Com avanço de 0,5% em janeiro de 2026, a agroindústria brasileira cresceu na contramão da indústria de transformação, sustentada pelo desempenho de alimentos e bebidas, pela força das exportações de proteínas e óleos vegetais e por altas expressivas em biocombustíveis e fumo
Exportações sustentaram a alta da agroindústria brasileira no início de 2026, com crescimento de 0,5% em janeiro na comparação interanual. O resultado colocou o setor na direção oposta da indústria de transformação, que recuou 1,9% no mesmo período.
Exportações impulsionam alimentos e bebidas
O avanço da agroindústria foi sustentado principalmente pelo cenário externo favorável e pela ampliação das exportações de proteínas e óleos vegetais. O desempenho ocorreu mesmo com sinais de desaceleração da economia doméstica.
Os segmentos de alimentos e bebidas cresceram 1,9% e responderam integralmente pela alta registrada no mês. A área de produtos alimentícios avançou 2,0%, puxada sobretudo pelos itens de origem vegetal.
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Produtos vegetais avançam, mas café recua
Os produtos de origem vegetal cresceram 5,1%, com destaque para conservas, sucos, óleos, arroz, trigo e refino de açúcar. A produção de café, porém, apresentou forte retração e ficou entre os pontos negativos do período.
Nos produtos de origem animal, a alta foi de 0,5%, o menor resultado desde setembro de 2025. Carnes, laticínios e pescados contribuíram para o desempenho positivo, em meio ao papel das exportações no início do ano.
Bebidas crescem com força dos não alcoólicos
O segmento de bebidas avançou 1,3% em janeiro, sustentado pelo crescimento de 3,5% das bebidas não alcoólicas. As bebidas alcoólicas tiveram queda de 0,8%, marcando a oitava retração consecutiva.
Os produtos não alimentícios caíram 1,5%, refletindo dificuldades em áreas mais dependentes do mercado interno. Os produtos têxteis lideraram as perdas, com recuo de 7,6%, seguidos pelos produtos florestais, que caíram 2,3%.
Setores menores crescem, mas não compensam perdas
Os insumos agropecuários recuaram 0,5%, pressionados pela menor fabricação de adubos, fertilizantes e máquinas agrícolas. Entre os resultados positivos, biocombustíveis cresceram 27,6% e fumo avançou 12,1%.
Apesar das altas expressivas, esses segmentos têm menor peso no índice geral e não compensaram as perdas em outras atividades. A sustentação da agroindústria nos próximos meses dependerá de fatores externos ainda não refletidos nos dados de janeiro, incluindo tensões geopolíticas e o comportamento das exportações.
