Os Estados Unidos retiraram 13,5 kg de urânio enriquecido da Venezuela em operação concluída no início de maio de 2026. Entenda como foi feita.
O governo dos Estados Unidos anunciou na última sexta-feira (8 de maio de 2026) a conclusão bem-sucedida da retirada de 13,5 quilogramas de urânio enriquecido do território venezuelano. O material estava armazenado desde 1991 no reator de pesquisa RV-1, fruto de um projeto conjunto entre os dois países.
A operação, realizada em menos de seis semanas após a visita inicial ao local, contou com a participação de autoridades da Venezuela, especialistas do Reino Unido e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU responsável por regular o uso da energia nuclear no mundo, segundo informações do g1.
Como foi feita a operação de remoção do material radioativo
A missão foi dividida em três fases distintas, cada uma com exigências técnicas rigorosas para garantir a segurança durante todo o trajeto:
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- Embalagem: especialistas acondicionaram o urânio em um contêiner apropriado para transporte de combustível nuclear, seguindo protocolos internacionais de segurança;
- Transporte terrestre: o material percorreu 160 quilômetros em escolta até um porto venezuealano;
- Transporte marítimo: já no porto, o urânio foi embarcado em um navio operado por uma empresa britânica especializada, que o transportou até o território norte-americano.
O material chegou aos Estados Unidos no início de maio de 2026, encerrando décadas de preocupação com a presença desse estoque em solo venezuelano.

Por que o urânio era considerado um risco?
O reator RV-1 apoiou pesquisas em física e energia nuclear por décadas. Quando as atividades foram encerradas, em 1991, o combustível restante passou a ser classificado como material excedente — e problemático.
Isso porque o urânio estava enriquecido acima do limite de 20%, considerado o teto máximo permitido pela AIEA para fins pacíficos.
Qualquer enriquecimento acima dessa faixa é visto como uma violação do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), acordo assinado em 1968 e que hoje conta com 191 países signatários, incluindo o Brasil.
Estados Unidos celebram resultado e destacam agilidade da missão
O Departamento de Energia dos EUA, por meio de sua divisão de segurança nuclear (DOE/NNSA), classificou a ação como uma vitória para os dois países e para a comunidade internacional.
Brandon Williams, administrador da NNSA, destacou o significado político da operação: “A retirada segura de todo o urânio enriquecido da Venezuela envia mais um sinal ao mundo de uma Venezuela restaurada e renovada”, afirmou.
Ele também ressaltou a velocidade da execução: “Graças à liderança decisiva do presidente Trump, as equipes dedicadas em campo concluíram em meses o que normalmente levaria anos”, disse Williams.
Operação serve de modelo — e de recado — para o Irã
Além do impacto imediato, a missão na Venezuela é lida como uma demonstração de capacidade operacional dos Estados Unidos em um contexto geopolítico mais amplo.
O governo Trump tem reiterado publicamente que o Irã não pode manter seu estoque de material radioativo — e que está disposto a recorrer a ação militar para removê-lo, caso necessário.
Por outro lado, o caso iraniano é radicalmente diferente em escala e complexidade. Enquanto a Venezuela possuía 13,5 kg de urânio enriquecido acima de 20%, o Irã acumula atualmente cerca de 1.000 quilogramas nessa mesma faixa.
Desse total, aproximadamente 440 kg estão enriquecidos a 60% — uma concentração considerada muito próxima do nível necessário para a fabricação de uma arma nuclear, que gira em torno de 90%.
Portanto, qualquer operação semelhante no Irã envolveria desafios de outra magnitude — tanto técnicos quanto diplomáticos e militares.
Com informações do g1
