Florianópolis abriu consulta pública até 23 de outubro para discutir a requalificação do centro histórico, com propostas da Gehl Architects voltadas à mobilidade ativa, adaptação climática, infância, bairros completos e turismo.
A Prefeitura de Florianópolis abriu uma consulta pública sobre o projeto “Floripa Centro: Repensando seus espaços públicos para pessoas”, que propõe reorganizar áreas do centro da capital catarinense a partir da experiência de quem vive, trabalha ou circula pela região. Entre as diretrizes estão vias mais arborizadas, mobilidade sustentável, espaços públicos preparados para questões climáticas e ambientes destinados à permanência e convivência.
Segundo o NSC Total, em reportagem publicada em 7 de outubro de 2026, a consulta ficará disponível até 23 de outubro. A proposta integra o programa Centro Para Todos e foi desenvolvida pela Gehl Architects, escritório internacional com trabalhos realizados em cidades como Copenhague, na Dinamarca, e Nova York, nos Estados Unidos.
Florianópolis coloca experiência de pedestres e moradores no centro do planejamento

O projeto parte do conceito de “cidade para pessoas”, associado ao trabalho do urbanista Jan Gehl. Em vez de avaliar as áreas públicas somente como corredores para circulação, o estudo considera também permanência, encontros, convivência e acesso aos serviços como fatores para planejar o centro de Florianópolis.
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A proposta foi construída com participação de técnicos municipais e representantes de diferentes setores organizados da sociedade. Durante a elaboração do estudo, foram realizadas oficinas para incorporar características e demandas locais às soluções desenvolvidas pela equipe responsável.
A abertura da consulta pública acrescenta uma nova etapa de participação da população. Até 23 de outubro, moradores e demais interessados poderão contribuir com o processo antes do avanço das próximas fases do planejamento.
A requalificação urbana envolve decisões sobre circulação, ocupação e desenho dos espaços públicos, questões que também aparecem em obras que alteram a configuração de áreas urbanas. No caso de Florianópolis, porém, o estudo apresentado tem como referência direta a forma como as pessoas utilizam o centro no cotidiano.
Cinco eixos orientam as mudanças propostas para o centro da capital
O estudo organiza o planejamento em cinco frentes: mobilidade sustentável, espaços públicos e resiliência climática, projetos para crianças, bairros completos e turismo sazonal. Cada uma aborda um aspecto específico da relação entre moradores, visitantes e a região central.
Na mobilidade, a proposta prevê priorizar deslocamentos a pé, de bicicleta e por outros modos ativos, além do transporte coletivo. A diretriz procura avaliar o espaço urbano a partir de diferentes formas de circulação, em vez de concentrar seu planejamento apenas no fluxo de veículos particulares.
Outra frente trata dos chamados bairros completos. A ideia é aproximar moradia, trabalho e serviços para reduzir a necessidade de deslocamentos longos. O turismo também aparece separadamente porque Florianópolis recebe variações de ocupação ao longo do ano, e o estudo propõe conciliar essa atividade com a qualidade de vida de quem utiliza a cidade permanentemente.
O projeto não significa que todas as intervenções apresentadas já estejam prontas para execução. A etapa divulgada envolve estudo, diretrizes e participação pública, e a consulta aberta até 23 de outubro faz parte desse processo.
Arborização e adaptação climática entram diretamente no desenho dos espaços públicos

A questão climática ocupa uma das cinco frentes do projeto. A proposta associa a qualificação das áreas públicas ao conforto ambiental e a medidas destinadas a aumentar a capacidade do centro de Florianópolis de responder às mudanças climáticas.
Na prática, o planejamento apresentado inclui a criação de espaços mais arborizados e áreas de permanência, além das chamadas praças climáticas. A lógica é integrar circulação e convivência às condições ambientais da região, considerando que calçadas, ruas, praças e demais áreas abertas também fazem parte da experiência cotidiana de quem utiliza o centro.
As necessidades das crianças também foram incorporadas como parâmetro para avaliar a qualidade urbana. O projeto prevê que a infância seja considerada na definição dos espaços, acrescentando outro grupo de usuários ao planejamento de ruas e áreas públicas.
Essas mudanças ainda dependem do avanço das etapas previstas pelo poder público. Assim como ocorre em projetos que avançam por diferentes fases de planejamento e execução, a proposta para o centro está atualmente em uma etapa específica: a consulta à população sobre as diretrizes elaboradas.
Gehl Architects leva a Florianópolis metodologia usada em cidades como Copenhague e Nova York
A associação com a “dinamarquização” vem da metodologia de planejamento vinculada a Jan Gehl e ao trabalho da Gehl Architects. O escritório responsável pelo estudo de Florianópolis desenvolveu projetos em Copenhague e Nova York e trabalha com uma abordagem que observa primeiro como as pessoas utilizam os espaços urbanos.
Isso significa analisar aspectos como deslocamento, tempo de permanência, convivência e acesso a serviços antes de definir determinadas intervenções. O foco está na experiência humana no espaço público, conceito que sustenta a expressão “cidade para pessoas” utilizada no estudo.
A referência à Dinamarca, portanto, não significa reproduzir integralmente o desenho urbano de Copenhague em Florianópolis. O próprio processo descrito pela prefeitura incluiu oficinas e participação de técnicos e representantes locais justamente para adaptar as propostas às características e demandas da capital catarinense.
A Gehl Architects funciona como responsável técnica pelo estudo apresentado dentro do programa municipal de requalificação. As diretrizes resultantes passam agora pelo período de consulta pública antes da continuidade do processo.
Consulta pública permanece aberta até 23 de outubro
Moradores e demais interessados têm até 23 de outubro de 2026 para participar da consulta sobre o projeto. A etapa permite que a população envie contribuições para uma proposta que pretende modificar a maneira como o centro é planejado e utilizado.
O material coloca na mesma discussão deslocamentos a pé e de bicicleta, transporte coletivo, arborização, resiliência climática, espaços para crianças, proximidade entre moradia e serviços e os efeitos do turismo sazonal. As propostas ainda estão inseridas no processo de planejamento, e a consulta pública é o estágio atualmente aberto à participação da população.
Depois dessa fase, o projeto deverá seguir o processo municipal de avaliação e desenvolvimento das intervenções previstas. Até lá, o documento apresentado pela Gehl Architects funciona como referência para a discussão sobre como o centro de Florianópolis poderá reorganizar ruas e espaços públicos a partir das pessoas que utilizam a região diariamente.
