1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Essa madeira engenheirada surpreendeu até os pesquisadores: além de captar luz solar durante o dia, ela guarda 175 quilojoules por quilo e continua entregando energia depois que escurece, algo que painéis comuns não conseguem fazer sozinhos
Faça um comentário 3 min de leitura

Essa madeira engenheirada surpreendeu até os pesquisadores: além de captar luz solar durante o dia, ela guarda 175 quilojoules por quilo e continua entregando energia depois que escurece, algo que painéis comuns não conseguem fazer sozinhos

Foto de perfil do autor Fabio Lucas Carvalho
Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 23/04/2026 às 00:47 Atualizado em 23/04/2026 às 13:06
Madeira balsa modificada armazena calor solar, alcança 91,27% de eficiência e ainda gera eletricidade após o pôr do sol.
Madeira balsa modificada armazena calor solar, alcança 91,27% de eficiência e ainda gera eletricidade após o pôr do sol.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
7 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Pesquisadores da China transformaram madeira balsa em um material engenheirado capaz de captar luz solar, armazenar 175 quiloules por quilo em forma de calor, alcançar 91,27% de eficiência fototérmica e ainda gerar até 0,65 volts mesmo depois do pôr do sol

Pesquisadores da China transformaram madeira balsa em um material multifuncional capaz de absorver luz solar, armazená-la na forma de calor e gerar eletricidade mesmo depois do pôr do sol. A proposta, detalhada em artigo publicado na revista Advanced Energy Materials, busca contornar uma limitação da energia solar: a interrupção da geração quando a luz desaparece e a baixa eficiência no armazenamento da energia coletada.

A solução foi desenvolvida a partir da reengenharia interna da madeira em múltiplas escalas, da nano à micro, para criar uma estrutura capaz de captar calor e liberá-lo posteriormente para uso energético. Quando esse calor armazenado é transferido para um dispositivo termoelétrico, o sistema também consegue produzir eletricidade.

Madeira redesenhada para captar e armazenar energia

O ponto de partida foi a remoção da lignina natural da madeira, substância que atua como uma cola e mantém as fibras unidas. Com isso, os pesquisadores obtiveram uma estrutura porosa formada por minúsculos canais abertos no interior do material.

Esses canais foram revestidos com folhas ultrafinas de fosforeno preto, material que absorve luz solar em vários comprimentos de onda e a converte em calor. Como o fosforeno se degrada rapidamente no ar, a equipe aplicou uma camada protetora composta por ácido tânico e íons de ferro.

Na etapa seguinte, foram adicionadas nanopartículas de prata para ampliar a capacidade de captação da luz solar. Depois, os pesquisadores incluíram uma camada repelente à água para manter a madeira seca e mais resistente à deterioração em diferentes condições climáticas.

Estrutura interna acelera a condução do calor

Após a preparação da estrutura de madeira balsa, os cientistas preencheram o material com ácido esteárico, uma cera de base biológica usada para armazenar calor. Esse material derrete ao ser aquecido, armazena energia e, ao resfriar, solidifica e libera o calor acumulado.

Um dos fatores que explicam o desempenho térmico do sistema é o caminho percorrido pelo calor dentro do material. Em vez de se espalhar pela superfície, ele se propaga ao longo das fibras, o que acelera o deslocamento da energia em direção a um gerador externo.

Esse arranjo permite que o calor armazenado seja aproveitado com mais rapidez para a conversão em eletricidade. Assim, a madeira modificada atua ao mesmo tempo como captadora de luz, armazenadora de energia térmica e suporte para geração elétrica posterior.

Testes mostram alta eficiência fototérmica

Nos testes realizados em simulador solar, o material alcançou eficiência fototérmica de 91,27%. Isso significa que quase toda a luz incidente foi convertida em calor utilizável.

Além disso, o material armazenou 175 quilojoules de energia por quilograma. Quando conectado a um gerador termoelétrico, o sistema baseado em madeira balsa modificada produziu até 0,65 volts.

Resistência a fogo, bactérias e fungos

Os testes também avaliaram o comportamento do revestimento diante de riscos comuns em estruturas de uso externo. O desempenho foi considerado positivo contra incêndio, bactérias e fungos.

No estudo, os autores relataram que o revestimento híbrido reduziu a taxa de liberação de calor em 27,4% e a taxa total de liberação de calor em 31,2%. O material também apresentou bom funcionamento contra E. coli e S. aureus.

Ao reunir captação de luz, armazenamento térmico, geração elétrica e proteção contra deterioração, a equipe apresentou uma plataforma descrita como escalável e ecologicamente correta. Com essa configuração, a madeira passa a ser usada como base para o aproveitamento avançado da energia solar térmica mesmo após o pôr do sol.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x