Portfólio tecnológico da estatal inclui robô-minhoca para dutos, drones submarinos, gêmeos digitais, realidade mista, inteligência artificial e sistema que separa CO₂ no fundo do mar
Segundo informações disponibilizadas pela Petrobras em sua página oficial de Inovação e Tecnologia, consultada em 7 de outubro de 2026, a companhia mantém projetos que vão de robôs para inspeções offshore e uniformes inteligentes a supercomputadores e sistemas capazes de separar CO₂ do petróleo ainda no leito marinho. A estatal afirma que pretende investir US$ 4 bilhões em inovação tecnológica até 2030, com pesquisas voltadas tanto à eficiência das operações de petróleo e gás quanto à descarbonização e ao desenvolvimento de novas soluções energéticas.
Petrobras usa tecnologia para enfrentar desafios a centenas de quilômetros da costa
Produzir petróleo em águas profundas e ultraprofundas exige muito mais do que grandes plataformas. Por trás das operações existe uma rede de tecnologias voltadas à segurança, inspeção, processamento de dados e manutenção dos equipamentos.
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Segundo a Petrobras, digitalização, robotização, inteligência artificial e computação de alto desempenho já fazem parte de seus projetos.
Essa necessidade cresce conforme a indústria avança para ambientes mais complexos. Em alguns casos, plataformas trabalham a centenas de quilômetros da costa e dependem de equipamentos instalados a milhares de metros abaixo da superfície.
A Roberta Souza mostrou no CPG como tecnologias avançadas de processamento e aquisição sísmica estão sendo utilizadas para mapear o subsolo da Margem Equatorial. O levantamento Amapá 3D utiliza tecnologia sísmica marinha para produzir imagens detalhadas de uma região próxima ao poço Morpho.
Robô-minhoca percorre linhas flexíveis utilizadas na produção
Entre as tecnologias apresentadas pela Petrobras está o Annelida, equipamento que ganhou uma descrição curiosa da própria companhia: um “robô-minhoca”.
O nome está relacionado à maneira como ele se movimenta. O robô utiliza um movimento peristáltico, alternando alongamento e encurtamento para avançar pelo interior de linhas flexíveis.
Sua função, entretanto, é bastante técnica. O equipamento possui um sistema de geração de nitrogênio utilizado para remover substâncias que podem impedir o escoamento do petróleo.
Assim, uma solução inspirada no movimento de organismos simples ajuda a enfrentar um problema complexo da indústria offshore: manter linhas de produção funcionando adequadamente em condições severas.
Minidrones submarinos podem reduzir em até 90% os custos de determinadas operações
Outra frente envolve minidrones submarinos. Segundo a Petrobras, esses equipamentos foram projetados para realizar inspeções complexas e de risco em águas rasas.
A companhia afirma que a tecnologia traz ganhos de segurança e produtividade. Além disso, pode proporcionar economia de até 90% nos custos da operação nas aplicações para as quais foi desenvolvida.
O uso de robôs reduz a necessidade de expor trabalhadores a determinados ambientes de risco. Ao mesmo tempo, equipamentos menores podem acessar áreas onde operações convencionais seriam mais complexas.
Por isso, a robótica ganhou espaço entre as tecnologias desenvolvidas para o setor de óleo e gás.
AURI Diverless inspeciona dutos sem depender de mergulhadores
A lista inclui ainda o AURI Diverless, desenvolvido para inspecionar dutos flexíveis.
O equipamento é instalado no duto com auxílio de um ROV, veículo submarino operado remotamente. Depois disso, consegue identificar danos com alta precisão.
Entre os problemas detectados aparecem bolhas, rasgos e deformações na capa externa dos dutos.
A tecnologia já recebeu reconhecimento da indústria. Segundo a Petrobras, o AURI Diverless conquistou o Prêmio ANP de Inovação Tecnológica.
Robô Tupã Ex entra em áreas consideradas de risco
Nem todas as soluções robóticas trabalham debaixo d’água. O Tupã Ex, por exemplo, foi desenvolvido para atuar em áreas classificadas como de risco.
A Petrobras o apresenta como o primeiro robô para operação autônoma em área classificada da indústria de óleo latino-americana.
O equipamento realiza inspeções de rotina utilizando diferentes sistemas. Entre eles está a análise de espectro sonoro para identificar vazamentos de gases.
Dessa forma, determinadas inspeções podem ocorrer sem colocar trabalhadores diretamente no ambiente de maior exposição.
Uniformes inteligentes podem identificar cansaço físico dos trabalhadores
A inovação também chegou aos equipamentos utilizados pelos profissionais. O projeto Anjos da Guarda utiliza sensores incorporados aos uniformes.
Segundo a Petrobras, esses sensores conseguem identificar situações de risco e parâmetros médicos, incluindo cansaço físico.
Assim, o uniforme deixa de funcionar apenas como vestimenta de proteção. Ele passa a integrar um sistema capaz de gerar alertas para os próprios funcionários ou para equipes médicas.
A proposta combina segurança do trabalho com Internet das Coisas (IoT), conectando equipamentos tradicionalmente passivos a sistemas digitais de monitoramento.
Realidade mista permite acompanhar plataformas a 300 km da costa
Outro projeto desenvolvido em parceria com a PUC-Rio utiliza realidade mista para permitir inspeções remotas e planejamento de intervenções preventivas.
Segundo a Petrobras, a ferramenta permite executar atividades relacionadas a plataformas localizadas a cerca de 300 quilômetros da costa.
A companhia informou ainda que a tecnologia estaria disponível em todas as novas unidades até 2026.
Esse tipo de solução permite transportar parte da análise realizada no ambiente offshore para equipes em terra. Consequentemente, especialistas podem colaborar com determinadas atividades sem necessariamente estar fisicamente na plataforma.
Gêmeos digitais permitem testar equipamentos no ambiente virtual
A Petrobras também utiliza os chamados digital twins, ou gêmeos digitais. Eles funcionam como representações digitais de ativos e operações reais.
Segundo a companhia, a tecnologia pode ser utilizada para antecipar falhas e testar equipamentos virtualmente.
Isso permite analisar diferentes cenários antes de determinadas intervenções físicas. Além disso, informações operacionais podem alimentar os modelos digitais para apoiar decisões de engenharia.
A digitalização ganha importância conforme plataformas e sistemas submarinos acumulam milhares de sensores e equipamentos trabalhando simultaneamente.
Supercomputadores somam 80 Petaflops de capacidade
Para processar grandes volumes de informação, a Petrobras também investiu em computação de alto desempenho.
Segundo a empresa, seus supercomputadores somam uma capacidade de processamento de 80 Petaflops.
Esses equipamentos podem processar dados geofísicos, aumentar a precisão na perfuração de poços e apoiar o desenvolvimento de novas tecnologias.
O processamento ganha importância especialmente na exploração. Levantamentos sísmicos geram enormes quantidades de dados que precisam ser transformados em imagens capazes de ajudar geólogos e engenheiros a interpretar o subsolo.
HISEP pretende separar CO₂ do petróleo ainda no fundo do mar
Entre as tecnologias voltadas à descarbonização aparece o HISEP, ou High Pressure Separation.
A tecnologia patenteada pela Petrobras pretende separar o CO₂ do petróleo ainda no leito marinho. Depois disso, o gás poderá ser reinjetado diretamente no reservatório.
Segundo a companhia, a solução busca reduzir emissões de gases de efeito estufa e aumentar a produtividade dos poços.
O desenvolvimento ganhou uma nova infraestrutura em 2026. A Petrobras iniciou as operações de um centro tecnológico em Itajubá, Minas Gerais, capaz de reproduzir condições encontradas no pré-sal e apoiar testes de tecnologias submarinas.
Ao mesmo tempo, novos FPSOs incorporam soluções voltadas à eficiência e à redução da intensidade de carbono, o avanço de novas plataformas e poços está ampliando a produção dos contratos de partilha do pré-sal, que alcançou 1,84 milhão de barris de petróleo por dia em julho de 2026.
Impressão 3D também chegou às plataformas offshore
A fabricação de componentes também começa a passar por mudanças. A Petrobras informa que explora o potencial da impressão 3D em plataformas offshore.
A tecnologia pode ser utilizada para criar protótipos de robôs e apoiar diferentes necessidades relacionadas à operação de unidades de produção em alto-mar.
Na prática, a manufatura aditiva abre a possibilidade de produzir determinados componentes com maior flexibilidade. Entretanto, a própria página institucional não especifica quais peças já são fabricadas rotineiramente a bordo.
Por isso, não é correto afirmar que plataformas da Petrobras já conseguem imprimir qualquer peça necessária durante uma operação.
Smart Tocha usa inteligência artificial para reduzir emissões
Outra tecnologia combina inteligência artificial e controle de emissões. Desenvolvido em parceria com a PUC-Rio, o sistema Smart Tocha monitora a queima realizada no flare.
O flare, ou tocha, é utilizado para queimar excesso de gás natural em refinarias e plataformas. Essa operação possui papel importante na segurança e no controle de pressão.
O sistema desenvolvido pela Petrobras utiliza inteligência artificial para monitorar a queima e ajustar automaticamente a vazão de vapor.
Com isso, a companhia busca realizar o processo com menor emissão possível e aumentar a eficiência energética.
Petrobras prevê US$ 4 bilhões para inovação tecnológica até 2030
O conjunto dessas tecnologias faz parte de uma estratégia mais ampla. Segundo a Petrobras, a companhia pretende investir US$ 4 bilhões em inovação tecnológica até 2030.
Entre as prioridades de Pesquisa e Desenvolvimento em baixo carbono estão eficiência energética, captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS), separação submarina de CO₂ e redução das emissões de metano.
A lista também inclui diesel renovável, BioQAV, biobunker, hidrogênio e energia eólica offshore.
Esse movimento acompanha investimentos que avançam em outros setores da economia. O CPG mostrou que Banco Mundial e BNDES estruturaram R$ 5,4 bilhões para apoiar projetos de descarbonização da indústria brasileira, com possibilidade de mobilizar recursos adicionais.
Cenpes conecta mais de 900 empresas e 9 mil pesquisadores
Boa parte desse desenvolvimento passa pelo Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras, o Cenpes.

A estrutura possui mais de 115 laboratórios de Pesquisa e Desenvolvimento e está entre os maiores centros de pesquisa da América Latina.
Além disso, a Petrobras afirma que o Cenpes mantém parcerias com mais de 900 empresas. Esse ecossistema reúne mais de 9 mil pesquisadores.
Universidades, startups, fornecedores, instituições tecnológicas e centros de pesquisa também participam dessa rede.
Assim, algumas tecnologias que parecem pertencer a um futuro distante já aparecem em diferentes estágios dentro da indústria brasileira: robôs percorrem tubulações, drones entram na água, sensores transformam uniformes em equipamentos conectados, supercomputadores analisam o subsolo e sistemas submarinos começam a levar o processamento de fluidos para o fundo do oceano.
