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Finlândia, o país mais feliz do mundo, quer contratar 140 mil profissionais de tecnologia e está de olho nos brasileiros: vistos saem em apenas duas semanas e salários com jornada de 37 horas semanais surpreendem

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 01/04/2026 às 20:31
Atualizado em 01/04/2026 às 20:34
A Finlândia, país mais feliz do mundo, oferece vagas de tecnologia e visto de trabalho em duas semanas para brasileiros, com jornada de 37 horas semanais
A Finlândia, país mais feliz do mundo, oferece vagas de tecnologia e visto de trabalho em duas semanas para brasileiros, com jornada de 37 horas semanais
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A Finlândia, eleita o país mais feliz do mundo pelo ranking mundial da felicidade, precisa de 140 mil trabalhadores de tecnologia até 2035 e colocou os brasileiros entre os principais alvos: vistos saem em duas semanas, a jornada é de 37,5 horas semanais e a licença paternidade chega a cinco meses.

Se todos os brasileiros que vivem na Finlândia se reunissem hoje, não encheriam uma única arquibancada de estádio. São apenas 2.611 pessoas, segundo o Ministério das Relações Exteriores. Mas o país mais feliz do mundo decidiu que quer mudar esse número. O governo finlandês anunciou um plano para contratar 140 mil profissionais de tecnologia até 2035 e os brasileiros estão entre os três principais públicos visados, ao lado de indianos e vietnamitas.

Na reportagem do g1, para tornar a oferta ainda mais atraente, a Finlândia pretende reduzir o prazo de emissão de vistos de trabalho para apenas duas semanas quando o candidato já tiver uma proposta formal de emprego. O país também negocia com o Brasil um acordo bilateral de previdência social que permitiria ao brasileiro manter o direito à aposentadoria no INSS mesmo trabalhando no exterior. Na prática, isso elimina um dos maiores medos de quem pensa em emigrar: perder anos de contribuição previdenciária.

Por que o país mais feliz do mundo está de olho nos brasileiros

A Finlândia, país mais feliz do mundo, oferece vagas de tecnologia e visto de trabalho em duas semanas para brasileiros, com jornada de 37 horas semanais

A resposta passa por dois problemas que a Finlândia enfrenta ao mesmo tempo. O primeiro é o envelhecimento acelerado da população. Nove em cada dez municípios finlandeses registram mais mortes do que nascimentos, e a estimativa oficial é de que 1 milhão de finlandeses vão se aposentar nos próximos anos. Para um país com menos de 6 milhões de habitantes, isso representa um buraco gigantesco no mercado de trabalho.

O segundo problema é a guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura quatro anos. Trabalhadores russos e ucranianos formavam uma parcela importante da mão de obra estrangeira na Finlândia, e essa fonte praticamente secou.

“Avaliamos diferentes países sob a perspectiva das empresas finlandesas e também onde há grande oferta de profissionais”, explica Laura Lindemann, diretora do Work in Finland, órgão governamental de atração de talentos.

Lindemann acrescenta que o Brasil já tinha conexões com o país mais feliz do mundo antes mesmo desse plano. A Business Finland mantém escritório no país, há uma embaixada ativa e empresas finlandesas já exportam para cá. “Não é preciso começar tudo do zero. As conexões entre Finlândia e Brasil já existem”, afirma a diretora.

As vagas são em tecnologia de ponta e exigem perfil específico

A Finlândia não está buscando qualquer profissional de tecnologia. O foco é o setor de deep tech, que envolve pesquisas de base científica transformadas em produtos comerciais.

As áreas mais aquecidas incluem inteligência artificial, computação quântica, semicondutores, microchips e tecnologia voltada à saúde. Empresas como IQM, Bluefors e SemiQon estão se expandindo rapidamente e precisam de pesquisadores e engenheiros que o mercado local simplesmente não consegue fornecer.

Todas as posições exigem domínio do inglês. Diferentemente do Reino Unido, por exemplo, a Finlândia não cobra um certificado padronizado de proficiência no idioma, mas é necessário se comunicar com fluência.

O finlandês e o sueco são diferenciais importantes, mas não obrigatórios para a contratação. A expectativa, porém, é que o profissional demonstre interesse em aprender ao menos o finlandês após a mudança, principalmente se quiser assumir posições de liderança no futuro.

Atualmente, o portal do Work in Finland lista quase 800 vagas abertas, mas há posições publicadas apenas nos sites das próprias empresas. Os interessados precisam ampliar a busca para além do portal oficial se quiserem encontrar todas as oportunidades disponíveis no país mais feliz do mundo.

Formações em ciências naturais como matemática, física e química são especialmente valorizadas por causa da relação direta com os setores de pesquisa e inovação que sustentam o plano de crescimento finlandês.

Jornada de 37 horas, férias mais longas e licença parental que impressiona

A proposta da Finlândia vai além do salário. A jornada de trabalho padrão no país mais feliz do mundo é de 37,5 horas semanais, contra 44 horas no Brasil. São de 25 a 30 dias úteis de férias por ano, e não 30 dias corridos como no Brasil, o que na prática significa consideravelmente mais tempo de descanso.

Mas o dado que mais surpreende está na licença parental. Mães finlandesas têm direito a cerca de dez meses e meio de licença, enquanto no Brasil são quatro meses.

Para os pais, a diferença é ainda mais brutal: cerca de cinco meses na Finlândia contra os atuais cinco dias úteis no Brasil, que serão ampliados progressivamente para 20 dias apenas a partir de 2029. Esses benefícios fazem parte do que sustenta a posição da Finlândia no topo do ranking mundial de felicidade.

Laura Lindemann faz questão de destacar que o país não espera que os brasileiros abandonem tudo sem receber nada em troca.

O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é um dos pilares da cultura de trabalho finlandesa e se reflete diretamente na qualidade de vida que mantém o país no topo do ranking global de felicidade.

Desemprego alto e vagas sobrando ao mesmo tempo

Um dado que pode parecer contraditório chama atenção: a Finlândia tem uma taxa de desemprego de quase 11%, bem acima da brasileira. Como um país com tanta gente desempregada precisa importar trabalhadores? A resposta está no descompasso entre a formação da mão de obra local e as competências exigidas pelas vagas abertas.

Com o envelhecimento da população, grande parte dos desempregados finlandeses não possui formação em áreas contemporâneas como computação quântica ou inteligência artificial.

“Os empregadores precisam primeiro verificar se há talentos disponíveis na Finlândia ou na União Europeia. Somente se não encontrarem é que podem contratar fora”, explica Lindemann. Essa regra, no entanto, não se aplica a pesquisadores, que podem ser contratados diretamente do exterior sem restrições.

A diretora do Work in Finland é direta ao explicar a lógica por trás dessa aparente contradição. O país mais feliz do mundo precisa de crescimento econômico para sustentar seu sistema de bem estar social, e esse crescimento depende de profissionais que simplesmente não existem em quantidade suficiente dentro da Finlândia ou da Europa. “Precisamos dos melhores talentos para gerar crescimento”, resume Lindemann.

O que significa o ranking de felicidade na prática

Muitos brasileiros se surpreendem ao saber que a Finlândia lidera o ranking dos países mais felizes enquanto o Brasil, tão associado à alegria, ocupa a 32ª posição. A explicação está no que o ranking mede: não é sobre sorrisos ou bom humor, mas sobre qualidade de vida.

A pesquisa faz uma única pergunta central. Os entrevistados imaginam uma escada onde o topo representa a melhor vida possível e a base representa a pior, e então respondem em que degrau consideram estar naquele momento.

São entrevistadas cerca de mil pessoas por país a cada ano. Questionamentos adicionais sobre liberdade e emoções ajudam a entender os motivos por trás de cada nota, mas não determinam a posição no ranking.

Isso significa que o país mais feliz do mundo é, na verdade, o país onde as pessoas avaliam sua própria vida de forma mais positiva. A Finlândia é um lugar frio, onde as temperaturas chegam a menos 20 graus e o inverno transforma a noite em quase o dia inteiro.

“Um dos motivos pelos quais os brasileiros deveriam se mudar para a Finlândia é a alegria que poderiam trazer, somada à felicidade finlandesa”, diz Lindemann. Segundo ela, a combinação do jeito brasileiro de encarar a vida com a estrutura finlandesa de bem estar seria “perfeita”.

Você se mudaria para a Finlândia para trabalhar com tecnologia mesmo enfrentando temperaturas de menos 20 graus e noites que duram quase o dia inteiro? Conta nos comentários o que mais te atraiu e o que te faria pensar duas vezes antes de aceitar essa proposta.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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