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Vizinho cego inspirou estudante de 19 anos a aprender visão computacional do zero e criar óculos com IA que reconhecem rostos, identificam objetos, calculam distâncias e transformam o ambiente em avisos de voz e vibrações

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 17/07/2026 às 16:36 Atualizado em 17/07/2026 às 16:38
Estudante indiano cria óculos com inteligência artificial para ajudar pessoas cegas a reconhecer rostos, objetos e distâncias por voz e vibrações
Estudante indiano cria óculos com inteligência artificial para ajudar pessoas cegas a reconhecer rostos, objetos e distâncias por voz e vibrações. (Foto: startuppedia.in)
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Criado por Tushar Shaw, o protótipo combina câmeras, inteligência artificial e retorno tátil para orientar pessoas cegas e venceu uma competição nacional que financiará novos testes e a preparação do produto para o mercado

Tushar Shaw tinha 19 anos e cursava o segundo ano de engenharia na Scaler School of Technology, em Bengaluru, na Índia, quando apresentou um par de óculos capaz de analisar o ambiente ao redor e transmitir as informações por meio de comandos de voz e vibrações.

O projeto nasceu após o estudante acompanhar as dificuldades enfrentadas por um vizinho cego em tarefas como localizar objetos, reconhecer pessoas e circular por espaços desconhecidos.

Batizado de Percevia, o equipamento utiliza câmeras, modelos de visão computacional e recursos de inteligência artificial para identificar objetos, estimar distâncias e descrever cenas em tempo real. Em vez de mostrar imagens em uma tela, os óculos convertem os dados captados em sons e diferentes padrões de vibração.

O protótipo colocou Shaw entre os vencedores nacionais do Samsung Solve for Tomorrow 2025, programa educacional voltado a projetos tecnológicos desenvolvidos por jovens. Segundo a Samsung Newsroom Índia, em publicação de 12 de novembro de 2025, o estudante começou o trabalho sem experiência anterior em desenvolvimento de hardware ou visão computacional.

Apesar do reconhecimento, o dispositivo ainda estava em fase de desenvolvimento. Os responsáveis pelo projeto não haviam divulgado informações completas sobre preço, duração da bateria, peso final, índice de precisão ou data de lançamento comercial.

A dificuldade do vizinho mostrou um problema que os livros de engenharia não explicavam

Estudante indiano cria óculos com inteligência artificial para ajudar pessoas cegas a reconhecer rostos, objetos e distâncias por voz e vibrações
Estudante indiano cria óculos com inteligência artificial para ajudar pessoas cegas a reconhecer rostos, objetos e distâncias por voz e vibrações. (Foto: startuppedia.in)

Shaw cresceu ao lado de uma pessoa com deficiência visual e observou como situações rotineiras podiam exigir planejamento ou ajuda de terceiros. Atravessar uma rua, encontrar um objeto deixado sobre uma mesa ou identificar quem havia entrado em um ambiente foram alguns dos problemas usados como ponto de partida.

A ideia exigia conhecimentos que o estudante ainda não dominava. Ele precisou estudar programação aplicada a imagens, modelos de detecção de objetos, sensores, desenho de circuitos e integração entre software e componentes instalados na armação.

O desenvolvimento também contou com a participação de voluntários com deficiência visual. Eles forneceram dados e testaram versões do dispositivo, permitindo que Shaw percebesse diferenças entre uma função que operava corretamente no laboratório e outra que realmente poderia ser compreendida durante o uso cotidiano.

Câmeras dividem o campo de visão e as vibrações indicam onde está o obstáculo

O sistema capta imagens à frente do usuário e divide o campo visual em uma grade de três por três áreas. Após reconhecer um objeto, o equipamento informa o que foi detectado e em qual parte dessa grade ele se encontra, ajudando a indicar se o elemento está à esquerda, à direita, acima ou diretamente no caminho.

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Foto: samsung.com

A distância é representada por padrões de vibração. Frequências diferentes comunicam se o objeto está próximo ou afastado, permitindo que o usuário forme uma referência espacial sem precisar receber uma descrição longa a cada movimento.

A página dedicada ao projeto no portal Samsung Corporate Citizenship informa que o Percevia utiliza versões ajustadas dos modelos YOLOv8n e YOLO-E. Além da detecção de objetos, o protótipo foi projetado para reconhecer rostos, ler textos impressos, descrever cenas e permitir o cadastro de elementos que não estavam presentes no treinamento original.

Essas funções dependem da qualidade das câmeras, da iluminação, da velocidade de processamento e da capacidade do sistema de evitar falsos alertas. Antes de ser usado como recurso de mobilidade em ruas e locais movimentados, o equipamento ainda precisará passar por testes amplos e não deve ser tratado como substituto imediato da bengala, do cão-guia ou das técnicas ensinadas por profissionais de orientação e mobilidade.

Gemini descreve a cena enquanto outros modelos procuram rostos e objetos

Shaw usou o Gemini 2.0 Flash, do Google, para produzir descrições das imagens captadas. A proposta é transformar uma cena complexa em uma mensagem curta, informando, por exemplo, a presença de uma cadeira, de uma porta, de uma pessoa conhecida ou de um obstáculo próximo.

Como informou o Google ao apresentar o Gemini 2.0 Flash em dezembro de 2024, o modelo foi desenvolvido para trabalhar com entradas multimodais e oferecer baixa latência. Essas características permitem interpretar imagens e gerar respostas com rapidez, requisito necessário para equipamentos que precisam orientar o usuário enquanto ele se movimenta.

O Percevia também combina reconhecimento facial e detecção convencional de objetos. Os dados empregados no desenvolvimento dessas funções tiveram contribuições de pessoas cegas, que ajudaram a definir quais informações eram úteis e quais avisos poderiam gerar confusão ou excesso de estímulos.

Vitória garantiu acesso ao IIT Delhi, mas o prêmio de ₹1 crore foi dividido

O Percevia venceu a categoria voltada ao uso de inteligência artificial para tornar a Índia mais segura, inteligente e inclusiva. Outros três projetos foram escolhidos nas áreas de saúde, sustentabilidade ambiental e inclusão por meio do esporte e da tecnologia.

Os quatro vencedores dividiram um pacote coletivo de ₹1 crore, equivalente a 10 milhões de rúpias, destinado à incubação dos projetos. O comunicado da competição informa que as equipes passaram a receber suporte dos laboratórios da Foundation for Innovation and Technology Transfer, ligada ao IIT Delhi, para aprimorar os protótipos e estudar sua transformação em produtos escaláveis.

Segundo o Times of India, a seleção foi encerrada após seis meses de mentorias, treinamentos e desenvolvimento técnico. Os 20 finalistas também receberam ₹1 lakh por equipe e smartphones, enquanto os quatro campeões avançaram para a etapa de incubação.

Tecnologia tenta preencher uma lacuna que atinge bilhões de pessoas

A deficiência visual engloba condições muito diferentes, desde perdas parciais corrigíveis até a cegueira total. Os óculos de Shaw foram pensados principalmente para pessoas cegas que precisam receber informações espaciais por canais alternativos, como audição e tato.

De acordo com uma atualização publicada pela Organização Mundial da Saúde em fevereiro de 2026, pelo menos 2,2 bilhões de pessoas apresentam algum tipo de deficiência visual de perto ou de longe. Em aproximadamente 1 bilhão desses casos, o problema poderia ter sido evitado ou ainda não recebeu atendimento adequado.

Um dispositivo como o Percevia não corrige a visão nem trata doenças oculares. Sua função é atuar como tecnologia assistiva, interpretando dados que normalmente seriam percebidos pelos olhos e enviando orientações que possam ajudar o usuário a tomar decisões.

Testes com mais usuários definirão se o protótipo pode virar um produto acessível

Os próximos passos incluem ampliar os testes com pessoas cegas, consultar especialistas em orientação e mobilidade e desenvolver recursos para navegação em ambientes internos. Shaw também pretende trabalhar com empresas do setor de acessibilidade para reduzir o tamanho dos componentes e tornar a armação mais confortável.

Em entrevista publicada pela Startup Pedia em abril de 2026, o estudante, então com 20 anos, afirmou que o projeto havia evoluído para uma empresa chamada Percevia Technologies. O objetivo declarado era criar um equipamento financeiramente acessível, embora o valor estimado para a versão comercial ainda não tivesse sido divulgado.

A transformação do protótipo em produto dependerá de testes de precisão, autonomia da bateria, resistência, privacidade dos dados captados pelas câmeras e funcionamento em diferentes condições de luz e ruído. O reconhecimento facial também exigirá controles claros sobre armazenamento de imagens e autorização das pessoas cadastradas.

Shaw pretende fazer com que os óculos sejam usados com a mesma naturalidade de uma armação convencional. Até que isso aconteça, o projeto continuará sendo avaliado pela capacidade de oferecer orientações confiáveis sem aumentar os riscos durante a locomoção.

Você acredita que óculos com inteligência artificial podem se tornar uma ferramenta comum de autonomia para pessoas cegas? Deixe sua opinião nos comentários e conte quais recursos deveriam ser priorizados antes que um equipamento como esse chegue ao mercado.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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