1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Fim da casa construída tijolo por tijolo? Gigante da tecnologia LG se une a uma construtora australiana para criar casas modulares com energia solar e bateria que podem economizar até 35% na conta de luz
Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

Fim da casa construída tijolo por tijolo? Gigante da tecnologia LG se une a uma construtora australiana para criar casas modulares com energia solar e bateria que podem economizar até 35% na conta de luz

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 04/06/2026 às 12:48
Atualizado em 04/06/2026 às 12:54
  • Reação
  • Reação
4 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

A parceria entre LG e Greater Homes coloca a construção modular no centro da crise habitacional australiana, com moradias fabricadas fora do canteiro, gestão energética por IA e promessa de reduzir custos de obra e consumo elétrico.

A LG Electronics Australia entrou em um dos debates mais urgentes da atualidade: como construir casas mais rápido, gastar menos energia e enfrentar uma crise habitacional que pressiona milhões de famílias. A empresa se uniu à construtora australiana Greater Homes para desenvolver um piloto de casas modulares com inteligência artificial, gestão energética avançada e construção fora do canteiro tradicional.

A proposta parece saída de um futuro próximo, mas já está sendo testada na Austrália. Segundo a LG Australia, o projeto combina moradias modulares, sistema de gerenciamento energético por IA, eletrodomésticos inteligentes, energia solar e baterias para tentar reduzir custos de construção e também a conta de luz dos moradores.

O ponto mais chamativo está nos números: testes anteriores feitos nos Estados Unidos indicaram uma economia sazonal média de 9% a 11% nos gastos totais de eletricidade. Quando o sistema foi combinado com painéis solares e baterias, a economia chegou a aproximadamente 35%, um índice capaz de transformar a discussão sobre casa própria, energia e tecnologia residencial.

Casa modular com IA vira aposta contra crise habitacional

A Austrália enfrenta uma crise imobiliária profunda. O país tem como meta construir 1,2 milhão de novas moradias entre julho de 2024 e junho de 2029, mas o ritmo atual está abaixo do necessário para alcançar esse objetivo.

De acordo com os dados citados pela LG, foram concluídas cerca de 174.200 moradias no ano fiscal de 2025, enquanto a necessidade anual estimada gira em torno de 240 mil unidades. A diferença ajuda a explicar por que o país pode acumular um déficit de aproximadamente 375 mil casas durante o período do acordo nacional de habitação.

É nesse cenário que a parceria entre LG e Greater Homes ganha força. A construção modular aparece como uma alternativa para acelerar obras, reduzir desperdícios e tirar parte da pressão dos canteiros tradicionais, onde atrasos, custos altos e falta de mão de obra continuam sendo obstáculos gigantes.

Construção fora do canteiro promete reduzir prazos e custos

A grande diferença das casas modulares está no processo. Em vez de construir tudo diretamente no terreno, boa parte da estrutura é fabricada em ambiente controlado, fora do canteiro, e depois transportada para instalação.

Segundo a LG, esse modelo pode reduzir os prazos de construção entre 20% e 40%, com ciclos de produção entre 10 e 16 semanas. Em comparação, programas habitacionais tradicionais podem levar de 12 a 18 meses, dependendo da região, do projeto e das condições de obra.

Além da velocidade, existe o fator financeiro. A empresa afirma que, em escala, a construção modular pode gerar eficiências de custo entre 20% e 30%. Para um mercado pressionado por imóveis caros, juros, aluguel alto e falta de oferta, essa diferença pode ser decisiva.

Casa modular inteligente entra na mira da LG na Austrália: projeto combina construção fora do canteiro tradicional, inteligência artificial, energia solar e baterias para tentar reduzir prazos de obra e alcançar economia de até 35% na conta de luz.
Casa modular inteligente entra na mira da LG na Austrália: projeto combina construção fora do canteiro tradicional, inteligência artificial, energia solar e baterias para tentar reduzir prazos de obra e alcançar economia de até 35% na conta de luz.

IA entra para controlar energia dentro da casa

O projeto não se limita a erguer casas mais rapidamente. A parte mais tecnológica está no sistema Home Energy Management System, conhecido como HEMS, integrado via Homey Pro.

Na prática, o sistema usa modelagem por inteligência artificial para analisar e otimizar o consumo da residência. Ele pode coordenar o funcionamento de equipamentos como ar-condicionado, aquecimento de água, eletrodomésticos, baterias e geração solar.

A lógica é simples, mas poderosa: a casa deixa de consumir energia de forma desorganizada e passa a funcionar como um sistema inteligente. A IA pode ajudar a escolher melhores horários de uso, reduzir desperdícios e aproveitar melhor a energia gerada pelos painéis solares.

Economia de até 35% chama atenção

O dado de maior impacto é a economia potencial na conta de luz. Em testes de conceito realizados pela LG nos Estados Unidos, o sistema HEMS conseguiu reduzir os gastos elétricos totais da residência em 9% a 11%, considerando variações sazonais.

Mas o número cresce quando entram energia solar e bateria residencial. Nesse cenário, a economia chegou a aproximadamente 35%, segundo os dados apresentados pela empresa.

Para famílias que enfrentam tarifas altas, esse resultado pode significar uma mudança concreta no orçamento mensal. A ideia de uma casa que nasce preparada para gastar menos energia muda o debate sobre moradia: não se trata apenas do preço de compra, mas também do custo de viver nela.

Protótipo de casa modular da LG mostra como a construção fora do canteiro tradicional pode acelerar obras e integrar tecnologia desde a fábrica: o projeto australiano combina moradia industrializada, inteligência artificial, energia solar e baterias para tentar reduzir prazos e economizar até 35% na conta de luz.
Protótipo de casa modular da LG mostra como a construção fora do canteiro tradicional pode acelerar obras e integrar tecnologia desde a fábrica: o projeto australiano combina moradia industrializada, inteligência artificial, energia solar e baterias para tentar reduzir prazos e economizar até 35% na conta de luz.

Tecnologia chega antes da casa ficar pronta

Um detalhe importante é que a LG quer integrar a tecnologia desde o começo do projeto, e não depois que a casa já está concluída. Isso muda a lógica tradicional das casas inteligentes.

Em muitos casos, moradores compram sensores, tomadas, lâmpadas, assistentes virtuais e equipamentos inteligentes depois da mudança. No piloto da LG com a Greater Homes, a proposta é diferente: a residência já nasce com infraestrutura pensada para eficiência energética, automação residencial e gerenciamento por IA.

Isso pode tornar o sistema mais eficiente, porque a construção, os equipamentos e a energia passam a ser pensados como uma única solução.

Greater Homes aposta em casas mais rápidas e sustentáveis

A Greater Homes, parceira da LG no projeto, é uma construtora australiana ligada ao Greater Group e atua com projetos residenciais, comerciais e de grande escala. A empresa aposta na construção modular como caminho para entregar moradias mais previsíveis, rápidas e eficientes.

Segundo as informações divulgadas, as casas devem buscar conformidade com o National Construction Code, desempenho energético de 7 estrelas NatHERS e uso de materiais com mais de 80% de potencial reciclável ou reutilizável ao fim da vida útil.

Esse conjunto fortalece a narrativa de sustentabilidade. Não é apenas uma casa montada mais rápido; é uma tentativa de criar um modelo industrializado, energeticamente eficiente e menos dependente dos problemas tradicionais da construção civil.

Projeto será testado em regiões prioritárias da Austrália

A LG afirma que quatro regiões foram identificadas como prioridades para o piloto. As atividades iniciais de construção, comissionamento, coleta de dados e resultados preliminares devem ocorrer ao longo de 2026.

O objetivo é validar se os números observados em testes anteriores podem se repetir nas condições australianas. Isso inclui diferenças de clima, tarifas de energia, comportamento dos moradores, regras locais, tipo de terreno e capacidade de integração com energia solar e baterias.

Esse ponto é fundamental: a economia de 35% não deve ser tratada como garantia automática para qualquer casa. Ela representa um potencial observado em testes específicos, que agora será colocado à prova em um cenário real.

Casa própria, IA e conta de luz menor no mesmo pacote

O que torna o projeto tão forte é a união de problemas que normalmente aparecem separados. A casa própria está mais cara, a construção demora, a conta de luz pesa no orçamento e a transição energética exige soluções mais inteligentes.

A parceria entre LG e Greater Homes tenta atacar tudo isso ao mesmo tempo: construir fora do canteiro, reduzir prazos, controlar melhor o consumo de energia, integrar IA e preparar as casas para energia solar e armazenamento em bateria.

Se o piloto confirmar os resultados esperados, o modelo pode abrir caminho para uma nova geração de moradias: casas fabricadas de forma mais industrial, entregues mais rápido e projetadas desde o início para consumir menos energia.

Em um mercado onde morar ficou caro demais para milhões de pessoas, a ideia de uma casa modular com inteligência artificial, economia de energia e construção acelerada deixa de ser apenas uma aposta tecnológica. Pode se tornar uma das respostas mais chamativas para a crise habitacional dos próximos anos.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fonte
Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x