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Ford prometeu caminhão elétrico revolucionário, mas cancelou tudo após prejuízo de US$ 19,5 bilhões, demitiu 1.600 funcionários e agora aposta em baterias baratas da China e híbridos para tentar salvar o future

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 16/12/2025 às 23:07
Atualizado em 16/12/2025 às 23:08
Ford, caminhão elétrico, prejuízo bilionário, veículos elétricos, baterias LFP, híbridos, demissões, reestruturação industrial
Ford, caminhão elétrico, prejuízo bilionário, veículos elétricos, baterias LFP, híbridos, demissões, reestruturação industrial
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Reestruturação bilionária leva montadora a cancelar projetos elétricos, converter fábricas de baterias, reduzir quadro de funcionários e rever cronogramas industriais, enquanto mantém eletrificação no plano de longo prazo com foco em híbridos e tecnologias de menor custo.

A Ford decidiu revisar sua estratégia para veículos elétricos ao anunciar que vai registrar US$ 19,5 bilhões em encargos contábeis relacionados a uma reestruturação ampla do negócio de eletrificação, após sucessivos prejuízos e a reavaliação de projetos industriais.

O plano envolve o cancelamento de uma picape elétrica prevista para a linha F-Series, a conversão de fábricas de baterias e a priorização de veículos a combustão e híbridos, segundo informações divulgadas pela própria montadora.

De acordo com a empresa, a maior parte dos encargos será reconhecida no quarto trimestre, com parcelas adicionais distribuídas nos exercícios seguintes.

O impacto em caixa, segundo a Ford, será inferior ao valor total das baixas contábeis, refletindo principalmente desvalorizações de ativos e ajustes de capacidade produtiva.

Revisão da estratégia de veículos elétricos e capacidade produtiva

Ao detalhar a reestruturação, a Ford indicou que a expansão da produção de baterias ocorreu em ritmo superior ao crescimento efetivo do mercado.

A empresa também afirmou que alguns projetos de veículos elétricos de maior porte apresentavam desafios para alcançar rentabilidade.

A decisão de cancelar a picape elétrica em desenvolvimento está inserida nesse contexto de revisão de portfólio.

Além de fatores internos, a montadora citou mudanças no ambiente regulatório e na política industrial dos Estados Unidos como elementos que influenciaram a revisão de planos.

O tema tem sido recorrente no setor automotivo, com outras fabricantes também ajustando cronogramas e investimentos em eletrificação ao longo do ano.

Declarações da Ford sobre redirecionamento de investimentos

No comunicado oficial, o diretor-presidente Jim Farley afirmou que a companhia está redirecionando recursos para áreas consideradas mais atrativas sob o ponto de vista financeiro.

“A realidade operacional mudou, e estamos redirecionando capital para oportunidades de crescimento com maior retorno.”

No mesmo anúncio, a Ford informou ter elevado sua projeção de geração de caixa para 2025, estimando US$ 7 bilhões antes de juros e impostos, acima do intervalo anteriormente divulgado.

Após a divulgação dos dados, as ações da montadora registraram variação positiva no after-market em Nova York.

No acumulado do ano, o papel apresentava valorização, conforme dados de mercado citados no contexto do comunicado.

Prejuízos na divisão elétrica e expectativa de lucratividade

A área de veículos elétricos da Ford segue operando no vermelho.

Em teleconferência com jornalistas, Andrew Frick, responsável pela divisão, afirmou que as medidas anunciadas podem permitir que o negócio atinja lucratividade até 2029, conforme estimativas internas da empresa.

No exercício anterior, a Ford informou prejuízo de US$ 5,1 bilhões nessa unidade.

A companhia também indicou que as perdas podem ser maiores no curto prazo, mesmo com o cancelamento de projetos e a readequação industrial em andamento.

Armazenamento de energia entra no centro da estratégia industrial

Uma das frentes destacadas pela empresa é a conversão de parte da estrutura originalmente planejada para veículos elétricos em produção de baterias destinadas ao armazenamento estacionário de energia.

Esse segmento tem registrado crescimento nos Estados Unidos, impulsionado pela expansão de data centers e pela necessidade de reforço da rede elétrica, segundo dados públicos do setor energético.

Relatórios do setor indicam aumento da capacidade instalada de armazenamento em escala de utilidade ao longo do ano, em comparação com o patamar registrado no fim de 2024.

O uso dessas baterias permite maior flexibilidade na operação do sistema elétrico, especialmente em regiões com crescimento acelerado da demanda.

Fábrica no Kentucky terá conversão e demissões durante transição

No estado do Kentucky, a Ford anunciou a suspensão da produção em uma fábrica de baterias localizada em Glendale para uma conversão estimada em US$ 2 bilhões.

O objetivo é direcionar a unidade para a fabricação de células voltadas ao armazenamento de energia.

Durante o período de adaptação, a empresa informou que 1.600 funcionários serão demitidos.

A montadora declarou, no entanto, que pretende contratar 2.100 trabalhadores quando a unidade retomar as operações, com previsão para 2027.

A reorganização ocorre após o encerramento de uma joint venture com a fabricante sul-coreana SK On.

Segundo a Ford, parte da produção será direcionada para células de fosfato de ferro-lítio (LFP).

O fornecimento da tecnologia será feito por meio de um acordo de licenciamento com a chinesa CATL, voltado exclusivamente ao segmento de armazenamento estacionário.

Planta de Michigan amplia foco em LFP e veículos menores

A planta de Marshall, em Michigan, foi incluída no redesenho industrial anunciado pela empresa.

De acordo com a Ford, a unidade passará a produzir células LFP destinadas ao armazenamento de energia.

A fábrica também dará suporte a uma nova linha de veículos elétricos menores e de menor custo, prevista para entrar em produção a partir de 2027.

A montadora informou que essa estratégia difere da abordagem anterior, concentrada em veículos elétricos de maior porte.

Esses modelos exigem baterias maiores e investimentos mais elevados, segundo a própria empresa.

Fábrica no Tennessee muda de foco e adia início das operações

Outra alteração envolve o complexo industrial de Stanton, no Tennessee.

A unidade é descrita pela montadora como sua primeira nova planta de montagem em décadas.

Inicialmente planejada para produzir picapes totalmente elétricas, a fábrica deverá ser convertida para a produção de caminhões a combustão.

Segundo a Ford, o local fabricará um novo modelo que não integra as atuais linhas de picapes pequenas, médias ou grandes da empresa.

O início das operações foi adiado para 2029, após sucessivos ajustes no cronograma originalmente anunciado.

Metas da Ford para eletrificação até 2030

Apesar das mudanças, a Ford afirmou que mantém a eletrificação como parte relevante de sua estratégia de longo prazo.

A empresa projeta que 50% de suas vendas globais até 2030 venham de híbridos, veículos elétricos de autonomia estendida e elétricos puros.

Atualmente, esse percentual é significativamente menor, segundo dados divulgados pela própria montadora.

Executivos da empresa defendem que a combinação entre híbridos e baterias de menor custo pode ampliar a competitividade dos produtos.

A estratégia também busca reduzir riscos financeiros associados a grandes investimentos industriais, especialmente em um cenário de demanda ainda incerta por veículos totalmente elétricos.

Com cancelamentos de projetos, conversões de fábricas e uma nova alocação de capital, a Ford ajusta sua trajetória no processo de transição tecnológica.

Até que ponto essa estratégia será suficiente para equilibrar investimentos, atender às metas ambientais e responder às mudanças do mercado automotivo global?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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