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Estudante passou anos arrastando os amigos para ver uma pedra solitária de 1,8 metro em uma floresta na Inglaterra até que arqueólogos resolveram investigar e descobriram um sítio ritual de 3.700 anos escondido debaixo do chão com cinco pedras derrubadas, uma plataforma cerimonial e uma nascente que alimentava rituais da Idade do Bronze

Publicado em 09/04/2026 às 22:45
Atualizado em 09/04/2026 às 22:47
Estudante de 24 anos insistiu por anos que pedra solitária escondia algo maior. Arqueólogos encontraram círculo de pedras de 3.700 anos sobre nascente ritual.
Estudante de 24 anos insistiu por anos que pedra solitária escondia algo maior. Arqueólogos encontraram círculo de pedras de 3.700 anos sobre nascente ritual.
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George Bird insistiu por anos que havia algo mais por trás da pedra de Farley Moor, em Derbyshire, e quando uma equipe de arqueólogos finalmente escavou o local com câmeras do programa Time Team, encontrou um círculo de pedras oval de 25 metros por 23 metros, datado de 1.700 a.C., construído sobre uma nascente que alimenta o rio Derwent.

George Bird tinha 24 anos e um hábito que irritava os amigos. Toda vez que organizava uma caminhada pelas florestas de Derbyshire, no centro da Inglaterra, o trajeto sempre acabava passando por um círculo de pedras. E a caminhada sempre ficava oito quilômetros mais longa do que o previsto.

No meio de uma dessas florestas, em Farley Wood, existe uma pedra solitária de 1,8 metro de altura conhecida como Farley Moor Standing Stone. Para a maioria das pessoas que passam por ali, é só uma rocha grande no meio das árvores. Para Bird, era um incômodo. “Com o tempo, comecei a me perguntar se não havia algo mais por trás dessa pedra”, contou ele à BBC.

O que o estudante fez com a suspeita?

George Bird suspeitava que havia algo mais por trás da pedra ereta em seu bosque local.

imagem: BBC

Bird não era arqueólogo profissional, mas era metódico. Ele documentou tudo que encontrou ao redor da pedra: formações rochosas suspeitas, padrões no terreno, anomalias que não combinavam com a paisagem natural. Juntou tudo em um relatório e enviou para a Forestry England, o órgão que administra as florestas públicas da Inglaterra.

O material foi suficiente para chamar a atenção de Lawrence Shaw, principal consultor de patrimônio histórico da Forestry England. E também atraiu o interesse do Time Team, um programa britânico de televisão especializado em escavações arqueológicas.

“Nunca faríamos nada sem o George”, disse Shaw à BBC. “Foi ideia dele, e ele fazia parte da equipe no que nos dizia respeito.”

O que encontraram debaixo do chão da floresta?

Acredita-se que o círculo de pedras recém-descoberto date de 3.700 anos atrás.

imagem: Time Team/bbc

Quando os arqueólogos começaram a escavar, descobriram que a pedra solitária era apenas o fragmento visível de um monumento muito maior.

O local abrigava uma plataforma cerimonial construída intencionalmente sobre uma nascente natural. A nascente alimenta o Bentley Brook, que deságua no rio Derwent. A análise do sítio identificou que cinco pedras próximas estavam derrubadas, mas originalmente formavam um oval de pedras com 25 metros de comprimento por 23 metros de largura.

A plataforma cerimonial foi descoberta ao lado da pedra ereta principal.

imagem:Time Team/ bbc

A datação por carbono colocou o sítio em 1.700 a.C., plena Idade do Bronze. E a plataforma cerimonial é ainda mais antiga que a pedra em pé, o que indica uso ritual contínuo por centenas de anos.

Por que a água era tão importante na Idade do Bronze?

A escolha do local não foi acidental. A plataforma foi construída exatamente sobre uma nascente, e os arqueólogos interpretam isso como evidência do papel central da água nos rituais da Idade do Bronze. Nascentes, rios e fontes eram considerados pontos de conexão com o mundo espiritual por comunidades pré-históricas em toda a Europa.

“O que descobrimos é evidência de uma paisagem cerimonial muito mais complexa, da qual a pedra original faz parte”, disse Shaw. “A plataforma de pedra antecede a própria pedra em pé, sugerindo uso ritual contínuo por centenas de anos, fortemente ligado à água e à importância que ela tinha para as comunidades da Idade do Bronze.”

Como esse sítio se compara a Stonehenge?

Círculos de pedra e henges eram monumentos cerimoniais comuns no segundo e terceiro milênios antes de Cristo nas Ilhas Britânicas. O sítio de Farley Moor está na mesma faixa temporal de dezenas de outros na região, incluindo Stonehenge.

Derek Pitman, professor associado de arqueologia da Bournemouth University, colocou a descoberta em perspectiva: “A escala da atividade que provavelmente existiu nessa paisagem mostra o impacto da vida ritual da Idade do Bronze muito além de sítios conhecidos como Stonehenge.”

Pitman também destacou que a descoberta prova o valor de investigar sítios escondidos dentro de florestas que cresceram sobre eles nas últimas décadas. “Isso sugere uma riqueza de arqueologia ainda esperando para ser explorada.”

O que vai acontecer agora com o sítio?

A Forestry England vai proteger o local, e a equipe de arqueologia planeja voltar no verão de 2026 para investigações adicionais nas pedras recém-identificadas. O objetivo é descobrir quando o sítio foi criado pela primeira vez e até onde o complexo ritual se estendia.

Quanto a George Bird, ele finalmente tem uma desculpa legítima para arrastar os amigos pelas florestas de Derbyshire. “Não via a hora de meter a mão na massa e ajudar a equipe com a escavação”, disse. “É simplesmente fantástico descobrir que tudo isso foi confirmado, que aquelas rochas estranhas são de fato parte de um monumento maior.”

Com informações de Popular Mechanics, BBC e Forestry England.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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