A Comexport, gigante do setor logístico e comercial com sede no Brasil, dará um passo histórico em dezembro de 2025 ao iniciar a produção de veículos elétricos e híbridos em sua nova fábrica multimarcas no Ceará. A unidade foi adquirida da Ford em Horizonte, município a 45 km de Fortaleza, e será o ponto de partida para uma transformação no parque industrial automotivo brasileiro.
A fábrica, que antes abrigava a produção dos utilitários Troller, foi reformulada com investimento inicial de R$ 400 milhões. Com capacidade para montar até 40 mil veículos por ano, o projeto aposta em um modelo de produção flexível, conhecido como “lançadeira multimarcas”, em que diferentes carros são montados nas mesmas linhas.

A estratégia da empresa é iniciar a operação com dois ou três modelos eletrificados, utilizando o sistema CKD (Complete Knock Down), em que os veículos são montados a partir de kits importados. Com o tempo, a Comexport pretende nacionalizar a produção, agregando fornecedores e reduzindo a dependência de importações.
Montadora sem marca revelada e polo inédito no Nordeste
O nome da primeira montadora parceira da Comexport segue mantido em sigilo, mas já foi confirmado que se trata de uma marca popular entre os brasileiros e não de uma nova entrante no mercado. A expectativa é que o contrato seja anunciado oficialmente ainda neste semestre.
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Além de operar a montagem dos veículos, a empresa quer atrair fornecedores da região Sul para formar um minipolo de autopeças no entorno da fábrica. A ideia é criar uma “Auto Tech Zone” no Ceará, com foco em software, baterias e pesquisa e desenvolvimento (P&D), expandindo o impacto industrial da região.
O Brasil importou cerca de 500 mil veículos em 2024, segundo a Anfavea, a maioria de propulsão elétrica e vinda da China. A proposta da Comexport surge como alternativa para reduzir custos cambiais e fomentar o conteúdo nacional nos veículos vendidos no país.
De trading a player industrial com R$ 60 bilhões em receita
Fundada nos anos 1970 como uma trading voltada à exportação de têxteis, a Comexport passou por diversas fases até se tornar o que é hoje. Após perder espaço no mercado de fertilizantes devido à concentração global, a empresa se reinventou como um operador logístico 5PL, oferecendo serviços integrados que vão da armazenagem ao financiamento.
Em 2020, a receita da empresa era de R$ 11 bilhões. Em 2024, alcançou R$ 58 bilhões e a projeção para 2025 é de R$ 60 bilhões, consolidando seu lugar entre as maiores companhias do país, mesmo que pouco conhecida do grande público.
Apesar do interesse de grandes grupos como XP, BTG Pactual e J&F, a Comexport não cogita ser vendida. O CEO Alan Goldlust afirma que está capitalizado em “três vezes o necessário” e que busca alianças estratégicas com sinergia operacional, e não apenas venda de ativos.
Indústria nacional e logística avançada como diferencial competitivo
Para viabilizar o projeto da montadora, a Comexport aposta na integração entre logística, tecnologia e nacionalização de peças, criando um modelo de produção sustentável e economicamente viável para o contexto brasileiro. A meta é escalar a produção com fornecedores locais e baratear os custos da eletrificação automotiva no Brasil.
A iniciativa posiciona o Ceará como novo centro estratégico da mobilidade elétrica no país, ao lado de polos já existentes em Pernambuco e Bahia. A empresa espera também beneficiar outras montadoras da região, como Stellantis e BYD, com a oferta de componentes e soluções logísticas otimizadas.
Conforme reportagem do NeoFeed publicada em 14 de julho de 2025, a transição da Comexport de uma simples trading para uma potência logística e industrial foi resultado de decisões estratégicas diante de mudanças no cenário global, especialmente no setor de commodities.
