Pesquisa aponta que ultrarricos americanos ampliam busca por segunda cidadania para diversificar patrimônio, aumentar mobilidade global e reduzir riscos.
Os ultrarricos dos EUA estão liderando uma mudança significativa no mercado global de migração por investimento. Cada vez mais americanos de alta renda buscam uma segunda cidadania como forma de reduzir riscos, diversificar patrimônio e garantir alternativas diante de cenários políticos, econômicos e geopolíticos incertos.
Segundo especialistas do setor ouvidos pela Forbes, os Estados Unidos ultrapassaram a China e se tornaram o maior mercado do mundo para programas de residência e cidadania por investimento. O movimento reflete uma preocupação crescente com estabilidade financeira, qualidade de vida e liberdade de circulação internacional.
Dados da Apex Capital Partners mostram que 61% dos americanos com renda anual superior a US$ 200 mil consideram mudar para outro país nos próximos cinco anos. Ao mesmo tempo, a Henley & Partners registrou aumento de 183% nas consultas de cidadãos dos EUA interessados em residências e cidadanias alternativas durante o primeiro trimestre de 2025.
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Ultrarricos dos EUA transformam cidadanias em ferramenta de gestão de riscos
Durante décadas, investidores diversificaram aplicações financeiras para proteger patrimônio. Agora, muitos estão aplicando a mesma lógica à própria nacionalidade.
Eric Major, CEO da consultoria Latitude World, afirma que o interesse de americanos por programas internacionais cresceu de forma acelerada nos últimos anos. Segundo ele, os EUA assumiram a liderança global na procura por segunda cidadania.
O objetivo vai muito além do turismo. Para muitos ultrarricos, possuir múltiplas cidadanias significa ter acesso a diferentes sistemas jurídicos, mercados internacionais e oportunidades de residência em caso de mudanças bruscas no cenário mundial.
Esse comportamento vem sendo impulsionado por eventos que marcaram a última década, incluindo crises econômicas, pandemia, conflitos internacionais e crescente polarização política.
Por que americanos estão procurando uma segunda cidadania
Os motivos que levam americanos a buscar uma segunda cidadania são diversos, mas alguns fatores aparecem com frequência entre os entrevistados pelas consultorias especializadas.
A pesquisa da Apex Capital Partners identificou que:
- 68% apontam o custo de vida como preocupação principal;
- 54% citam o ambiente político dos EUA;
- Milhares demonstram interesse em ampliar a liberdade de circulação internacional;
- Muitos buscam alternativas para planejamento patrimonial e sucessório.
Nuri Katz, presidente da Apex Capital Partners, observa que o interesse atravessa diferentes posicionamentos políticos. Segundo ele, tanto eleitores conservadores quanto progressistas manifestam preocupações relacionadas ao futuro do país.
Na prática, a segunda cidadania passou a ser vista como uma camada adicional de proteção para famílias com grandes patrimônios.
O crescimento das cidadanias alternativas após a reeleição de Trump
O mercado registrou uma aceleração importante após a eleição de Donald Trump para um segundo mandato.
A Henley & Partners informou que as consultas de americanos interessados em cidadanias e residências alternativas cresceram 183% no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Outro dado citado por Eric Major mostra uma mudança impressionante em sua própria carteira de clientes. Segundo ele, os americanos representavam apenas 4% dos negócios da empresa em 2019. Atualmente, esse percentual alcança 74%.
O avanço demonstra como o tema deixou de ser uma preocupação restrita a pequenos grupos e passou a fazer parte do planejamento estratégico de um número cada vez maior de investidores.
Europa continua atraindo ultrarricos em busca de mobilidade internacional
Mesmo com regras mais rígidas, a Europa segue como um dos principais destinos para quem procura cidadanias internacionais.
O interesse está diretamente ligado ao acesso ao Espaço Schengen, que permite circulação por 29 países europeus sem controles migratórios internos.
Entretanto, diversos programas passaram por mudanças importantes nos últimos anos.
Entre as principais alterações estão:
- A Grécia elevou o investimento mínimo de € 250 mil para até € 800 mil em regiões mais disputadas;
- A Espanha encerrou oficialmente seu programa de golden visa em abril de 2025;
- Portugal ampliou de cinco para dez anos o período mínimo para solicitação de cidadania;
- Malta reformulou suas regras após decisão da Corte de Justiça da União Europeia.
Mesmo diante dessas restrições, especialistas afirmam que o interesse dos ultrarricos americanos pela Europa continua elevado.
Caribe oferece caminho mais rápido para segunda cidadania
Enquanto os programas europeus se tornam mais exigentes, países do Caribe ganham espaço entre investidores internacionais.
Segundo especialistas do setor, uma segunda cidadania caribenha pode ser obtida por aproximadamente US$ 250 mil, com prazo médio de processamento entre quatro e seis meses.
Outro diferencial importante está na integração regional promovida pela Organização dos Estados do Caribe Oriental.
Na prática, cidadãos de um dos países-membros podem acessar oportunidades de trabalho e residência em outras nações participantes, ampliando os benefícios da nacionalidade adquirida.
Para muitos americanos, trata-se da combinação ideal entre custo, rapidez e mobilidade internacional.
Cidadanias por descendência ganham força entre americanos
Nem todos os interessados precisam investir milhões para obter uma nova nacionalidade.
A cidadania por descendência vem se tornando uma das alternativas mais procuradas por americanos com raízes familiares na Europa ou no Canadá.
De acordo com especialistas em migração internacional, essa opção costuma ser recomendada antes de qualquer programa de investimento por apresentar custos significativamente menores.
O número de pedidos de cidadania irlandesa por ascendência cresceu 63% no último ano, evidenciando o aumento da demanda.
No Canadá, após mudanças nas regras relacionadas à dupla cidadania, os americanos passaram a liderar os pedidos de nacionalidade, superando inclusive a soma dos nove países seguintes no ranking de solicitações.
Nova Zelândia atrai ultrarricos preocupados com cenários extremos
Entre os destinos considerados mais seguros do mundo, a Nova Zelândia aparece frequentemente nas listas de preferência dos ultrarricos.
Eric Major relata que muitos clientes com patrimônio superior a US$ 100 milhões demonstram interesse pelo país devido à estabilidade política, qualidade de vida e localização geográfica.
O programa local exige investimento mínimo de aproximadamente NZ$ 5 milhões, valor equivalente a cerca de US$ 3 milhões.
Embora o custo seja elevado, a Nova Zelândia ocupa posição de destaque em rankings internacionais relacionados à qualidade de vida e reputação global, fatores altamente valorizados por investidores de grande patrimônio.
Trump Gold Card não alcança resultado esperado nos EUA
Enquanto muitos americanos procuram alternativas no exterior, o governo dos EUA tentou atrair investidores estrangeiros por meio do programa Trump Gold Card.
Inicialmente apresentado com valor de US$ 5 milhões, o projeto prometia facilitar o acesso à residência americana.
Posteriormente, o preço foi reduzido para US$ 1 milhão após a baixa adesão inicial.
Apesar da redução de 80% no valor exigido, os resultados ficaram abaixo das expectativas. Segundo informações divulgadas pela imprensa americana, apenas um visto havia sido aprovado meses após o lançamento do programa.
Especialistas do setor avaliam que investidores preferem programas baseados em aplicações recuperáveis, em vez de modelos que exigem pagamentos sem retorno financeiro direto.
O que essa tendência revela sobre o futuro da riqueza global
O crescimento da procura por cidadanias entre ultrarricos americanos mostra uma transformação importante na forma como patrimônios são protegidos e administrados.
A segunda cidadania deixou de representar apenas conveniência para viagens internacionais. Hoje, ela faz parte de estratégias envolvendo sucessão familiar, proteção jurídica, mobilidade global e diversificação de riscos.
Com os EUA liderando a demanda mundial por programas de cidadania e residência por investimento, especialistas acreditam que essa tendência continuará avançando nos próximos anos.
Em um cenário marcado por incertezas econômicas, disputas geopolíticas e mudanças regulatórias frequentes, possuir múltiplas cidadanias passou a ser visto por muitos investidores como uma ferramenta estratégica para ampliar segurança, liberdade e acesso a oportunidades internacionais.
Com informações de Forbes
