Programa MQ-25 avança e redefine operações embarcadas com drone-tanque inédito
Os Estados Unidos levaram o MQ-25 Stingray a uma nova etapa de maturidade ao aproximar o programa da operação regular em porta-aviões, consolidando uma proposta que a Marinha norte-americana e a Boeing tratam como inédita: a de uma aeronave não tripulada embarcada voltada, прежде de tudo, ao reabastecimento em voo.
Na prática, o projeto foi concebido para ampliar o raio de ação, o tempo de permanência e a flexibilidade do grupo aéreo embarcado sem desviar caças tripulados de missões de combate para a função de tanque aéreo.
Drone-tanque MQ-25 e a nova lógica operacional
Diferentemente da imagem mais popular associada a drones militares, o Stingray não surgiu como plataforma de ataque.
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O desenho do programa atende a uma necessidade operacional específica dos porta-aviões dos EUA: devolver aos F/A-18 Super Hornet o tempo e o combustível consumidos quando são usados para abastecer outras aeronaves da ala embarcada.

A própria Boeing define o MQ-25 como um projeto criado do zero para o ambiente exigente da aviação naval, com foco em operar a partir do convés e apoiar aeronaves tripuladas em missões mais longas.
Primeiro reabastecimento aéreo com drone da história
O marco mais simbólico do programa ocorreu em 7 de junho de 2021, quando o ativo de testes T1 transferiu combustível para um F/A-18 Super Hornet da Marinha dos EUA e se tornou a primeira aeronave não tripulada da história a reabastecer outra aeronave em voo.
O ensaio teve peso operacional porque usou o método padrão da força, o sistema probe-and-drogue, sem exigir a criação de um procedimento novo apenas para acomodar o drone-tanque.
A campanha de voos avançou além desse primeiro teste.
Segundo a Marinha, durante o verão de 2021 o MQ-25 também realizou reabastecimentos com o F-35C Lightning II e com o E-2D Advanced Hawkeye, dois vetores centrais da ala aérea embarcada.
Esse conjunto de ensaios mostrou que o conceito não estava restrito a um único tipo de avião e reforçou a intenção de integrar o Stingray ao cotidiano operacional do porta-aviões, em vez de mantê-lo como demonstrador tecnológico isolado.
Impacto do MQ-25 no alcance dos caças navais
A relevância do MQ-25 está menos na aparência da aeronave e mais no efeito que ela pode produzir sobre a rotina dos grupos de ataque.
Quando um caça tripulado deixa de cumprir a função de “buddy tanker”, a ala embarcada recupera aeronaves, tripulações e horas de voo para tarefas de defesa aérea, ataque, escolta e presença avançada.

Em documentos oficiais e materiais institucionais, a Marinha e a Boeing associam o Stingray diretamente ao aumento de alcance, permanência e capacidade do porta-aviões, além da abertura de caminho para uma integração mais ampla entre meios tripulados e não tripulados.
Esse redesenho operacional também aparece nas missões secundárias atribuídas ao sistema.
Na avaliação ambiental mais recente sobre o futuro esquadrão baseado em Norfolk, a Marinha informa que o MQ-25 deverá atuar principalmente como aeronave de reabastecimento, estendendo o alcance de combate de F/A-18E/F, EA-18G e F-35C, mas também poderá cumprir funções complementares de recovery tanking e reconhecimento.
O dado indica que o programa não foi estruturado apenas para substituir uma tarefa, e sim para ampliar a margem de emprego do porta-aviões em diferentes cenários.
Testes em porta-aviões e integração ao USS George H.W. Bush
Depois da fase inicial de ensaios em voo, o programa precisou demonstrar que conseguiria se integrar ao ambiente mais restritivo da aviação embarcada.
Em dezembro de 2021, a Marinha concluiu uma demonstração inicial do MQ-25 a bordo do USS George H.W. Bush, usando a aeronave e a estação de controle em solo para avaliar a inserção do sistema no ciclo operacional do navio.
O teste verificou aspectos ligados à movimentação, apoio e compatibilidade com as rotinas do convés, passo considerado essencial para qualquer vetor que pretenda operar no mar.
Essa transição para o ambiente naval ganhou outra peça decisiva em agosto de 2024, quando o USS George H.W. Bush recebeu o primeiro Unmanned Air Warfare Center do mundo.
De acordo com a U.S. Fleet Forces Command, o espaço reúne software e hardware do Unmanned Carrier Aviation Mission Control System MD-5E, sistema necessário para o comando e controle do MQ-25 a bordo.
A instalação foi apresentada como base inicial para o Stingray, mas pensada de forma mais ampla para futuros sistemas não tripulados da ala aérea embarcada.
Nova função na Marinha: pilotos de veículos não tripulados
O avanço do programa exigiu, ao mesmo tempo, mudanças organizacionais dentro da própria força.
A Marinha criou a função de Air Vehicle Pilot, formada por oficiais especializados na operação do MQ-25, e estruturou o VUQ-10 como esquadrão de reposição e treinamento do Stingray.
Em páginas oficiais, a força informa que esses profissionais serão responsáveis por operar a plataforma e preparar sua entrada no serviço embarcado, enquanto o VUQ-10 tem a missão de treinar e equipar o pessoal que atuará com o novo sistema na frota.
Mais do que um detalhe administrativo, essa reorganização ajuda a medir o alcance do projeto.
O MQ-25 não introduz apenas uma nova aeronave; ele força a Marinha a adaptar doutrina, formação, manutenção e comando para um ambiente em que aviadores passam a controlar sistemas não tripulados a partir do porta-aviões.
O relatório de aquisição do programa registra, inclusive, que os primeiros Air Vehicle Pilots receberam suas “Wings of Gold” em maio de 2023 e passaram a integrar o VUQ-10 em Patuxent River.
Produção, testes e primeiros movimentos operacionais
O histórico do Stingray mostra um programa em desenvolvimento contínuo desde a escolha da Boeing.
Em 30 de agosto de 2018, a empresa recebeu um contrato de US$ 805 milhões para a fase de engenharia e fabricação de desenvolvimento, com quatro aeronaves previstas naquele lote inicial.
Pouco mais de um ano depois, em 19 de setembro de 2019, o MQ-25 realizou seu primeiro voo, inaugurando a fase prática de ensaios que levaria aos testes de reabastecimento e integração naval.
A estrutura industrial também foi ampliada ao longo do programa.
Em 2021, a Boeing anunciou que passaria a fabricar o MQ-25 em uma nova instalação de 300 mil pés quadrados em Mascoutah, no estado de Illinois.
Já em 29 de janeiro de 2026, a companhia informou que o primeiro MQ-25A operacional completou seu primeiro teste de taxiamento, deslocando-se autonomamente da nova unidade de produção até a taxiway do aeroporto de MidAmerica St. Louis e executando manobras para validar o funcionamento do sistema.
Segundo a empresa, esse passo aproximou a aeronave de seu primeiro voo.
Escala de implantação e impacto na frota
Nos documentos ambientais divulgados pela Marinha para o futuro esquadrão da Costa Leste, o planejamento prevê o estacionamento de até 20 MQ-25A em Naval Station Norfolk.
O plano considera cerca de 960 operações anuais do Stingray e até 2.880 operações anuais de aeronaves de apoio, além de aproximadamente 600 integrantes de pessoal e familiares associados à implantação.
A dimensão desses números sugere que o programa já é tratado como capacidade de frota em construção, e não apenas como experiência limitada de desenvolvimento.
Com esse desenho, o Stingray vai ganhando forma como uma ferramenta para expandir o alcance do porta-aviões sem mudar a lógica central da ala aérea embarcada, mas alterando de maneira relevante como ela administra combustível, tempo e disponibilidade de aeronaves.
Em vez de substituir o caça no centro do poder de combate naval, o MQ-25 aparece como um sistema criado para liberar esse caça para a missão principal e, ao mesmo tempo, abrir espaço para uma presença cada vez maior de meios não tripulados no convés.

