Antônio Pedro Matias mora na Serrinha há 62 anos, cria gado e burros, tira 6 litros de leite por dia, armazena água em milhares de garrafas e sustenta a família com trabalho contínuo no campo
No alto da Serrinha, em uma região elevada e de clima fresco, a vida segue em um ritmo próprio. Ali nasceu e se criou Antônio Pedro Matias, conhecido como Pedro, que hoje tem 62 anos e nunca deixou o lugar onde construiu sua história.
A paisagem ao redor da casa de taipa revela uma rotina moldada pelo trabalho constante. Gado, burros, bezerros, milho, mandioca e água armazenada fazem parte de um cotidiano em que cada tarefa tem hora e necessidade definida.
Uma vida inteira dedicada aos animais desde a infância
Pedro conta que cuida de animais desde menino. O hábito virou identidade. Ele afirma que gosta de criar e que sente satisfação em ver os bichos bem tratados.
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Os burros ocupam papel central nessa rotina. Para ele, são os pés e as mãos do dia a dia. São usados para carregar água, alimento e tudo o que precisa ser transportado na serra. Por isso, recebem milho três vezes ao dia, tanto no inverno quanto no verão.
Leite todos os dias e produção ajustada ao ritmo da serra
Mesmo com o terreno íngreme, Pedro mantém a ordenha diária. Todos os dias, por volta das 18h, ele tira leite respeitando o horário do bezerro.
Cada vaca produz cerca de 6 litros de leite, quantidade que varia conforme o clima. No inverno, segundo ele, o trabalho rende mais. A água aparece com mais facilidade e o gado se alimenta melhor.
Água carregada no lombo do burro é prioridade absoluta
Na Serrinha, não existe água encanada. Toda a água usada na casa vem de cacimbas. A principal fica a cerca de 250 metros da residência.
Para enfrentar a seca, a família armazena água em tudo o que pode. São cerca de 5.000 garrafas, além de tambores espalhados pelo terreno. No período de chuva, tudo é enchido. No tempo seco, cada reservatório faz diferença.
Família divide tarefas para manter o funcionamento da casa
Pedro mora com a esposa e duas filhas. Uma delas ajuda diariamente no transporte da água, já que ele sofre com problemas na coluna e não pode carregar peso.
As mulheres também cuidam das plantas ao redor da casa. Pequenas hortas, pés de frutas e flores mostram que, mesmo com limitações, o quintal segue produtivo.
Milho, feijão e mandioca garantem alimento e ração
A produção agrícola acompanha o ciclo do inverno. Pedro planta milho e feijão todos os anos. Ele explica que colhe cerca de 40 sacos de milho por safra e até nove sacos de feijão, dependendo das condições do ano.
Parte do milho vira ração para os animais. Outra parte é armazenada. A mandioca também entra na alimentação do gado, quebrada e distribuída para garantir que comida nunca falte.
Ferramentas simples e máquinas antigas sustentam a rotina
No galpão, o cenário revela a realidade do agricultor. Machado, foice, carrinho de mão, moinho de milho e um motor usado para triturar forragem fazem parte do dia a dia.
Algumas manutenções exigem investimento. Ele cita um conserto que custou R$ 1.330, mas explica que sem o equipamento o trabalho não anda.
Casa de taipa, fogão a lenha e organização no cotidiano
A casa onde Pedro mora é de taipa, com piso queimado e tudo bem organizado. Há fogão a lenha, geladeira e utensílios simples, cada um no seu lugar.
O ambiente mostra cuidado e dignidade. Mesmo com poucos recursos, nada falta. Tudo tem função e uso definido.
Trabalho diário como forma de manter a vida no campo
Pedro resume a própria rotina com uma frase direta. Quem luta com galho não tem parada. Ele trabalha de domingo a domingo, não por escolha, mas por necessidade.
A história vivida na Serrinha mostra um retrato fiel do campo brasileiro. Em regiões altas, longe da cidade e sem estrutura básica, famílias seguem produzindo, criando animais e mantendo um modo de vida que resiste ao tempo e às dificuldades.
Fonte: ISRAEL PURO SERTÃO


Gostei muito da matéria .
Muito simpático .
Deus o proteja sempre.
Amei o vídeo 👏👏👏
Queria ver as outras pessoas da família. Ele é muito simpático.