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Fim do home office no Nubank revolta trabalhadores: demissões, falta de negociação, perdas financeiras e riscos para quem depende do remoto expõem tensão

Publicado em 15/11/2025 às 13:58
Mudança no regime de trabalho gera crise no Nubank: funcionários divulgam manifesto, relatam punições e exigem acordo coletivo para manter home office.
Mudança no regime de trabalho gera crise no Nubank: funcionários divulgam manifesto, relatam punições e exigem acordo coletivo para manter home office.
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O anúncio do fim do home office no Nubank desencadeou manifesto, plenária com quase 300 trabalhadores e relatos de perdas financeiras, risco de demissão por justa causa e pressão extra sobre quem depende do trabalho remoto para conciliar vida pessoal e profissional.

Funcionários do Nubank que organizaram a vida em outras cidades, assumiram aluguéis, financiaram imóveis e estruturaram a rotina de cuidados com filhos, pais e pessoas com deficiência agora veem o modelo híbrido como uma ameaça concreta ao orçamento familiar e à estabilidade no emprego.

Os trabalhadores do Nubank divulgam manifesto, participaram de plenária virtual com o sindicato e afirmam que a transição para o modelo híbrido foi definida sem negociação efetiva, em choque com a promessa de flexibilidade que atraiu parte da equipe para o banco digital.

No mesmo movimento, relatos de demissões por justa causa de funcionários que criticaram o fim do remoto aumentaram o clima de insegurança e aprofundaram o desgaste na relação entre Nubank e empregados, especialmente entre grupos minorizados que dizem ter sido impactados de maneira desproporcional.

Manifesto e plenária expõem ruptura de confiança no Nubank

O manifesto preparado por trabalhadores do Nubank ganhou força após uma plenária virtual organizada pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, que reuniu quase 300 participantes.

Ali, falas se concentraram na crítica à forma como a mudança foi comunicada e na percepção de que não houve diálogo concreto antes da decisão.

Entre os presentes, a avaliação predominante foi de que o Nubank impôs o novo modelo de trabalho, em vez de construir uma solução negociada com quem já havia estruturado a vida em função do home office.

Relatos apresentados ao sindicato indicam que diversas pessoas ingressaram no Nubank justamente pela possibilidade de trabalho remoto, o que permitiu morar longe dos grandes centros, em cidades com custo de vida menor, ou próximos de familiares que precisam de apoio diário.

O manifesto cita ainda estudos sobre o impacto diferenciado das mudanças de jornada sobre cuidadores, em especial quem acompanha pessoas com deficiência ou idosos, ponto que, segundo os funcionários, não foi adequadamente considerado na nova política do Nubank.

Como o novo modelo híbrido do Nubank muda a vida de quem depende do remoto

Pelas regras anunciadas, o Nubank pretende adotar um modelo híbrido com dois dias presenciais por semana a partir de julho de 2026 e três dias presenciais por semana a partir de janeiro de 2027, atingindo cerca de 70 por cento do quadro.

Atualmente, a exigência é de apenas uma semana presencial por trimestre.

Na prática, trabalhadores afirmam que o novo desenho do Nubank torna inviável a permanência de quem vive longe dos escritórios ou não consegue arcar com deslocamentos frequentes para grandes centros urbanos.

Funcionários relatam que o custo adicional com transporte, alimentação fora de casa e eventuais estadias em cidades onde o Nubank mantém escritórios reduziria de forma relevante a renda disponível, corroendo parte do salário líquido e anulando ganhos que motivaram a mudança para o remoto.

Cuidadores de crianças pequenas, idosos ou pessoas com deficiência apontam que a necessidade de presença constante nos escritórios do Nubank implica reorganizar toda a rede de apoio, contratar serviços e assumir gastos extras, o que pode se tornar inviável financeiramente.

Demissões, medo de punição e reivindicações dos trabalhadores do Nubank

O clima se acirrou após o anúncio de desligamentos por justa causa de funcionários que teriam criticado o fim do home office em reunião com a alta liderança do Nubank, incluindo o CEO David Vélez. Em redes profissionais, ele indicou que os limites aceitáveis de conduta teriam sido ultrapassados, o que motivou as demissões.

Para muitos trabalhadores, o episódio foi interpretado como sinal de que questionar decisões internas do Nubank pode custar o emprego, o que aumenta o medo de se posicionar e fragiliza ainda mais o ambiente de confiança.

Durante a plenária, participantes relataram que as demissões atingiram principalmente pessoas de grupos minorizados, o que alimentou a mobilização em torno da reversão das punições e da discussão sobre possíveis impactos discriminatórios.

O formulário de exceções criado pelo Nubank para analisar casos específicos é outro foco de crítica. Segundo relatos, o recurso não estaria disponível para todas as áreas e dependeria de certo nível de senioridade, o que deixaria parte significativa da base sem alternativa formal para manter o trabalho remoto.

Entre as principais reivindicações estão a suspensão de advertências e punições associadas às manifestações contra o fim do home office, a reintegração dos demitidos e a abertura de uma mesa de negociação que envolva sindicato, trabalhadores e direção do Nubank.

Próximos passos do sindicato e resposta oficial do Nubank

O sindicato orientou que trabalhadores do Nubank registrem denúncias pelos canais formais, com garantia de sigilo, para construir um dossiê detalhado sobre eventuais abusos, pressões e consequências da mudança do modelo de trabalho.

A entidade já sinaliza que pode ingressar com ações judiciais, acionar órgãos públicos de mediação e convocar novas plenárias, caso o Nubank não apresente respostas concretas sobre demissões, exceções e condições para quem depende do remoto.

Uma nova reunião entre representantes dos trabalhadores e a direção do Nubank está prevista para os próximos dias, com expectativa de que a empresa esclareça critérios usados para exceções, explique a política de advertências e apresente caminhos para um acordo coletivo com regras claras e previsíveis.

Em comunicado, o Nubank afirma que mantém diálogo aberto com entidades representativas, defende que o modelo híbrido combina o melhor do presencial e do remoto e diz basear a decisão em estudos internos e comparações com empresas de alta performance.

A instituição menciona que oferecerá suporte à realocação, analisará casos específicos por meio do formulário de exceções e destaca que o trabalho presencial será o novo padrão para a maior parte das equipes, enquanto investe em novos escritórios no Brasil e no exterior.

O que está em jogo na disputa sobre o trabalho remoto no Nubank

No centro do conflito está a tentativa do Nubank de reforçar presença física, cultura corporativa e colaboração em um contexto em que parte da força de trabalho se organizou integralmente em torno do modelo remoto.

A forma e o ritmo da transição, porém, são vistos pelos trabalhadores como bruscos e pouco dialogados.

O desfecho desse embate no Nubank pode servir de referência para outras empresas de tecnologia e serviços financeiros que ainda buscam um equilíbrio entre home office e presença no escritório, especialmente quando promessas de flexibilidade foram parte central da atração de talentos.

Para o sindicato e para os funcionários mobilizados, a prioridade é garantir segurança jurídica e previsibilidade para quem já havia estruturado a vida em função do home office no Nubank, evitando que mudanças unilaterais resultem em perdas financeiras, impacto desproporcional sobre cuidadores e demissões em contexto de divergência legítima.

Enquanto o Nubank aposta em uma transição gradual para o híbrido, com discurso de fortalecimento da inovação e da cultura, trabalhadores pressionam por um processo mais transparente, com participação efetiva e mecanismos de proteção a quem não consegue, por motivos econômicos ou familiares, adotar a nova rotina presencial.

Na sua visão, o Nubank deveria rever a forma como está conduzindo o fim do home office ou seguir com o plano atual de modelo híbrido mesmo diante da resistência dos funcionários? Deixe sua opinião nos comentários.

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Fonte
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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