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Estudo com 16 mil genomas publicado na Nature revela que a evolução humana continua acontecendo, acelera mudanças no DNA e explica por que características como cabelos ruivos aumentaram enquanto a predisposição genética à calvície masculina diminuiu ao longo dos últimos 10 mil anos

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Escrito por Caio Aviz Publicado em 17/07/2026 às 15:13 Atualizado em 17/07/2026 às 15:15
Homens de diferentes idades e um menino ruivo diante de uma representação do DNA, ilustrando as mudanças genéticas associadas à evolução humana e à seleção natural descritas em estudo publicado na revista Nature.
Imagem ilustrativa representa a evolução humana e as adaptações genéticas identificadas por pesquisadores em um estudo publicado na revista Nature, que analisou 16 mil genomas e apontou mudanças relacionadas a características como cabelos ruivos e predisposição à calvície masculina.
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Pesquisa publicada na revista Nature mostra que a seleção natural continuou moldando o DNA humano nos últimos 10 mil anos e identificou centenas de variantes genéticas associadas a características presentes na população atual.

A evolução humana continua em andamento e pode estar ocorrendo em um ritmo mais acelerado do que o imaginado. Essa é a principal conclusão de um estudo liderado por Ali Akbari, da Universidade de Harvard, em colaboração com pesquisadores do Broad Institute do MIT e instituições europeias. O trabalho foi publicado na revista científica Nature após sete anos de pesquisa.

Além disso, os cientistas analisaram os genomas completos de aproximadamente 16 mil indivíduos que viveram na Europa e na Ásia Ocidental, desde cerca de 10 mil anos atrás até os dias atuais.

Estudo identificou centenas de variantes genéticas

Inicialmente, o objetivo foi identificar casos de seleção direcional, um processo da seleção natural que favorece determinadas características ao longo das gerações.

Como resultado, 479 variantes alélicas foram identificadas. Até então, apenas cerca de 20 casos claros desse tipo de seleção haviam sido documentados no genoma humano.

Além disso, mais de 60% dessas variantes foram associadas a características observadas nas populações atuais.

Características físicas também foram influenciadas pela seleção natural

Segundo os pesquisadores, a seleção natural deixou marcas até mesmo em características físicas consideradas inesperadas.

Entre elas, destacam-se:

  • Cabelo ruivo;
  • Pele clara;
  • Tipo sanguíneo B;
  • Maior resistência ao HIV;
  • Maior resistência à hanseníase.

Ao mesmo tempo, outras características apresentaram redução ao longo da evolução.

Entre elas estão:

  • Predisposição masculina à calvície;
  • Risco de artrite reumatoide.

Predisposição à calvície apresentou redução ao longo dos últimos 7 mil anos

De acordo com os resultados, foi observado que homens com predisposição genética à calvície tiveram menor probabilidade de reprodução durante aproximadamente os últimos 7 mil anos.

Entretanto, os autores destacam que essa associação não significa, necessariamente, que a calvície tenha sido a causa direta desse resultado.

Agricultura mudou o rumo da evolução humana

Segundo o estudo, um dos principais pontos de mudança ocorreu há cerca de 10 mil anos, quando diversas populações deixaram o estilo de vida de caçadores-coletores e passaram a desenvolver a agricultura.

A partir desse período, as pressões seletivas sofreram alterações importantes.

Entre os fatores apontados pelos pesquisadores estão:

  • mudanças na alimentação;
  • convivência com animais domesticados;
  • aumento da densidade populacional;
  • surgimento de novas doenças.

Consequentemente, o genoma humano foi adaptado de forma mais rápida do que se imaginava, segundo a pesquisa.

Idade do Bronze também marcou novas adaptações genéticas

Posteriormente, durante a Idade do Bronze, novas mudanças foram registradas.

Conforme a análise do DNA antigo, variantes relacionadas ao sistema imunológico, aos processos inflamatórios e ao metabolismo passaram por rápida seleção naquele período.

Assim, o estudo aponta que a reorganização social e biológica ocorrida na Europa também influenciou a evolução genética.

Pesquisadores fazem importante ressalva sobre os resultados

Por outro lado, os autores enfatizam que correlação genética não representa causalidade evolutiva.

Ou seja, o fato de uma variante estar associada a determinada característica não significa que ela tenha sido favorecida exatamente por essa característica.

Além disso, o estudo ressalta que alguns genes exercem múltiplas funções, enquanto determinadas características também podem depender de outras variáveis.

Da mesma forma, associações atuais entre variantes genéticas e fatores sociais, como renda ou escolaridade, não podem ser extrapoladas para períodos históricos, como o Neolítico, quando essas condições simplesmente não existiam.

Evolução significa adaptação, e não perfeição biológica

Por fim, os pesquisadores reforçam que a seleção natural não conduz os seres humanos a um modelo biológico perfeito.

Em vez disso, as adaptações são favorecidas conforme as necessidades de cada período histórico, aumentando as chances de sobrevivência das populações ao longo do tempo.

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Caio Aviz

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