outro ponto chamou atenção durante a apresentação dos resultados. Magda Chambriard mostrou uma amostra do petróleo retirado do poço Morpho.

Questionada sobre a qualidade do óleo, a presidente da Petrobras destacou sua baixa viscosidade. Entretanto, dados técnicos mais detalhados permanecem sob sigilo regulatório.

Entre eles está o grau API, indicador utilizado pela indústria para classificar a densidade do petróleo.

A Petrobras informou ainda que as análises realizadas sobre a descoberta anunciada em agosto já permitem confirmar a boa qualidade do petróleo encontrado.

Isso representa mais uma informação positiva sobre o sistema petrolífero. Contudo, qualidade do óleo e comercialidade são conceitos diferentes. Uma descoberta precisa apresentar volumes e condições econômicas suficientes antes de avançar para um projeto de produção.

Foz do Amazonas pode ter potencial recuperável de 10 bilhões de barris equivalentes

A expectativa em torno da região não depende apenas das descobertas no Morpho. Segundo estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) citado pela Agência Brasil, o volume potencial total recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente.

Esse número representa uma estimativa de potencial da bacia. Portanto, não corresponde ao volume encontrado no Morpho nem significa que existam 10 bilhões de barris de reservas comprovadas no bloco FZA-M-59.

A diferença é importante. Recursos potenciais dependem de exploração, delimitação, avaliação técnica, viabilidade econômica e outras etapas antes de uma eventual classificação como reservas.

Mesmo assim, o potencial ajuda a explicar por que a Margem Equatorial ganhou importância na estratégia brasileira de exploração de petróleo.

Três novos poços devem ajudar a descobrir o tamanho das jazidas

As próximas etapas serão decisivas. A Petrobras pretende concluir os testes e manobras no Morpho até o final de outubro de 2026.

Depois disso, a sonda será desmobilizada e seguirá para o Rio Grande do Norte. O planejamento prevê a perfuração do prospecto Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar, em novembro.

Entretanto, a Petrobras pretende voltar ao bloco FZA-M-59. A companhia planeja uma nova mobilização de sonda no primeiro trimestre de 2027.

Nessa etapa, o plano prevê a perfuração de três poços de delimitação. Eles terão justamente a função de gerar informações para avaliar o volume das jazidas e definir sua comercialidade.

Assim, 2027 poderá trazer respostas mais concretas sobre o verdadeiro tamanho da descoberta.

Descoberta ocorre em águas ultraprofundas a 175 km do Amapá

A localização do Morpho também ajuda a mostrar a complexidade da operação. O poço fica aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá.

Além disso, a lâmina d’água chega a 2.886 metros. Isso significa que existem quase 2,9 quilômetros de água entre a superfície do oceano e o fundo marinho no local da perfuração.

A região integra a Margem Equatorial brasileira, que se estende pelo litoral das regiões Norte e Nordeste e reúne as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.

O interesse exploratório também aumentou após descobertas relevantes em países como Guiana e Suriname. Entretanto, semelhanças geológicas não garantem que o Brasil repetirá os mesmos resultados.

Por isso, cada descoberta precisa passar por avaliação própria.

Descoberta já movimentou investimentos em levantamento sísmico

O interesse pela região ficou evidente poucas semanas após o primeiro anúncio do Morpho. Conforme mostrou a publicado no CPG, SLB e Shearwater colocaram o navio sísmico Amazon Warrior no mar para realizar o levantamento Amapá 3D.

O projeto está localizado aproximadamente 130 quilômetros do poço Morpho. A iniciativa utiliza tecnologia sísmica para criar imagens tridimensionais do subsolo.

Essas informações podem ajudar empresas a compreender melhor a geologia e decidir onde futuras perfurações podem fazer sentido.

Entretanto, um levantamento sísmico não representa uma descoberta. Ele funciona como uma ferramenta para reduzir incertezas antes de investimentos muito mais caros em perfuração.

Margem Equatorial ganha peso na estratégia de reposição de reservas

A Petrobras considera a Margem Equatorial uma das áreas importantes para sua estratégia de longo prazo. O objetivo é encontrar novas acumulações capazes de ajudar na reposição das reservas de petróleo e gás.

O Plano de Negócios 2026-2030 da companhia prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos na Margem Equatorial ao longo de cinco anos e a perfuração de 15 novos poços.

Esse movimento ocorre porque os campos atualmente responsáveis pelo crescimento da produção não permanecerão no pico indefinidamente. Assim, novas descobertas precisam acontecer com antecedência, já que transformar uma descoberta em campo produtor pode levar anos.

A própria história do Morpho mostra essa sequência. Primeiro vieram estudos e licenciamento. Depois, a perfuração encontrou hidrocarbonetos. Agora, a Petrobras precisa delimitar e avaliar a acumulação antes de qualquer decisão sobre desenvolvimento.

Exploração também enfrenta questionamentos ambientais

A exploração na região continua cercada por debate ambiental. Segundo a Agência Brasil, o Ministério Público Federal (MPF) voltou a pedir à Justiça a suspensão da licença ambiental concedida para atividades no bloco FZA-M-59.

Entre os argumentos apresentados aparecem preocupações relacionadas aos riscos ambientais e à consulta a povos indígenas, comunidades quilombolas e pescadores artesanais.

A Petrobras, por sua vez, afirma que aplica sua experiência acumulada em operações de águas profundas e ultraprofundas e destaca procedimentos de segurança e controle ambiental.

A discussão tende a acompanhar os próximos passos na região. Afinal, uma eventual confirmação de volumes comerciais exigirá novas decisões técnicas, econômicas e regulatórias antes de qualquer produção.

A própria Roberta Souza evidenciou potencial da Margem Equatorial despertava comparações com uma nova grande fronteira petrolífera brasileira, embora o avanço dos projetos dependa de estudos e licenciamento.

Segunda descoberta aumenta expectativa, mas resposta definitiva virá depois

A nova camada encontrada no Morpho representa mais uma evidência favorável sobre o sistema petrolífero da Bacia da Foz do Amazonas. Além disso, a confirmação da boa qualidade do petróleo encontrado anteriormente acrescenta outro elemento positivo à avaliação.

Por outro lado, ainda faltam informações fundamentais. A Petrobras não divulgou o volume recuperável da descoberta, grau API exato, produtividade esperada ou estimativa de investimento para um eventual desenvolvimento.

Por isso, classificar Morpho como um novo campo gigante ou afirmar que a descoberta já possui reservas comerciais seria prematuro.

Os três poços de delimitação previstos para 2027 serão fundamentais para responder essas perguntas. Até lá, a segunda descoberta aumenta a expectativa sobre a Foz do Amazonas, mas mantém aberta a questão mais importante: o petróleo encontrado no Morpho poderá sustentar um projeto comercial de produção?

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Roberta Souza

Autora no portal Click Petróleo e Gás desde 2019, responsável pela publicação de mais de 8.000 matérias que somam milhões de acessos, unindo técnica, clareza e engajamento para informar e conectar leitores. Engenheira de Petróleo e pós-graduada em Comissionamento de Unidades Industriais, também trago experiência prática e vivência no setor do agronegócio, o que amplia minha visão e versatilidade na produção de conteúdo especializado. Desenvolvo pautas, divulgo oportunidades de emprego e crio materiais publicitários direcionados para o público do setor. Para sugestões de pauta, divulgação de vagas ou propostas de publicidade, entre em contato pelo e-mail: santizatagpc@gmail.com. Não recebemos currículos

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