1. Início
  2. Economia
  3. Fábrica bilionária da JBS no Oriente Médio: investimento de R$ 750 milhões prevê processar até 600 mil aves por dia, inclui bovinos e cordeiros, deve gerar mais de 3 mil empregos e ampliar presença global da empresa em mercado halal
Faça um comentário 8 min de leitura

Fábrica bilionária da JBS no Oriente Médio: investimento de R$ 750 milhões prevê processar até 600 mil aves por dia, inclui bovinos e cordeiros, deve gerar mais de 3 mil empregos e ampliar presença global da empresa em mercado halal

Imagem de perfil do autor Maria Heloisa Barbosa Borges
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 10/03/2026 às 13:45
JBS amplia investimento em Omã no Oriente Médio, mira o mercado halal e reforça produção, exportação e empregos.
JBS amplia investimento em Omã no Oriente Médio, mira o mercado halal e reforça produção, exportação e empregos.
  • Reação
1 pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Com participação majoritária da JBS em uma joint venture com a Oman Food Capital, o projeto reúne duas estruturas produtivas, aposta no mercado halal, prevê mais de 300 mil toneladas por ano e coloca Omã no centro de uma expansão industrial voltada à produção local e exportação de proteínas diversificadas.

A JBS anunciou um investimento de aproximadamente R$ 750 milhões para montar uma nova plataforma industrial de produção de proteínas em Omã, no Oriente Médio, em um movimento que combina escala, posicionamento geográfico e foco em um mercado consumidor com enorme relevância internacional. A proposta envolve aves, bovinos e cordeiros, além da criação de mais de 3 mil empregos diretos ao longo dos próximos anos.

O projeto não se limita à abertura de uma nova unidade isolada. Ele foi desenhado para integrar estruturas já em desenvolvimento no país, fortalecer a produção local de alimentos e transformar Omã em uma base estratégica para exportação de produtos halal. Na prática, a operação amplia o alcance internacional da companhia e reforça uma presença mais estruturada em uma região vista como decisiva para o setor de proteínas.

JBS aposta em Omã para abrir uma nova frente de crescimento

A operação será estruturada por meio de uma joint venture, modelo em que duas organizações dividem participação, investimento e gestão. Nesse arranjo, a JBS ficará com 80% da holding recém-criada, enquanto os 20% restantes permanecerão com a OFC, sigla para Oman Food Capital, braço de investimentos em alimentos e agronegócio da Oman Investment Authority, o fundo soberano do país.

Esse formato mostra que o projeto não nasce apenas como uma expansão industrial comum. Ele surge a partir de uma associação entre a experiência global da JBS no setor de proteínas e o interesse de Omã em ampliar sua capacidade produtiva interna. É uma combinação entre capital, estratégia logística e objetivo de longo prazo, algo que ajuda a explicar por que o investimento ganhou dimensão tão relevante.

A escolha do país também tem relação direta com o papel que Omã busca ocupar na economia regional. A parceria está alinhada à Visão 2040, plano estratégico nacional voltado à diversificação econômica e ao fortalecimento da segurança alimentar. Isso faz com que a chegada da JBS atenda a dois interesses ao mesmo tempo: a expansão internacional da empresa e a consolidação de uma base produtiva mais robusta no território omanense.

Capacidade industrial coloca o projeto entre os mais ambiciosos da região

O novo complexo reúne duas estruturas produtivas já em desenvolvimento e deve alcançar capacidade anual superior a 300 mil toneladas. Dentro desse desenho industrial, a operação prevê o processamento diário de cerca de 1 mil bovinos, aproximadamente 5 mil cordeiros e até 600 mil aves por dia. Esses números colocam a iniciativa em um patamar de escala que chama atenção mesmo em um setor acostumado a grandes volumes.

A previsão operacional também revela uma implementação em etapas. Segundo a programação informada, a operação de carne bovina e ovina deve começar em até seis meses, enquanto a produção de aves tem início previsto em cerca de 12 meses.

Essa diferença de calendário sugere que a estrutura foi planejada para ganhar tração progressivamente, reduzindo gargalos de implantação e permitindo uma entrada organizada em diferentes frentes produtivas.

Outro ponto importante é que o projeto não se apoia em uma única proteína. Ao incluir aves, bovinos e cordeiros, a JBS amplia sua flexibilidade comercial e reduz a dependência de um único segmento. Essa diversificação aumenta a capacidade de adaptação da operação diante de demandas específicas de mercado, além de fortalecer a presença da companhia em categorias com perfis distintos de consumo.

A localização das plantas ajuda a explicar o peso estratégico do investimento

Grande parte dos recursos será direcionada à finalização da planta integrada de aves da A’Namaa, instalada na região de Ibri, no norte de Omã. A cidade fica a aproximadamente 380 quilômetros a oeste de Mascate, capital do país, e a 280 quilômetros ao sul de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Essa posição geográfica reforça a importância logística da unidade, especialmente para conexão com grandes centros de circulação comercial no Golfo.

Os aportes também incluem a unidade de processamento de carne bovina e cordeiro da Al Bashayer, situada em Thumrait, no sul de Omã. Com isso, o projeto se distribui em duas frentes produtivas dentro do país, permitindo uma base operacional mais ampla e mais adequada às diferentes etapas da cadeia. Não se trata apenas de construir capacidade, mas de organizar essa capacidade em pontos que favoreçam escoamento, integração e expansão regional.

Essa distribuição territorial tem peso estratégico porque aproxima a produção de mercados consumidores importantes e, ao mesmo tempo, favorece a construção de Omã como plataforma de exportação. Para a JBS, isso significa operar mais perto de destinos relevantes para a proteína halal. Para o país, representa a chance de atrair investimento industrial, gerar empregos e ampliar sua participação em um segmento global altamente disputado.

Mercado halal dá sentido econômico e comercial ao avanço da JBS

A nova estrutura foi planejada para atender ao mercado halal, voltado à produção de alimentos que seguem normas religiosas islâmicas. Esse segmento reúne cerca de 2 bilhões de consumidores no mundo, o que ajuda a explicar por que grandes empresas do setor têm direcionado atenção crescente à região.

A entrada da JBS com uma operação dessa dimensão indica que o mercado halal deixou de ser apenas uma oportunidade complementar e passou a ocupar posição central na estratégia de crescimento.

Nesse contexto, Omã aparece como um ponto de equilíbrio entre produção local e acesso a mercados externos. A empresa não está apenas ampliando sua presença física em mais um país; ela está se instalando em uma base que pode servir de apoio para distribuição de proteínas com exigências específicas, em um ambiente em que certificação, regularidade de fornecimento e escala são fatores decisivos.

Há ainda um elemento importante no desenho do projeto: o investimento fortalece a produção local de alimentos, ao mesmo tempo em que abre espaço para exportação. Isso dá à operação um caráter duplo.

Por um lado, atende a uma agenda nacional de desenvolvimento e abastecimento. Por outro, consolida uma plataforma capaz de conectar a JBS a um mercado global em expansão. É justamente essa dupla função que transforma o investimento em algo maior do que a simples abertura de uma planta industrial.

Mais de 3 mil empregos e avanço internacional reforçam o alcance da operação

A expectativa é de criação de mais de 3 mil empregos diretos ao longo de cinco anos. Esses postos devem surgir em diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo produção agroindustrial, processamento de alimentos, logística, distribuição e qualificação da força de trabalho local. O impacto, portanto, vai além do chão de fábrica e alcança áreas essenciais para o funcionamento e a sustentação do complexo.

Esse dado ajuda a dimensionar a importância econômica do projeto dentro de Omã. Quando uma operação desse porte combina produção, transporte, processamento e treinamento de trabalhadores, o efeito tende a se espalhar por vários níveis da atividade econômica. O resultado esperado não é apenas aumento de capacidade industrial, mas também maior densidade produtiva em torno do empreendimento.

Para a JBS, o movimento também representa avanço concreto na sua presença internacional. Com o novo investimento, a companhia passará a ter operações em 26 países distribuídos por cinco continentes. Além disso, o projeto marca o primeiro investimento upstream da empresa no Oriente Médio, etapa da cadeia que envolve produção e processamento inicial de alimentos. Isso amplia o nível de controle da companhia sobre a operação na região e aprofunda sua atuação em uma frente que vai além da simples distribuição de produtos.

Nos últimos anos, a empresa já vinha reforçando sua atuação no Oriente Médio com a inauguração e ampliação de uma planta em Jedá, na Arábia Saudita, operações da marca Seara em Dammam e uma unidade industrial em Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. Atualmente, a JBS mantém cerca de 1.600 colaboradores na região.

O investimento em Omã, portanto, não surge como um passo isolado, mas como parte de uma expansão mais ampla e cuidadosamente construída.

O que o projeto sinaliza daqui para frente

A nova plataforma industrial da JBS em Omã reúne escala, diversificação de proteínas, localização estratégica e foco em um mercado com enorme peso demográfico e comercial.

Ao investir R$ 750 milhões em uma estrutura capaz de processar até 600 mil aves por dia, além de bovinos e cordeiros, a empresa reforça sua presença global e mostra que o Oriente Médio deixou de ser apenas uma frente complementar para se tornar uma peça efetiva no mapa de crescimento da companhia.

Ao mesmo tempo, o projeto indica como grandes grupos do setor de alimentos estão reorganizando suas operações para ficar mais próximos de mercados estratégicos, atender exigências específicas e construir bases produtivas com maior alcance regional. Quando investimento, logística, emprego e demanda internacional se encontram no mesmo projeto, o impacto tende a ser muito maior do que o tamanho da obra em si.

Na sua visão, esse avanço da JBS em Omã deve fortalecer a competitividade da empresa no mercado halal ou aumentar a disputa global por bases produtivas em regiões estratégicas? E esse tipo de investimento bilionário tende a gerar mais oportunidades locais ou concentrar ainda mais força nas gigantes do setor?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Tags
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x