Novas imagens da estrela Betelgeuse feitas pelo ALMA revelam regiões quentes, superfície irregular e uma estrutura que pode ter permanecido estável por pelo menos sete anos.
Uma estrutura quente observada na estrela Betelgeuse pode ter permanecido praticamente no mesmo lugar por pelo menos sete anos, contrariando o comportamento previsto pelos modelos utilizados pelos astrônomos. O detalhe apareceu quando imagens obtidas pelo radiotelescópio ALMA em 2023 foram comparadas com observações realizadas pelo mesmo conjunto de antenas em 2015.
As novas imagens, divulgadas pelo Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), do Observatório Europeu do Sul (ESO), oferecem uma visão mais nítida da superfície da supergigante. Além de identificar regiões com temperaturas diferentes, os registros mostram uma atmosfera irregular, dinâmica e estendida muito além da parte visível da estrela.
Uma das regiões está 530 °C mais quente que o entorno
O ALMA identificou duas áreas especialmente quentes em Betelgeuse, localizadas nas regiões nordeste e sudoeste. A diferença de temperatura mais expressiva chega a aproximadamente 530 °C em relação ao gás situado ao redor.
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A temperatura da estrela é apresentada em cerca de 2.030 °C. As diferenças observadas em sua parte externa podem estar relacionadas à circulação de material nas camadas internas, onde gases mais quentes avançam em direção à atmosfera.
Esse movimento ajuda a explicar por que a superfície não se comporta como uma estrutura uniforme. Em vez disso, grandes áreas de gás aparecem com propriedades distintas, compondo o aspecto borbulhante observado pelos instrumentos.
Estrutura aparece praticamente no mesmo ponto desde 2015
A comparação entre épocas diferentes tornou uma das áreas quentes ainda mais interessante. Uma estrutura registrada em 2023 aparece praticamente na mesma região onde o ALMA havia observado uma formação semelhante em 2015.
Isso sugere uma permanência de pelo menos sete anos, período considerado significativo diante dos modelos utilizados para explicar o comportamento dessas grandes estruturas. Pelas previsões existentes, formações dessa natureza deveriam sofrer transformações ou desaparecer em menos tempo.
A descoberta abre espaço para novas investigações sobre o funcionamento interno de Betelgeuse. Observações futuras poderão indicar se a região continuará reconhecível ou se finalmente apresentará mudanças mais profundas.
Betelgeuse não apresenta formato perfeitamente redondo
Outro resultado dos registros está relacionado à própria aparência da supergigante. As medições indicam que o tamanho aparente de Betelgeuse varia conforme a região observada, afastando a ideia de uma superfície perfeitamente esférica e regular.
O gás também ultrapassa consideravelmente os limites da parte visível da estrela, formando uma atmosfera extensa. Ao analisar observações separadas por anos, os pesquisadores perceberam ainda que determinadas regiões mudaram de maneira mais intensa do que outras.

Essa combinação indica que diferentes partes da atmosfera podem evoluir em ritmos distintos. Enquanto uma formação quente permaneceu relativamente estável, outras estruturas apresentaram alterações perceptíveis entre 2015 e 2023.
Supergigante tem quase 20 vezes a massa do Sol
As dimensões ajudam a explicar por que Betelgeuse desperta tanto interesse. A supergigante possui massa quase 20 vezes maior que a do Sol e atingiu dimensões equivalentes a aproximadamente 800 vezes o tamanho da nossa estrela.
Ela também está em uma etapa avançada de sua evolução. Por isso, acompanhar o movimento dos gases e as transformações atmosféricas pode ajudar os astrônomos a compreender melhor como supergigantes vermelhas perdem matéria para o espaço ao longo de sua existência.
A estrela fica a aproximadamente 600 anos-luz da Terra. Mesmo a essa distância, avanços nos instrumentos de observação permitem investigar sua estrutura com um nível de detalhe que não estava disponível nas primeiras décadas de estudos.
Primeira imagem direta foi obtida pelo Hubble em 1995
O interesse visual por Betelgeuse não começou com o ALMA. Em 1995, o Telescópio Espacial Hubble produziu a primeira imagem direta de uma estrela que não fosse o Sol, tendo justamente essa supergigante como alvo.

Décadas depois, os registros produzidos pelo ALMA em 2023 ampliaram a capacidade de estudar regiões específicas de sua superfície. O resultado permite comparar temperaturas, localização de estruturas e alterações ocorridas ao longo de intervalos de vários anos.
Essa continuidade é especialmente importante porque uma única fotografia mostra apenas um instante. Ao confrontar diferentes períodos, os astrônomos conseguem observar quais elementos da estrela permanecem e quais passam por transformações.
Imagens podem ajudar a revisar modelos de estrelas gigantes
A permanência inesperada da região quente coloca os modelos atuais diante de uma questão: quais processos conseguem sustentar uma estrutura desse porte durante tantos anos?
Responder a essa pergunta pode aprofundar o conhecimento sobre a circulação de gás e o transporte de energia em supergigantes vermelhas. O comportamento observado também pode contribuir para entender como alterações internas chegam às camadas mais externas e interferem na atmosfera.
A próxima etapa será continuar acompanhando a estrela. Se a área quente persistir em novas observações, os astrônomos terão um intervalo ainda maior para explicar; se desaparecer, será possível registrar como uma das estruturas mais duradouras identificadas em sua superfície chegou ao fim.
