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Aos 25 anos, filho de pedreiro e catadora que começou a trabalhar aos 10 anos e precisou de bolsa para chegar à faculdade sobe à colação de grau em Direito de beca e vai erguer a faixa “o filho do pedreiro com a catadora de castanhas também venceu”, diante dos próprios pais

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 31/08/2026 às 18:16 Atualizado em 31/08/2026 às 19:03
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A homenagem feita na formatura, em Teresina, condensou uma trajetória iniciada ainda na infância. Antes de concluir Direito, Ismael do Nascimento Silva trabalhou para ajudar a família, entrou na faculdade com bolsa do Prouni e enfrentou dificuldades até para custear alimentação e transporte.

A colação de grau de Ismael do Nascimento Silva, em Teresina, ganhou repercussão quando o recém-formado decidiu transformar o momento do diploma em uma homenagem aos pais. Filho de um pedreiro e de uma catadora de castanhas, ele havia atravessado a graduação em Direito com bolsa, trabalho e ajuda de pessoas próximas.

A história foi registrada em reportagem do UOL publicada em 2015, depois que imagens da cerimônia circularam pelas redes sociais. Aos 25 anos, Ismael subiu ao tablado de beca e abriu a faixa com a frase: “O filho do pedreiro com a catadora de castanhas também venceu!”

A mensagem resumiu uma trajetória que começara muito antes da faculdade. Ismael contou que passou a trabalhar aos 10 anos para ajudar a mãe e, ainda criança, vendeu sacolé, espetinho de carne e milho cozido, atividades que faziam parte de sua rotina antes de ele chegar ao ensino superior.

Ele se tornou o primeiro integrante da família a concluir um curso superior. A mãe havia estudado até o terceiro ano do ensino fundamental, enquanto o pai chegou ao primeiro ano do ensino médio, o que deu à cerimônia também o significado de uma mudança na trajetória educacional da família.

Bolsa abriu a porta, mas despesas continuaram

O caminho até o diploma passou pelo Programa Universidade para Todos, o Prouni, que permitiu a Ismael cursar Direito em uma instituição particular de Teresina. Mesmo com a bolsa, permanecer no ensino superior ainda envolvia despesas com transporte, alimentação, livros e outros materiais necessários à graduação.

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Para ajudar nesses custos, ele conseguiu trabalho como instrutor de badminton em um clube próximo à faculdade. A rotina começava cedo, com horas de estudo na biblioteca antes das aulas, e se estendia até mais tarde, quando retornava para casa depois de um dia dividido entre trabalho e graduação.

As dificuldades financeiras chegaram a atingir despesas básicas. Ismael relatou que, em alguns dias, não tinha dinheiro para a passagem de ônibus e também passou períodos de estudo sem conseguir comprar comida, esperando o retorno para casa para se alimentar.

No segundo ano da graduação, a responsável pela cantina conheceu sua situação e passou a oferecer almoço gratuitamente. A ajuda se somou ao apoio de professores, colegas e familiares, citados por ele como pessoas que apareceram em diferentes momentos quando os custos tornavam a permanência no curso mais difícil.

A rede de apoio também se manifestou nos próprios estudos. Ismael costumava preparar resumos das aulas e disponibilizar o material aos colegas; depois que o notebook que havia ganhado em um concurso foi roubado, voltou a produzir o conteúdo manualmente até que estudantes da turma se mobilizaram para lhe dar outro computador.

O avanço acadêmico ocorreu antes da colação. No nono período, Ismael foi aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, etapa necessária para o exercício da advocacia, e chegou à reta final da graduação já tendo superado essa fase da formação profissional.

A entrada na área jurídica também começou durante o curso. Após ser aprovado em uma seleção, ele estagiou na Procuradoria Geral do Município de Teresina e posteriormente passou a atuar como assessor ligado ao órgão.

Colegas da faculdade que abriram um escritório ainda o convidaram para integrar a equipe sem exigir investimento financeiro para sua entrada. As oportunidades profissionais começaram, assim, antes mesmo da entrega formal do diploma.

A homenagem aos pais

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A ideia de destacar os pais na formatura havia surgido ainda no começo da faculdade. Ismael queria que a homenagem mostrasse não apenas que havia concluído Direito, mas também a origem familiar e a participação dos dois no caminho percorrido até aquele momento.

Ao explicar a escolha, ele afirmou ter orgulho da própria origem e tratou as profissões dos pais como parte de sua trajetória. A faixa não escondia o trabalho na construção civil nem a atividade da mãe como catadora de castanhas; colocava essas ocupações no centro do registro da cerimônia.

Os pais acompanharam a colação de perto. Ao levantar a faixa diante deles e dos demais convidados, Ismael vinculou publicamente a obtenção do diploma ao trabalho e ao apoio familiar recebidos desde uma infância em que ele próprio começou cedo a contribuir para a renda de casa.

As fotografias feitas durante a formatura começaram a circular pelas redes sociais e levaram a história além do auditório. A imagem do formando de beca, com a frase dedicada ao pedreiro e à catadora de castanhas, reuniu no mesmo registro o diploma e os obstáculos econômicos enfrentados durante sua formação.

O episódio também evidenciou uma diferença entre conseguir acesso ao ensino superior e ter condições de permanecer nele. A bolsa foi decisiva para que Ismael chegasse à faculdade, enquanto trabalho, alimentação, deslocamento e materiais continuaram exigindo recursos e, em diferentes momentos, o apoio de outras pessoas.

Quando recebeu o diploma, ele já havia sido aprovado na OAB e acumulava experiência profissional na área jurídica. A faixa, porém, havia sido planejada desde o início da graduação para aquele momento específico, com as profissões dos pais escolhidas por Ismael como elemento central da homenagem.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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