O departamento de Engenharia Climática de Pequim, ligado ao Departamento Municipal de Meteorologia, ficou responsável por acompanhar as nuvens por satélite. A agência Nova China apontava 41% de probabilidade de chuva na data, e o Estádio Nacional, palco da cerimônia, não tem cobertura para proteger figurantes, atletas e os adereços
A China vai recorrer a métodos científicos de dispersão de nuvens e criação de chuva artificial para evitar chuvadas durante a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, marcada para 8 de agosto, segundo informou a imprensa local. A operação prevê o envolvimento de 32 mil pessoas e o uso de foguetes com partículas de iodeto de prata.
As informações foram publicadas pelo Record, com dados atribuídos à agência noticiosa oficial chinesa Nova China e ao departamento de Engenharia Climática de Pequim, órgão do Departamento Municipal de Meteorologia.
Chuva pode ensopar figurantes e atrasar espetáculo preparado há 2 anos

A chuva é um dos maiores medos da organização dos Jogos Olímpicos para a Cerimônia de Abertura.
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O receio é que a água ensope figurantes, atletas e adereços, e atrase todo o espetáculo, que vem sendo preparado desde há cerca de 2 anos. O tempo de preparação ajuda a explicar o tamanho da operação montada em torno de uma única noite.
Probabilidade histórica de chuva na data é de 41%
Segundo a agência Nova China, existe uma probabilidade de 41 por cento de chuva na data de abertura, cálculo feito com base nos registros históricos de pluviosidade.
O número não é uma previsão para aquele 8 de agosto específico, e sim a frequência observada em anos anteriores, o que coloca a chance de chuva perto de um a cada dois eventos realizados naquela data.
Estádio Nacional não tem cobertura e a janela crítica é de 3h30
Segundo a Nova China, o grande desafio do departamento é evitar a todo custo que chova sobre o Estádio Nacional nas três horas e meia ao longo das quais decorrerá a Cerimônia de Abertura, na noite de 8 de agosto.
O estádio não tem cobertura, o que elimina qualquer proteção física para o público, os atletas e a estrutura do espetáculo. A ausência de teto é o que transforma o clima em variável central da operação.
Departamento de Engenharia Climática comanda a manipulação do clima
O departamento de Engenharia Climática de Pequim, do Departamento Municipal de Meteorologia, é o organismo responsável pela manipulação do clima da capital chinesa durante os Jogos Olímpicos.
Entre as tarefas do órgão está o acompanhamento por satélite das nuvens, monitoramento que permite identificar com antecedência a aproximação de formações capazes de gerar chuva sobre a cidade.
Estratégia é montar uma muralha em torno da capital

A estratégia dos cientistas do clima chineses é criar uma muralha nas províncias adjacentes e nos subúrbios de Pequim.
O objetivo é evitar a progressão das nuvens ameaçadoras até a zona do Estádio Nacional. A lógica é interceptar a chuva longe do palco, e não tentar contê-la quando a formação já estiver sobre a arena.
Equipe de 32 mil pessoas atuará no lançamento dos foguetes
Uma equipe de 32 mil pessoas vai dispersar as nuvens lançando para o céu foguetes com partículas de iodeto de prata, informou a agência noticiosa chinesa.
O contingente é o que viabiliza a cobertura simultânea de um cinturão inteiro em torno da capital, já que a interceptação precisa acontecer em vários pontos ao mesmo tempo, conforme a rota das nuvens.
Iodeto de prata faz as gotas incharem até caírem pelo peso
O iodeto de prata, ou “gelo seco”, faz inchar as gotas de água até que estas caiam com o peso, segundo a explicação atribuída pela reportagem à Nova China.
O mecanismo é o que sustenta a estratégia da muralha: em vez de impedir a chuva, a técnica busca provocá-la antes, longe do estádio, de modo que as nuvens cheguem à área da cerimônia já descarregadas.
Aviões, foguetes e bombas ficaram em alerta em 26 estações
O departamento de Engenharia Climática de Pequim já pôs em estado de alerta aviões de pequeno porte, foguetes e bombas de iodeto de prata para disparar contra as nuvens.
O material está distribuído em 26 estações a 50 quilômetros de Pequim. A distância marca o raio em que a intervenção deve acontecer, faixa suficiente para que a chuva provocada caia fora da capital.
Situação atual: dispositivo montado às vésperas da cerimônia de 8 de agosto
Quando o texto foi publicado, o dispositivo já estava montado para a noite de 8 de agosto de 2008, com as 26 estações em alerta, os 32 mil integrantes escalados e o acompanhamento das nuvens por satélite a cargo do departamento de Engenharia Climática de Pequim.
A publicação não informa o custo da operação, o número de foguetes disponíveis nem qualquer avaliação sobre a taxa de sucesso do método em eventos anteriores. O que estava registrado era o plano: interceptar as nuvens nas províncias adjacentes e nos subúrbios para manter secas as três horas e meia da Cerimônia de Abertura no Estádio Nacional, que não tem cobertura.
Na sua opinião, provocar chuva artificial nos arredores para garantir céu limpo em um evento é um uso legítimo da tecnologia, ou interferir assim no clima traz riscos que não compensam o espetáculo? Deixe sua opinião nos comentários.
