Enquanto fundos federais travam o túnel do Rio Hudson em disputa com Donald Trump, o corredor ferroviário segue vulnerável e a obra bilionária continua parada.
A disputa em torno do túnel mistura engenharia, finanças e política em alto nível. Estados, Justiça federal e o próprio Donald Trump se enfrentam em torno de um projeto de túnel ferroviário considerado crítico, enquanto o túnel centenário existente, já danificado por tempestades, continua recebendo reparos emergenciais e interrompendo o fluxo diário de trens de passageiros.
EUA liberam mais dinheiro, mas o túnel do Rio Hudson segue travado
A governadora de Nova York, Kathy Hochul, anunciou que o governo Trump liberou mais US$ 77 milhões em verbas federais congeladas para o Projeto do Túnel do Rio Hudson, que soma cerca de US$ 16 bilhões em investimentos.
Essa liberação parcial eleva para US$ 107 milhões o total destravado pelo Departamento de Transportes dos Estados Unidos.
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Apesar disso, a construção do túnel permanece paralisada e 1.000 trabalhadores continuam afastados do canteiro de obras.
Nova York e Nova Jersey recorreram à Justiça depois que o Departamento de Transportes reteve US$ 205 milhões em verbas desde 1º de outubro, decisão que acabou por congelar o ritmo da obra e provocar demissões em massa no projeto.
Túnel em disputa judicial e política sob o governo Trump
O destravamento recente de parte dos recursos não veio por vontade espontânea do governo federal. O Departamento de Transportes afirma estar apenas cumprindo a ordem de uma juíza distrital, Jeannette Vargas, que determinou a liberação dos fundos para o projeto no início do mês.
A Comissão de Desenvolvimento Gateway, responsável pela supervisão do túnel do Rio Hudson, reforça que a construção continua parada, mesmo com a verba sendo liberada em parcelas.
Segundo a comissão, o objetivo agora é criar condições para que os trabalhadores retornem aos postos e parte da obra seja retomada o mais rápido possível, evitando que a interrupção prolongada aumente custos e riscos.
Como o corredor ferroviário fica refém de um túnel centenário
O Projeto do Túnel do Rio Hudson tem dois objetivos centrais: construir um novo túnel ferroviário para trens suburbanos entre Manhattan e Nova Jersey e reformar o túnel centenário já em operação.
Hoje, esse túnel antigo é atravessado por mais de 200.000 passageiros e 425 trens diariamente, configurando a linha de passageiros mais movimentada do país.
Esse túnel existente foi severamente danificado pelo furacão Sandy em 2012 e, desde então, depende de reparos emergenciais frequentes. Cada intervenção gera interrupções no tráfego ferroviário e expõe a vulnerabilidade do corredor.
Sem o novo túnel, qualquer falha grave pode comprometer a mobilidade de centenas de milhares de pessoas entre Nova York e Nova Jersey, com impacto direto na economia regional.
Túnel vira moeda de troca política com nome de aeroporto e estação
O conflito sobre o túnel não é apenas técnico ou orçamentário. Segundo uma fonte citada no relato original, Donald Trump teria se oferecido para desbloquear os fundos do projeto em troca de apoio de democratas a uma proposta polêmica: renomear o Aeroporto Internacional de Washington Dulles e a Estação Penn, em Nova York, em sua homenagem.
A ideia foi duramente criticada pelos democratas, que rejeitaram transformar um projeto de túnel estratégico em moeda de troca política ligada a homenagens pessoais.
Na prática, o túnel do Rio Hudson acabou no centro de uma disputa simbólica entre o governo Trump e lideranças democratas, enquanto a obra continua parada e trabalhadores permanecem sem atividade no canteiro.
Trump critica custos, Hochul rebate e fala em urgência
Pelas redes sociais, Trump declarou que se opõe ao projeto do túnel e demonstrou preocupação com a possibilidade de custos adicionais de bilhões de dólares.
Para ele, o Projeto Gateway, que inclui o túnel do Rio Hudson, pode se tornar financeiramente catastrófico para a região se não houver planejamento rigoroso para conter estouros de orçamento.
Hochul afirma ter telefonado para Trump após essa publicação para deixar claro que o projeto do túnel não enfrenta os problemas de custo descritos por ele. Em sua avaliação, é urgente construir o novo túnel e avançar na reforma do túnel antigo para encerrar os atrasos e impasses políticos.
A governadora alerta ainda para o cenário extremo: caso “algo aconteça” e o túnel existente venha a ruir, o impacto para o corredor ferroviário e para a região seria imenso.
Quanto o túnel já recebeu e o que ainda está em jogo
O projeto do Rio Hudson já recebeu cerca de US$ 15 bilhões em apoio federal durante o governo do então presidente Joe Biden, e quase US$ 2 bilhões já foram efetivamente gastos.
Mesmo assim, com parte dos recursos congelados sob a gestão Trump, a obra foi interrompida e a liberação de novos montantes depende de decisões políticas e judiciais.
Enquanto a obra não avança e o túnel centenário continua em operação com danos e remendos, o corredor ferroviário mais movimentado do país segue vulnerável, apoiado em uma infraestrutura envelhecida que precisa de reforma profunda.
A cada dia de paralisação, aumenta a distância entre a necessidade técnica do projeto e a realidade política em torno do financiamento.
Diante desse impasse, você acha que a pressão política em Washington justifica manter um túnel centenário danificado no coração do corredor ferroviário mais movimentado dos Estados Unidos?

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