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Estrangeiras avançam nas terras raras do Brasil: australiana Oceana compra projeto em Minas Gerais em acordo que pode chegar a US$ 10,2 milhões

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 30/04/2026 às 07:02 Atualizado em 30/04/2026 às 07:05
Terras raras, Oceana
Imagem: Ilustração
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Compra do projeto Serra Negra, em Minas Gerais, reforça interesse estrangeiro por terras raras brasileiras e nióbio, em nova operação da Oceana após avanço de investidores no setor de metais críticos

A Oceana fechou acordo para comprar 100% do projeto Serra Negra, em Minas Gerais, em operação de até US$ 10,2 milhões, reforçando o interesse estrangeiro pelas terras raras brasileiras e pelo potencial de nióbio no país.

Novo negócio amplia corrida por terras raras

A aquisição ocorre em mais um M&A no setro de metais críticos, poucos dias após o anúncio da compra da Serra Verde pela USA Rare Earth, movimento que colocou o mercado brasileiro no centro das atenções.

O acordo prevê US$ 2,95 milhões em dinheiro e cerca de US$ 5 milhões em ações da Oceana, listada na Bolsa da Austrália. A compradora também poderá pagar até US$ 2,25 milhões depois.

Esse valor adicional dependerá do avanço na confirmação das reservas de Serra Negra. A operação ainda inclui pagamento de royalties de 2,5% sobre a receita líquida.

A Oceana pretende financiar a compra por meio de uma emissão de ações já ancorada por grandes investidores, entre eles institucionais.

Serra Negra tem potencial ainda em fase inicial

As reservas de terras raras e nióbio em Serra Negra ainda não foram confirmadas. A exploração inicial do ativo não tinha esses minerais como foco principal, o que mantém a necessidade de novas avaliações.

A Oceana informou que levantamentos iniciais e estudos em áreas próximas indicam a presença desses recuros.

Mesmo assim, ainda serão necessárias mais atividades de exploração para que as reservas possam ser estimadas.

Por isso, parte dos pagamentos ficará ligada ao progresso desses trabalhos. A estrutura do acordo conecta o valor total da transação à evolução das confirmações minerais no ativo mineiro.

Área próxima a Araxá aumenta interesse

A compradora destacou que as minas estão em uma área “tier-one”, próxima das reservas de nióbio da CBMM, em Araxá. Essa reserva é apontada como a maior do mundo e controlada pela família Moreira Salles.

A região também fica perto do projeto de terras raras e nióbio da St George Mining. Para a Oceana, essa combinação representa uma oportunidade única de participar da indústria de metais críticos do Brasil.

Além de Serra Negra, a Oceana tem dois projetos de lítio, localizados no Ceará e na Austrália. A empresa possui valor de mercado de 94 milhões de dólares australianos.

Suas ações acumulam valorização de 1.7883% em 12 meses e de 117% em 2025.

Compra da Serra Verde chegou ao STF

O anúncio da aquisição de Serra Negra ocorreu um dia depois de a compra da Serra Verde, em Goiás, ser questionada no Supremo Tribunal Federal pela Rede Sustentabilidade.

O partido pediu liminar para suspender o negócio com os americanos até que o Governo e a Agência Nacional de Mineração apresentem explicações e análises sobre o “interesse nacional” na transação.

A Serra Verde é o primeiro projeto operacional de terras raras no país. A compra gerou discussões intensas e passou a fazer parte da polarização política em torno de ativos minerais brasileiros.

Advogados especializados disseram ao Brazil Journal que não haveria fundamento jurídico para o STF barrar esse M&A ou outros semelhantes. Uma dessas fontes lembrou que os controladores do ativo já eram americanos.

Assessoria jurídica envolveu Brasil e Austrália

Os controladores citados são os private equity Denham Capital e Energy & Minerals Group, que investiram há anos na Serra Verde.

No negócio, o Veirano Advogados atuou como assessor jurídico brasileiro da Oceana. A Hamilton Locke participou como assessora jurídica australiana.

A sequência de operações mostra o avanço do interesse externo por terras raras brasileiras, enquanto projetos em diferentes estágios ganham relevância diante da busca por minerais críticos e nióbio no país.

Com informações de Brazil Journal.

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Romário Pereira de Carvalho

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